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Sesai anuncia contratação emergencial de agentes de endemias para conter surto de chikungunya na Reserva Indígena de Dourados

A Secretaria Especial de Saúde Indígena (Sesai) informou que fará a contratação emergencial de novos agentes de combate às endemias para atuar na Reserva Indígena de Dourados, em Mato Grosso do Sul. O anúncio ocorreu em coletiva de imprensa neste sábado, 21 de março de 2026, na Câmara Municipal de Vereadores, diante do avanço dos casos de chikungunya nas aldeias Jaguapiru e Bororó.

A medida foi apresentada pela secretária-adjunta da Sesai, Lucinha Tremembé, que destacou a necessidade de resposta imediata ao aumento de registros da doença. Segundo ela, os profissionais começarão a trabalhar tão logo sejam concluídos os trâmites de contratação, estimados em até duas semanas. O foco será a orientação sobre armazenamento de água, vedação de caixas d’água e eliminação de criadouros do mosquito Aedes aegypti.

Participaram da coletiva representantes da Secretaria Municipal de Saúde de Dourados, da Secretaria de Estado de Saúde, do Ministério da Saúde e da Força Nacional do Sistema Único de Saúde (SUS), que mantém equipe de apoio no município.

Mutirão de combate iniciado em 9 de março

Desde 9 de março, um mutirão reúne profissionais das prefeituras de Dourados e Itaporã, do Governo do Estado, da Sesai e do Distrito Sanitário Especial Indígena (Dsei) para reduzir a proliferação do mosquito transmissor da chikungunya, dengue e zika. As ações incluem vistorias domiciliares, aplicação de larvicidas, eliminação de criadouros e uso de inseticida por nebulização (“fumacê”).

Dados da Secretaria Municipal de Saúde indicam que, até 17 de março, foram vistoriados 4.319 imóveis, com tratamento em 2.173 locais e identificação de 1.004 focos do mosquito. Aproximadamente 90% desses focos estavam em caixas d’água, lixo acumulado e pneus. Além disso, a borrifação de inseticida foi realizada em 43 residências consideradas de maior risco.

Estrutura hospitalar temporária

Para atender a crescente demanda de pacientes, foi instalado um hospital de campanha na Escola Municipal Indígena Tengatui Marangatu, na Aldeia Jaguapiru. A unidade, organizada pela Sesai em parceria com o Hospital Universitário da Universidade Federal da Grande Dourados (HU-UFGD), conta com equipe multiprofissional composta por médicos, enfermeiros, técnicos de enfermagem, farmacêuticos, fisioterapeutas e psicólogos.

Casos graves estão sendo encaminhados ao Hospital da Missão Evangélica Caiuá. Gestantes e crianças acometidas pela doença são direcionadas ao HU-UFGD para acompanhamento específico.

Balanço epidemiológico

Conforme o Informe Epidemiológico de Monitoramento do Surto de Chikungunya, divulgado em 20 de março, a Reserva Indígena de Dourados registra:

  • 504 casos confirmados de chikungunya;
  • 405 casos em investigação;
  • 4 pessoas internadas em enfermaria ou terapia intensiva;
  • 159 atendimentos hospitalares já realizados desde o início do surto.

Até o momento, quatro óbitos foram confirmados, todos entre moradores das aldeias. A primeira morte, de uma mulher de 69 anos residente na Aldeia Jaguapiru, ocorreu em 26 de fevereiro. O segundo óbito, de um homem de 73 anos da mesma aldeia, foi registrado em 9 de março. O terceiro caso envolveu um bebê de três meses da Aldeia Bororó em 10 de março, e o quarto, uma mulher de 60 anos também de Jaguapiru, em 12 de março.

Próximos passos

Com a chegada dos novos agentes de endemias, a Sesai pretende intensificar atividades de educação em saúde, inspeção de domicílios e orientação sobre manejo adequado de recipientes que possam acumular água. As autoridades locais reforçam que a participação da comunidade é essencial para interromper a cadeia de transmissão, especialmente por meio da eliminação de criadouros dentro dos próprios quintais.

Além da contratação emergencial, a Força Nacional do SUS mantém apoio logístico e técnico às equipes de campo. O Governo do Estado e as prefeituras envolvidas seguem fornecendo insumos, veículos e profissionais para sustentar o mutirão iniciado neste mês.

Embora a chikungunya seja a principal preocupação no momento, as mesmas ações também visam reduzir o risco de surtos de dengue e zika, doenças transmitidas pelo mesmo vetor. As autoridades de saúde monitoram indicadores epidemiológicos diariamente para avaliar a necessidade de novas medidas de contenção ou expansão da assistência hospitalar temporária.

Moradores da Reserva Indígena de Dourados podem procurar o hospital de campanha ou a unidade de saúde mais próxima caso apresentem sintomas como febre alta, dores intensas nas articulações, manchas vermelhas na pele ou mal-estar prolongado. O diagnóstico precoce e a hidratação adequada são considerados fundamentais para evitar complicações.

O Ministério da Saúde e a Sesai informam que continuarão acompanhando a situação na região e que relatórios atualizados serão divulgados à medida que novos dados forem consolidados.

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