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Polícia Científica testa perícia ambiental com apoio aéreo em exercício internacional no Pantanal

Um treinamento internacional realizado em Campo Grande, capital de Mato Grosso do Sul, colocou à prova, pela primeira vez no Brasil, a capacidade de resposta de diferentes forças a desastres naturais. O Exercício Cooperación XI, promovido por organismos de cooperação militar e de defesa civil, concentrou-se no desenvolvimento de ações conjuntas para atendimento a emergências em áreas remotas. Dentro desse contexto, a Polícia Científica sul-mato-grossense conduziu uma operação simulada de perícia ambiental no Pantanal, região marcada pela dificuldade de acesso terrestre.

A atividade mobilizou 10 peritos criminais lotados em Campo Grande e em núcleos regionais do interior. As equipes partiram da Base Aérea de Campo Grande em aeronaves designadas para o deslocamento rápido até pontos previamente selecionados no bioma pantaneiro. O objetivo principal foi verificar, em cenário controlado, se os protocolos de coleta e análise de vestígios ambientais podem ser executados com eficiência quando o trajeto por terra é inviável ou leva tempo excessivo.

No solo, os especialistas adotaram o procedimento padrão de identificação de vestígios, incluindo marcas de intervenção humana, alterações na vegetação e indícios de contaminação hídrica ou do solo. Cada evidência foi fotografada com registro georreferenciado, etapa considerada crucial para a elaboração posterior dos laudos técnicos. Esses documentos, elaborados em ambiente de laboratório, servem de base para decisões judiciais ou administrativas relativas a crimes ambientais e a danos ocasionados por fenômenos naturais.

Uso de apoio aéreo e novas ferramentas

Para o perito criminal Yuri Hokama, coordenador da operação, o suporte aéreo ampliou significativamente o raio de ação dos profissionais. Segundo o responsável, a possibilidade de pouso próximo aos locais de interesse reduziu o tempo de resposta e permitiu distribuir as equipes de forma mais precisa sobre a área afetada. A avaliação integra o conjunto de métricas que o Exercício Cooperación XI pretende aferir a respeito da interoperabilidade entre diferentes órgãos e países participantes.

Além das aeronaves tripuladas, a simulação contemplou o emprego de um VANT (veículo aéreo não tripulado). O equipamento foi testado como ferramenta complementar de mapeamento, gerando imagens de alta resolução que auxiliam na delimitação das regiões examinadas. De acordo com os organizadores, a incorporação de drones em operações forenses ambientais tende a reduzir custos logísticos e a oferecer ângulos de observação impossíveis de serem obtidos em sobrevoos convencionais.

Padronização dos laudos periciais

Outro ponto trabalhado durante o exercício foi a padronização do formato e do conteúdo dos laudos ambientais. A proposta é tornar os documentos mais claros, eliminar redundâncias e estabelecer parâmetros únicos de apresentação de resultados. A iniciativa busca facilitar a leitura por parte de promotores, juízes, agências ambientais e gestores de defesa civil que dependem dessas informações para embasar decisões urgentes, sobretudo em situações de desastres naturais de larga escala.

Para efetivar essa padronização, os peritos passaram por módulos de capacitação focados em terminologia técnica, estrutura lógica de relatório e critérios de priorização de dados. A expectativa é que o modelo unificado seja adotado em todas as regionais da Polícia Científica do Estado, promovendo maior uniformidade e segurança jurídica às futuras investigações.

Georreferenciamento e validação em tempo real

Durante toda a semana de atividades, os profissionais ainda foram treinados no uso de softwares de georreferenciamento. Essas plataformas possibilitam marcar, em coordenadas exatas, os pontos onde foram coletados vestígios ou onde se observam alterações no ambiente. A ferramenta também serve para sobrepor camadas de informação — como tipos de solo, cursos d’água e áreas protegidas —, gerando mapas que agilizam o entendimento da extensão e da gravidade do dano.

Com o sistema, é possível validar em tempo real as posições registradas no campo, reduzindo falhas de localização e otimizando o planejamento de rotas de inspeção subsequentes. Para regiões vastas e de difícil acesso, como o Pantanal, esse recurso representa economia de horas de voo e de homens em operação.

Integração internacional e próximos passos

O Exercício Cooperación XI reuniu delegações de vários países da América do Sul e observadores de organismos internacionais voltados à gestão de crises. Embora o foco principal seja treinar a articulação entre forças militares, de segurança pública e de defesa civil, a participação da Polícia Científica de Mato Grosso do Sul reforçou a relevância da perícia ambiental como elo essencial na cadeia de resposta a desastres.

Concluídas as simulações, os relatórios gerados serão analisados por comissões técnicas que avaliarão tempo de resposta, precisão dos laudos e eficiência logística. As conclusões deverão orientar futuras missões reais, definir investimentos em equipamentos — como novos drones e softwares especializados — e ajustar protocolos interinstitucionais.

Ao final do exercício, os organizadores destacaram que a experiência no Pantanal serviu como modelo para outros biomas brasileiros com características semelhantes de isolamento, caso de partes da Amazônia e do Cerrado. As lições extraídas, segundo eles, fortalecem a capacidade nacional de enfrentar emergências ambientais de forma integrada e sustentada em evidências periciais robustas.

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