Uma iniciativa desenvolvida na periferia de Campo Grande está permitindo que profissionais de costura encontrem novos clientes e aumentem a renda por meio de uma plataforma digital. A República das Arteiras, que surgiu como um coletivo de costureiras, tornou-se um ambiente virtual onde serviços de ajuste, confecção e reparo são oferecidos diretamente, sem participação de intermediários.
A ferramenta funciona como vitrine on-line. Cada costureira cadastra o tipo de trabalho que realiza, informa a localização e disponibiliza canais de contato. Pessoas interessadas em contratar o serviço pesquisam por especialidade ou proximidade, negociam valores e prazos com a profissional escolhida e concluem o acordo de forma independente. O modelo rompe com a dependência de indicações informais, tradicional no setor, e amplia a visibilidade das trabalhadoras.
Origem e transformação durante a pandemia
A fundadora da República das Arteiras, Ivani Marques da Costa Grance, enfrentou uma queda brusca na demanda durante o período mais crítico da pandemia de covid-19. Sem encomendas e com redução da renda, buscou alternativas para manter a atividade. O apoio financeiro e técnico do Programa Centelha foi decisivo para estruturar o projeto como negócio digital, permitindo a permanência no mercado e a posterior expansão.
Com o impulso recebido, a plataforma foi formalizada e passou a atender costureiras de diferentes partes de Mato Grosso do Sul e de outros estados. Dados da organização indicam que mais de 170 profissionais já utilizam o serviço. Além dos contatos comerciais, a rede incentiva troca de conhecimentos, repasse de encomendas e indicação de cursos de qualificação, fatores que reduzem o isolamento comum na profissão e estimulam o desenvolvimento técnico.
Impacto na percepção sobre o ofício
Ao reunir costureiras em um ambiente digital estruturado, a República das Arteiras contribui para tornar o trabalho mais visível. A exposição direta aos consumidores finais fortalece a autonomia das profissionais e demonstra a viabilidade econômica da costura como atividade empreendedora. O fluxo contínuo de pedidos, segundo as participantes, amplia a geração de renda familiar e incentiva a formalização de ateliês caseiros.
Programa Centelha abre nova edição em Mato Grosso do Sul
O caso da plataforma exemplifica a proposta do Programa Centelha, criado para apoiar ideias inovadoras ainda em fase de concepção. A terceira edição no estado será lançada em 27 de março, com previsão de selecionar até 47 projetos. Os contemplados poderão receber recursos financeiros para investimento inicial e bolsas de apoio destinadas aos empreendedores.
O edital prevê a participação de pessoas físicas com propostas originais ou de empresas constituídas há até um ano. As inscrições ficam abertas até 11 de maio, exclusivamente pelo sistema eletrônico da Fundação de Apoio ao Desenvolvimento do Ensino, Ciência e Tecnologia de Mato Grosso do Sul (Fundect), responsável pela execução local do programa.
Os valores totais destinados à rodada somam milhões de reais, conforme informações da organização. O objetivo é transformar ideias em produtos ou serviços capazes de gerar impacto econômico e social, a exemplo da plataforma que conecta costureiras a clientes em vários pontos do país.
Funcionamento do processo seletivo
O Centelha adota avaliação em etapas. No primeiro momento, os candidatos apresentam resumo da proposta, mercado-alvo e diferenciais. Projetos classificados passam por aprofundamento técnico, planejamento financeiro e verificação de potencial de mercado. Ao final, a banca avaliadora define os selecionados que receberão o aporte.
Os recursos liberados podem ser aplicados em compra de equipamentos, adequação de espaço físico, contratação de serviços de desenvolvimento tecnológico e registro de propriedade intelectual. As bolsas de apoio contemplam despesas pessoais dos empreendedores, possibilitando dedicação integral ao negócio durante o período de execução.
Resultados esperados
De acordo com a gestão do programa, a meta é consolidar empresas de base inovadora, gerar empregos e diversificar a economia local. No caso específico da República das Arteiras, o financiamento inicial proporcionou estrutura operacional para que um coletivo informal se tornasse plataforma digital com alcance nacional. A trajetória demonstra o potencial de pequenas iniciativas surgidas em bairros periféricos para criar soluções escaláveis quando recebem orientação adequada e capital semente.
Com a abertura do novo edital, empreendedores de Mato Grosso do Sul terão oportunidade de submeter projetos em áreas variadas, incluindo economia criativa, tecnologia da informação, saúde, agronegócio e sustentabilidade. O resultado da seleção está previsto para o segundo semestre, seguido pela liberação dos recursos e início das etapas de acompanhamento técnico.
Enquanto novas propostas são avaliadas, a República das Arteiras continua a cadastrar costureiras interessadas em ampliar a carteira de clientes. A expectativa da fundadora é alcançar novos mercados e aumentar o número de profissionais beneficiadas, mantendo a lógica de conexão direta e estímulo à colaboração que originou o projeto em Campo Grande.








