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Arauco recebe primeiras locomotivas para ferrovia própria e projeta corte de 94% nas emissões de CO₂

A Arauco deu um passo decisivo no Projeto Sucuriú ao receber as primeiras locomotivas que irão compor a ferrovia particular planejada para ligar a futura fábrica de celulose, em Inocência (MS), à Malha Norte. O trecho, classificado como a primeira shortline privada inaugurada após o novo marco regulatório do setor ferroviário, sustenta a estratégia logística da companhia e promete reduzir até 94% das emissões de dióxido de carbono associadas ao escoamento da produção.

Com extensão de 45 quilômetros, além de 9 quilômetros instalados dentro do complexo industrial, a infraestrutura conectará diretamente a unidade ao sistema ferroviário nacional, permitindo que a celulose produzida no interior de Mato Grosso do Sul chegue ao Porto de Santos sem depender de longos trechos rodoviários. De acordo com projeções internas, a mudança deve eliminar cerca de 190 viagens diárias de caminhões nas rodovias regionais, aliviando o tráfego e diminuindo o desgaste na malha viária.

A nova ferrovia, identificada como EF-A35, foi dimensionada para movimentar 3,5 milhões de toneladas de celulose por ano, volume equivalente à capacidade prevista da fábrica. O transporte será realizado por uma frota de 26 locomotivas e 721 vagões, capaz de formar composições de até 9,6 mil toneladas. A operação comercial está programada para começar simultaneamente ao início da produção industrial, estimado para o fim de 2027.

As locomotivas entregues pertencem à série Evolution e foram produzidas pela Wabtec em Contagem (MG). Os equipamentos contam com motores de alto rendimento que possibilitam economia de aproximadamente 6% no consumo de combustível em comparação com modelos anteriores. Além disso, podem operar com misturas de biocombustíveis, recurso que contribui para a meta de redução de emissões do empreendimento.

A fabricante incorporou às máquinas sistemas digitais de segurança e monitoramento. Entre os recursos instalados estão controle automático de velocidade, supervisão contínua da atenção do maquinista e frenagem autônoma em cenários de risco. As locomotivas também transmitem em tempo real parâmetros de operação, o que auxilia na manutenção preventiva e aumenta a disponibilidade da frota.

Para a Arauco, a adoção de um modal ferroviário próprio traz previsibilidade, diminui custos logísticos e reduz a exposição da produção a oscilações no transporte rodoviário. A companhia estima que a integração direta com a malha nacional permitirá maior eficiência operacional desde a saída da fábrica até o embarque no porto, beneficiando o fluxo de exportação e otimizando prazos de entrega.

O Projeto Sucuriú marca a entrada da empresa de origem chilena no mercado brasileiro de celulose. O investimento total, anunciado em US$ 4,6 bilhões, contempla a construção da planta industrial, da ferrovia e das demais estruturas de apoio. A fábrica ocupará área de 3.500 hectares, distante cerca de 50 quilômetros do centro urbano de Inocência, e terá capacidade instalada de 3,5 milhões de toneladas anuais.

Durante a fase de obras, a projeção é de criação de mais de 14 mil postos de trabalho. Após a conclusão, o empreendimento deve gerar aproximadamente 6 mil empregos diretos e indiretos. A expectativa da companhia é que a iniciativa estimule a economia regional por meio do aumento de renda, da ampliação da arrecadação tributária e da atração de novos investimentos correlatos.

No campo ambiental, a substituição de centenas de caminhões por trens é apontada como o principal vetor para a redução de emissões. As composições ferroviárias, mais eficientes em termos de consumo energético por tonelada transportada, contribuem tanto para o cumprimento de metas corporativas de sustentabilidade quanto para a mitigação de impactos locais, como ruídos, congestionamentos e acidentes rodoviários.

Com a chegada das locomotivas e o avanço das obras civis, a Arauco consolida o cronograma que prevê a conclusão da ferrovia e o start-up da unidade industrial até o último trimestre de 2027. Até lá, seguirão as etapas de montagem dos trilhos, instalação de sistemas de sinalização, testes operacionais e capacitação de equipes, etapas consideradas essenciais para garantir segurança, regularidade e eficiência à nova logística de celulose no país.

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