Agentes do Departamento de Investigações Regional de Amambay, vinculado à Direção Geral de Investigação Criminal do Paraguai, prenderam na tarde de terça-feira, 24 de outubro, o brasileiro Wendersen Carvalho Duarte, de 40 anos, na Linha Internacional que separa Pedro Juan Caballero de Ponta Porã, no Mato Grosso do Sul. O detido possuía mandado de prisão em aberto no Brasil por estupro de vulnerável e abuso sexual.
A captura ocorreu no centro da cidade paraguaia após um trabalho de inteligência que envolveu troca de informações entre autoridades dos dois países. Segundo os investigadores de Amambay, o nome de Duarte aparecia em sistemas de segurança brasileiros como foragido desde que fora condenado a 23 anos e 4 meses de reclusão pela Vara Especializada em Crimes contra Crianças e Adolescentes de Campo Grande.
Durante a operação, agentes paraguaios monitoraram áreas de grande circulação na fronteira para localizar o suspeito. A Linha Internacional é caracterizada por intenso fluxo de pessoas e veículos, o que costuma facilitar a movimentação de indivíduos que buscam escapar de ordens judiciais. Ainda assim, o rastreamento identificou a presença de Duarte em um ponto comercial do centro urbano de Pedro Juan Caballero.
Com a abordagem, os policiais verificaram a identidade do homem e, em seguida, confirmaram por meio de cooperação com órgãos brasileiros que havia contra ele um mandado de prisão definitivo, já decorrente de sentença condenatória. Os crimes atribuídos a Duarte envolvem estupro de vulnerável e outros atos de abuso sexual cometidos em território brasileiro, conforme consta nos registros judiciais de Mato Grosso do Sul.
Após a confirmação, Duarte foi conduzido à sede regional do Departamento de Investigações para procedimentos de praxe. As autoridades paraguaias comunicaram o Ministério Público local e iniciaram os trâmites necessários para que o condenado seja entregue ao Brasil. O processo poderá ocorrer por meio de extradição formal ou transferência direta, conforme os acordos bilaterais vigentes entre os dois países.
Fontes policiais ouvidas indicam que, enquanto aguarda a definição do procedimento jurídico, o brasileiro permanecerá detido em estabelecimento prisional de segurança local. A legislação paraguaia prevê a custódia provisória de estrangeiros capturados em seu território até a conclusão dos pedidos de extradição apresentados pelo Estado solicitante.
A prisão de foragidos condenados por crimes sexuais na região de fronteira tem sido frequente nos últimos anos. Pedro Juan Caballero e Ponta Porã formam praticamente uma mesma conurbação, sem barreiras físicas significativas, o que facilita a travessia de pessoas buscadas pela Justiça. Para combater essa prática, polícias de ambos os países mantêm operações conjuntas e trocam informações sobre suspeitos considerados de alta periculosidade.
No caso específico de Wendersen Carvalho Duarte, a condenação foi proferida em Campo Grande por uma vara especializada em delitos cometidos contra crianças e adolescentes. A pena de 23 anos e 4 meses foi fixada em regime fechado, e a ordem de captura estava registrada nos bancos de dados nacionais desde a publicação da sentença. A permanência do condenado no Paraguai não alterava a validade do mandado, o que permitiu a atuação imediata após sua localização.
Autoridades paraguaias ressaltam que a cooperação internacional é fundamental para impedir que criminosos utilizem a fronteira como rota de fuga. O Departamento de Investigações Regional de Amambay mantém canal direto com polícias civis e federais brasileiras, permitindo consultas rápidas a mandados de prisão e confirmação de antecedentes criminais.
Do lado brasileiro, policiais civis de Mato Grosso do Sul foram informados sobre a detenção e já atuam para viabilizar a repatriação do condenado. A expectativa é de que, após concluída a tramitação, Duarte seja encaminhado a unidade prisional sul-mato-grossense para iniciar o cumprimento efetivo da pena a que foi sentenciado.
A prisão do brasileiro na Linha Internacional reforça a efetividade das ações conjuntas em áreas de fronteira e demonstra a integração entre os sistemas de segurança do Brasil e do Paraguai, sobretudo em casos envolvendo crimes contra a dignidade sexual de crianças e adolescentes.








