Search

Mercado eleva projeção de inflação para 2026 e prevê juros altos por período prolongado

O Boletim Focus divulgado pelo Banco Central nesta segunda-feira (23) registrou nova revisão para cima na expectativa de inflação e indicou manutenção de juros elevados por mais tempo. A pesquisa, que reúne estimativas de mais de uma centena de instituições financeiras, passou a projetar o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) em 4,17% para 2026, ante 4,10% na semana anterior. Trata-se da segunda alta consecutiva nas previsões, movimento atribuído por analistas às incertezas geradas pelas tensões no Oriente Médio.

Mesmo com o ajuste, a projeção permanece dentro do intervalo de tolerância da meta oficial de inflação, cujo centro é de 3% e admite variação de até 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo, resultando em limite superior de 4,5%. Para 2027, o Focus manteve a estimativa em 3,8%, enquanto as previsões apontam para 3,52% em 2028 e 3,5% em 2029.

Os dados oficiais mais recentes do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) indicam que a inflação acumulada em 12 meses desacelerou para 3,81% em fevereiro, ficando abaixo de 4% pela primeira vez desde maio de 2024. No entanto, o IPCA avançou 0,70% no mês, impulsionado principalmente pelos grupos transportes e educação.

Para conter as pressões inflacionárias, o Banco Central mantém a taxa básica de juros, a Selic, em 14,75% ao ano, nível mais alto desde julho de 2006. Na última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), o colegiado reduziu a taxa em 0,25 ponto percentual, corte menor do que parte do mercado previa antes da intensificação do conflito envolvendo o Irã. À época, predominava a expectativa de ajuste de 0,50 ponto percentual.

Após a decisão mais cautelosa, o Focus passou a indicar que a Selic deve encerrar 2026 em 12,5%, patamar superior ao estimado na semana anterior. Para os anos seguintes, as projeções ficaram em 10,5% em 2027, 10% em 2028 e 9,5% em 2029. A perspectiva de juros elevados por período prolongado tende a encarecer o crédito para consumidores e empresas, o que pode limitar o ritmo de recuperação da atividade econômica.

No campo do crescimento, as instituições consultadas ajustaram ligeiramente para cima a expectativa de Produto Interno Bruto (PIB) em 2026, de 1,83% para 1,84%. A projeção para 2027 permaneceu em 1,8%, enquanto a de 2028 e 2029 ficou em 2% para cada ano. Em 2025, segundo o IBGE, o PIB brasileiro havia crescido 2,3%, impulsionado sobretudo pelo desempenho do setor agropecuário.

Em relação ao câmbio, o mercado manteve a previsão de dólar a R$ 5,40 no fim de 2026 e aumentou levemente para R$ 5,45 a estimativa para o término de 2027. O movimento reflete cautela adicional dos agentes diante das incertezas externas e do cenário interno de juros mais altos.

A combinação de inflação um pouco mais persistente e política monetária restritiva sugere um ambiente de crédito caro ao longo de 2026. Embora juros elevados contribuam para conter a variação de preços, eles afetam negativamente consumo e investimento, resultando em projeções de crescimento apenas moderado nos próximos anos.

Isso vai fechar em 35 segundos