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Ponte da Rota Bioceânica avança e união das estruturas deve ocorrer em maio

Porto Murtinho (MS) – A ponte erguida sobre o Rio Paraguai, peça central do Corredor Bioceânico entre Porto Murtinho, no Brasil, e Carmelo Peralta, no Paraguai, entrou na etapa decisiva de obras. Restam 69 metros para que as duas frentes de construção se encontrem, e a previsão é de que a junção física ocorra dentro de aproximadamente 60 dias, prazo que coloca a conclusão dessa fase no mês de maio.

O vão central, com 350 metros de extensão, registra avanço significativo e concentra grande parte dos trabalhos atuais. A estrutura total da ponte mede 1.294 metros e foi projetada com altura suficiente para assegurar a navegação no Rio Paraguai, empregando soluções de engenharia de grande porte e elevado grau de complexidade.

Nesta semana, o engenheiro responsável pelo empreendimento, Mario de Miranda, acompanhou uma comitiva internacional em visita ao canteiro. Técnicos observaram o funcionamento do trem de avanço, equipamento utilizado tanto na instalação dos cabos estaiados quanto na concretagem do tabuleiro. Segundo a equipe de engenharia, o cronograma permanece dentro dos prazos estabelecidos, sem indicativos de atrasos nos próximos passos.

Concluída a união das estruturas, a obra migrará para a fase de acabamento. Essa etapa inclui implantação de pistas de rolamento, calçadas, sistema de iluminação, pavimentação asfáltica e sinalização. A expectativa é finalizar esses serviços até agosto. No lado paraguaio, os acessos viários complementares devem ser entregues até novembro, permitindo a circulação de veículos assim que todos os segmentos estiverem liberados.

Com cerca de 21 metros de largura, a ponte se elevará aproximadamente 35 metros acima do nível do rio. O trecho estaiado, principal elemento de sustentação, terá 632 metros e será suportado por torres que alcançam 130 metros de altura. As dimensões foram definidas para atender tanto ao tráfego rodoviário pesado quanto às exigências de navegação fluvial e às condições climáticas da região.

O investimento direto na construção está estimado em 100 milhões de dólares, valor financiado pela Itaipu Binacional. Além da ponte em si, o lado brasileiro contempla a adequação de 13,1 quilômetros de rodovia até o entroncamento com a BR-267. Essa intervenção soma recursos de aproximadamente 574 milhões de reais e tem conclusão total prevista para 2028, prazo necessário para desapropriações, terraplenagem e obras de arte especiais ao longo do traçado.

Considerada peça estratégica do Corredor Bioceânico, a ponte integrará uma rota de 2.396 quilômetros que ligará os oceanos Atlântico e Pacífico, atravessando Brasil, Paraguai, Argentina e Chile. O corredor pretende oferecer alternativa logística às exportações do Centro-Oeste brasileiro e de regiões produtoras vizinhas, conectando-se a portos chilenos no Pacífico e a terminais no Atlântico.

Estudos logísticos apontam que, com o corredor completo, o tempo de trânsito de mercadorias até mercados asiáticos poderá cair em até 17 dias, benefício atribuído à redução de percurso marítimo quando se utiliza portos do Pacífico. A expectativa é que o volume adicional de comércio gerado pela nova rota movimente aproximadamente 1,5 bilhão de dólares por ano em exportações, abrangendo principalmente produtos agropecuários e minerais.

O governo brasileiro considera a obra fundamental para ampliar a competitividade do agronegócio e diversificar os corredores de escoamento. Autoridades paraguaias, por sua vez, destacam o potencial de desenvolvimento regional e de integração econômica proporcionado pela nova ligação rodoviária internacional.

Enquanto a junção das estruturas sobre o Rio Paraguai se aproxima, equipes de engenharia mantêm a execução simultânea de etapas complementares, como pré-moldagem de lajes, instalação de cabos e monitoramento geotécnico. Caso o ritmo atual seja mantido, a ponte poderá ser aberta ao tráfego ainda no segundo semestre de 2025, data condicionada à conclusão dos acessos do lado brasileiro. Até lá, o avanço dos próximos 69 metros permanece como principal marco a ser cumprido nos próximos dois meses.

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