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Lula enfrenta desaprovação de 53% e ficaria atrás de Flávio Bolsonaro em eventual segundo turno, aponta AtlasIntel

Uma sondagem realizada pela AtlasIntel em parceria com a Bloomberg revela que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva registra, em março de 2026, o momento mais desfavorável de seu terceiro mandato. De acordo com o levantamento, 53,5% dos entrevistados desaprovam a forma como o chefe do Executivo conduz o país, enquanto 45,9% aprovam sua atuação. Trata-se do nível mais alto de reprovação aferido pelo instituto desde a posse do petista em janeiro de 2023.

O estudo indica ainda que 49,8% da população classifica a gestão federal como “ruim” ou “péssima”. Esse percentual consolida a percepção negativa captada ao longo dos últimos meses e reforça o quadro de desgaste do governo. No sentido contrário, apenas 18,7% consideram a administração “boa” ou “ótima”, enquanto 31,5% a veem como “regular”.

A série histórica disponibilizada pela AtlasIntel mostra que a desaprovação a Lula ultrapassou a marca de 50% pela primeira vez em janeiro de 2025. Desde então, o indicador permaneceu acima desse patamar em praticamente todas as medições, exceto nas consultas de setembro e outubro de 2025, quando recuou momentaneamente. O índice atual de 53,5% é um dos mais altos já anotados pelo instituto nesse ciclo presidencial, sinalizando dificuldades adicionais para o Palácio do Planalto a menos de sete meses do início oficial da campanha eleitoral.

O desgaste do governo se reflete, também, nas simulações de segundo turno para a eleição de 2026. No cenário em que Lula enfrentaria o senador Flávio Bolsonaro (PL), o estudo aponta vantagem do parlamentar: 47,6% contra 46,6% do presidente, dentro da margem de erro, mas indicando provável derrota do petista. Segundo o instituto, o resultado demonstra um quadro de equilíbrio, porém com ligeira superioridade do potencial adversário.

Além de Flávio Bolsonaro, a pesquisa testou outros nomes ligados à direita. Lula seria superado igualmente pelo ex-presidente Jair Bolsonaro e por Michelle Bolsonaro, ambos filiados ao PL, e pelo governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos). Por outro lado, venceria os demais governadores de orientação conservadora incluídos na sondagem, o que sugere que a disputa de 2026 pode se concentrar em figuras com alta visibilidade nacional ou associação direta ao bolsonarismo.

Os dados foram coletados entre 18 e 23 de março de 2026. A amostra compreendeu 5.028 entrevistas realizadas pelo método Atlas Random Digital Recruitment (RDR), que recruta respondentes de forma aleatória em ambiente virtual e aplica checagens de veracidade dos perfis. A margem de erro é de 1 ponto percentual para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%, padrão estatístico que indica a probabilidade de os resultados refletirem a opinião do eleitorado brasileiro no período estudado.

A proximidade do calendário eleitoral acentua o impacto político desses números. Embora faltem cerca de seis meses para o fim do prazo de registro de candidaturas, o levantamento sinaliza que o eleitorado manifesta crescente insatisfação com a administração federal e disposição para considerar alternativas. Em eleições anteriores, variações significativas de opinião ocorreram nos meses que antecedem a campanha oficial, mas a manutenção da desaprovação acima de 50% coloca o presidente em posição de desvantagem frente a concorrentes que contam com base de apoio consolidada.

Especialistas em comportamento eleitoral costumam destacar que índices de reprovação superiores a 50% criam barreiras consideráveis para a reeleição ou para a eleição de candidatos apoiados pelo governo. Embora a pesquisa não aborde diretamente alianças partidárias ou a formação das chapas, o cenário testado indica que nomes ligados ao bolsonarismo continuam a exercer forte atração sobre uma parcela do eleitorado, mesmo depois de quatro anos de afastamento de Jair Bolsonaro do Planalto.

É importante notar que a AtlasIntel avalia séries mensais de opinião pública, o que permite acompanhar tendências com maior detalhamento. Se, nos próximos levantamentos, a curva de desaprovação se mantiver em alta ou voltar a crescer, a campanha de Lula poderá enfrentar desafios adicionais para inverter a percepção negativa. Por outro lado, indicadores econômicos, políticas públicas ou eventos inesperados podem alterar o humor do eleitorado, como já ocorreu em ciclos anteriores. Até lá, os números divulgados nesta quarta-feira funcionam como termômetro da atual conjuntura e reforçam o alerta no núcleo político do governo.

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