Peixes mortos voltaram a ser registrados no lago do Parque das Nações Indígenas, em Campo Grande, na manhã de quarta-feira (25). O episódio, que ocorre em um dos principais espaços de lazer e turismo da capital sul-mato-grossense, reforça a preocupação de ambientalistas, frequentadores e autoridades sobre a qualidade da água no local.
A ocorrência foi confirmada durante vistoria do Instituto de Meio Ambiente de Mato Grosso do Sul (Imasul) em um trecho do Córrego Prosa, curso d’água que abastece o lago. Técnicos identificaram diversos exemplares de peixes já sem vida, espalhados entre resíduos sólidos sobre a lâmina d’água. Nos dias anteriores, a região havia registrado chuvas intensas, fator que, segundo o órgão, alterou a dinâmica hídrica e dificultou a coleta imediata de amostras que poderiam esclarecer as causas da mortalidade.
Casos semelhantes ocorreram em períodos recentes e levantaram hipóteses de stress ambiental, especialmente ligados à redução dos níveis de oxigênio dissolvido, descarte irregular de efluentes ou possíveis contaminações químicas. No entanto, até o momento não há confirmação sobre qual fator precipitou o evento mais recente. O biólogo José Sabino explica que, sem análises laboratoriais específicas, qualquer atribuição de causa permanece no campo da especulação. “Somente a avaliação de parâmetros físicos, químicos e biológicos da água, somada ao exame dos próprios peixes, permite apontar um motivo concreto”, afirma.
Em nota divulgada à imprensa, o Imasul informou que a vistoria de quarta-feira marcou o início de uma nova etapa de monitoramento. A estratégia inclui visitas técnicas diárias ao lago e aos trechos do Córrego Prosa que atravessam áreas urbanas adjacentes. Caso novos peixes mortos sejam localizados, serão coletadas, de imediato, amostras de água para medição de oxigenação, pH, turbidez, presença de matéria orgânica e outros indicadores de qualidade hídrica. Também está prevista a coleta de exemplares para exames que possam apontar contaminações por metais pesados, agrotóxicos ou patógenos.
Além do trabalho analítico, equipes de fiscalização ambiental percorrem o curso do córrego à procura de pontos de lançamento irregular de esgoto doméstico, resíduos industriais ou qualquer outra anomalia que possa afetar o ecossistema. O órgão destaca que instalações próximas, como empreendimentos comerciais ou residenciais, podem apresentar ligações clandestinas, e que autuações serão aplicadas se forem constatadas infrações à legislação.
Localizado em área central de Campo Grande, o Parque das Nações Indígenas recebe diariamente praticantes de esportes, turistas e famílias. O lago, concebido como elemento paisagístico e de recreação, também funciona como reservatório para contenção de cheias. Entretanto, a pressão urbana crescente sobre a bacia do Córrego Prosa tem gerado debates sobre sedimentos carreados pela chuva, acúmulo de lixo flutuante e flutuações bruscas na qualidade da água, fatores que podem agravar eventos de mortandade de fauna aquática.
No caso específico desta semana, técnicos relatam que a chuva forte ocorrida nas horas que antecederam a ocorrência pode ter elevado a carga orgânica no lago. O aumento repentino de material orgânico facilita a proliferação de bactérias decompositoras, processo que consome grande parte do oxigênio dissolvido na água. Peixes mais sensíveis, como tilápias e lambaris, tendem a ser os primeiros a apresentar mortalidade quando a concentração de oxigênio cai abaixo de níveis aceitáveis.
Apesar das especulações, o Imasul reforça que nenhuma conclusão técnica foi estabelecida. O instituto argumenta que apenas resultados laboratoriais poderão validar ou descartar hipóteses atualmente discutidas. Enquanto aguarda laudos, o órgão mantém dois focos de ação: intensificar a fiscalização para prevenir novos lançamentos de poluentes e acompanhar, em tempo real, indicadores básicos de qualidade da água, a exemplo de temperatura, condutividade elétrica e saturação de oxigênio.
A situação mobiliza ainda o poder público municipal, responsável pela manutenção do parque. A administração local apoia a coleta de resíduos visíveis na superfície e reforça orientações aos visitantes para que evitem descartar lixo fora dos recipientes apropriados. Paralelamente, discute-se a necessidade de ampliar programas de educação ambiental que ajudem a reduzir as pressões sobre o lago.
Até que as investigações sejam concluídas, especialistas recomendam prudência no uso recreativo direto da água e sugerem que a população colabore reportando qualquer nova anormalidade observada no lago ou nas margens do Córrego Prosa. O Imasul se comprometeu a divulgar atualizações assim que dispuser de dados conclusivos sobre a causa da mortandade.








