Serviços financeiros, especialmente cartão de crédito e crédito consignado, encabeçaram o ranking de reclamações de consumidores em Mato Grosso do Sul ao longo de 2025. O dado é do Procon estadual, que identificou nas cobranças por serviços não contratados o motivo mais citado pelos moradores que buscaram atendimento.
Ao todo, o órgão registrou 22.980 atendimentos no período. Esse número inclui todos os contatos iniciais feitos pelos consumidores, como pedidos de informação, consultas rápidas sobre direitos e relatos preliminares de problemas com fornecedores. A partir desse total, 12.811 atendimentos evoluíram para queixas formais, etapa em que o cidadão oficializa o problema junto ao Procon e solicita providências contra a empresa envolvida.
Dentro das queixas formalizadas, 6.445 foram consideradas reclamações fundamentadas. Nesse grupo estão os casos em que o órgão analisou documentos, verificou a existência de indícios concretos de descumprimento da legislação de defesa do consumidor e reconheceu a procedência da insatisfação relatada. O número revela que quase metade das queixas formais apresentou elementos suficientes para justificar uma intervenção mais incisiva do Procon.
Embora as cobranças indevidas por serviços não solicitados liderem a lista de problemas, outras situações também apareceram com frequência. Entre elas estão informações incompletas fornecidas pelos estabelecimentos, tarifas consideradas irregulares e dificuldades para cancelamento de contratos ou produtos. Esses pontos compõem um cenário em que o consumidor, além de arcar com valores inesperados, enfrenta obstáculos para obter esclarecimentos ou rescindir a relação comercial.
No recorte por segmento, as instituições financeiras concentram a maior parte das notificações. Bancos, administradoras de cartão de crédito e entidades que operam crédito consignado foram acionados por uma parcela expressiva dos consumidores que procuraram o Procon. Na sequência aparecem as operadoras de telefonia, alvo de reclamações sobre cobrança de serviços adicionais e falhas na prestação de informações. Uma concessionária de energia também figura entre as empresas que receberam maior quantidade de protocolos, reforçando a diversidade de setores impactados pelos registros.
Os números divulgados referem-se a todo o ano de 2025, período em que o Procon de Mato Grosso do Sul manteve atendimento ao público em diferentes canais. Cada protocolo aberto alimentou a base de dados utilizada pelo órgão para monitorar o comportamento das empresas e orientar ações de fiscalização. Dessa forma, o levantamento fornece um panorama detalhado sobre a experiência do consumidor com serviços essenciais e produtos financeiros no estado.
A soma dos 22.980 atendimentos revela a extensão da demanda apresentada pela população sul-mato-grossense. Quando comparada às 12.811 queixas formais, a estatística mostra que mais da metade dos contatos iniciais resultou em abertura de processo contra um fornecedor. Já o recorte das 6.445 reclamações fundamentadas indica que praticamente um terço de todos os atendimentos realizados evoluiu para casos em que o Procon constatou algum tipo de irregularidade.
A presença de cartões de crédito e créditos consignados no topo do ranking reforça a relevância dos serviços financeiros na rotina de consumo e evidencia os riscos associados a cobranças não requisitadas. Ao mesmo tempo, a incidência de problemas relacionados a informações incompletas, tarifas e cancelamentos sugere que a transparência na comunicação e a adequada prestação de serviços permanecem desafios frequentes em diferentes setores.
Apesar de a maior parte das ocorrências envolver empresas do sistema financeiro, o levantamento mostra que outros ramos, como telecomunicações e energia elétrica, também enfrentam reclamações significativas. Esse cenário demonstra que a necessidade de respeito às normas de proteção ao consumidor extrapola um segmento específico, alcançando diversas áreas da economia estadual.
Com os dados consolidados de 2025, o Procon de Mato Grosso do Sul dispõe de um diagnóstico que poderá orientar medidas para reduzir a incidência de práticas consideradas abusivas. As informações sobre cobranças não contratadas, falhas na prestação de informações e obstáculos ao cancelamento fornecem subsídios para fiscalizações futuras e ações educativas voltadas a empresas e consumidores.









