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Simone Tebet deixa MDB após 30 anos, filia-se ao PSB e prepara candidatura ao Senado por São Paulo

Brasília – A ministra do Planejamento e Orçamento, Simone Tebet, oficializou a saída do Movimento Democrático Brasileiro (MDB) depois de quase três décadas de filiação e confirmou a entrada no Partido Socialista Brasileiro (PSB). A mudança partidária, tornada pública no sábado (21), integra a estratégia para disputar uma vaga no Senado por São Paulo nas eleições de 2026.

A filiação à nova legenda deve ser formalizada nos próximos dias, em data ainda não anunciada. Em nota, o PSB classificou a chegada da ministra como “estratégica” para o fortalecimento do projeto político nacional da sigla, ressaltando a experiência de Tebet em funções executivas e legislativas nos âmbitos municipal, estadual e federal.

Motivação para a troca

A decisão da ministra está ligada a divergências regionais entre MDB e PSB no maior colégio eleitoral do país. Em São Paulo, setores do MDB mantêm alinhamento com grupos que fazem oposição ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, condição considerada incompatível com o posicionamento político de Tebet no governo federal. Ao optar pela mudança de partido, a ministra busca viabilizar uma campanha alinhada ao Palácio do Planalto e a aliados locais.

Além da filiação, Tebet confirmou que transferirá o domicílio eleitoral de Mato Grosso do Sul, seu estado de origem, para São Paulo. A alteração, prevista na legislação, é requisito para concorrer ao Senado pelo novo Estado. A expectativa é que a ministra se insira no núcleo de articulação política ligado ao ex-ministro da Fazenda Fernando Haddad, cotado para disputar o governo paulista em 2026.

Trajetória política

Simone Tebet ingressou no MDB em 1997. Pelo partido, foi deputada estadual em Mato Grosso do Sul, prefeita de Três Lagoas por dois mandatos, vice-governadora, senadora e, em 2022, candidata à Presidência da República. No mesmo ano, aceitou o convite do presidente Lula para assumir o Ministério do Planejamento e Orçamento.

Nas redes sociais, a ministra agradeceu ao MDB pelo período de quase 30 anos e destacou a trajetória construída na legenda. Segundo ela, a migração para o PSB tem o objetivo de “contribuir para um projeto nacional de desenvolvimento”, agora em nova plataforma partidária.

Impactos no PSB e no tabuleiro eleitoral

Com a filiação de Tebet, o PSB amplia a presença na Esplanada dos Ministérios – já ocupa a pasta da Justiça, comandada por Flávio Dino – e reforça a base de sustentação do governo no Congresso Nacional. A legenda também incrementa a projeção em São Paulo, Estado que detém 25% do eleitorado brasileiro e onde a disputa ao Senado costuma atrair figuras de alcance nacional.

No pleito de 2026, apenas uma das três cadeiras paulistas estará em disputa. O movimento de Tebet, portanto, antecipa a montagem de alianças, define interlocutores regionais e pode influenciar a composição de chapas majoritárias. A ministra chega ao PSB com capital político acumulado na última eleição presidencial, quando obteve 4,9 milhões de votos, e com visibilidade à frente de um ministério responsável pela elaboração do Orçamento federal.

Por outro lado, a saída da ministra representa perda de capital eleitoral para o MDB, que historicamente tinha em Tebet uma de suas principais lideranças femininas. No Senado, o partido ainda mantém bancada expressiva, mas vê diminuir sua projeção em debates nacionais à medida que antigas figuras se deslocam para outras siglas.

Próximos passos

Após a oficialização da filiação, a ministra deve concentrar esforços na transferência do domicílio eleitoral e na construção de uma plataforma voltada ao eleitor paulista. Assessores próximos afirmam que a agenda pública de Tebet permanecerá focada nas atribuições do Ministério do Planejamento, sem alterações de rotina imediatas.

A eleição de 2026 ainda está distante, mas a movimentação antecipada sinaliza a consolidação de alianças governistas em São Paulo e antecipa o posicionamento das principais forças partidárias. Ao migrar para o PSB, Tebet se recoloca no centro das discussões nacionais e acrescenta um nome de peso ao leque de pré-candidaturas ao Senado no próximo ciclo eleitoral.

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