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Rotina e apoio: os principais desafios das mães de crianças com autismo grau 3

Três Lagoas – O pediatra integrativo José Augusto Morila Guerra destaca que o diagnóstico de autismo grau 3, classificado como o nível mais severo do Transtorno do Espectro Autista (TEA), impõe exigências intensas a crianças e famílias. Segundo o médico, a necessidade de suporte substancial em comunicação, interação social e tarefas cotidianas concentra sobre as mães a maior parte da responsabilidade prática e emocional.

Características do grau 3 de autismo

No grau 3, a criança apresenta habilidades verbais muito limitadas ou ausentes, forte resistência a mudanças de rotina e dependência quase total para executar ações básicas. Esses fatores, aponta o especialista, obrigam o cuidador a permanecer em alerta constante, desde as primeiras horas da manhã até o fim do dia, muitas vezes sem intervalos de descanso.

Principais desafios diários

Limitação na comunicação – A dificuldade de expressar desejos e necessidades pode provocar frustração na criança e gerar tensão no ambiente familiar. A ausência de resposta clara obriga a mãe a interpretar sinais sutis a todo momento.

Comportamentos repetitivos e crises – Movimentos estereotipados, rigidez com rotinas e reações intensas a alterações inesperadas exigem planejamento minucioso. Situações simples, como trocar o trajeto até a escola, podem desencadear episódios de agitação prolongada.

Supervisão permanente – Perigo doméstico, fuga repentina ou dificuldade para identificar riscos externos fazem com que a vigilância seja ininterrupta. Como consequência, muitas mães reduzem ou abandonam compromissos profissionais, eventos sociais e atividades de lazer.

Impacto na vida pessoal

Relatos coletados pelo pediatra indicam que parte dessas mulheres deixa seus empregos para dedicar-se integralmente ao cuidado dos filhos. O isolamento social é frequente, pois a adaptação a espaços públicos ou reuniões familiares pode gerar sobrecarga sensorial na criança, limitando saídas e encontros.

Fontes de fortalecimento

Apesar da rotina exaustiva, o avanço gradual do filho impulsiona as mães a prosseguir. Entre os fatores que mais contribuem para a manutenção do equilíbrio emocional, o médico cita:

Redes de apoio – Grupos presenciais ou virtuais oferecem espaço para troca de experiências, informações sobre serviços e acolhimento psicológico.

Conquistas cotidianas – Aprender a alimentar-se sozinho, emitir novas palavras ou tolerar pequenos ajustes na rotina são considerados marcos relevantes e reforçam a motivação familiar.

Terapias especializadas – Intervenções estruturadas, como Análise do Comportamento Aplicada (ABA), terapia ocupacional, fonoaudiologia e atividades integrativas (arte, música e meditação) favorecem o desenvolvimento infantil e aliviam parte da carga sobre o cuidador.

Recomendações do pediatra

Guerra ressalta que o plano de cuidado deve englobar a saúde física, mental e nutricional da mãe. Entre as estratégias sugeridas estão:

Terapias complementares – Práticas corpo-mente, como meditação guiada e yoga, auxiliam no controle do estresse e na melhoria da qualidade do sono.

Suporte nutricional – Alimentação funcional equilibrada contribui para manter níveis adequados de energia e pode facilitar a organização das refeições da criança.

Programas comunitários – Participação em iniciativas locais ou nacionais voltadas a familiares de pessoas com deficiência aumenta o acesso a orientações profissionais, atendimentos especializados e benefícios assistenciais.

Necessidade de políticas públicas

O médico observa que a presença de serviços multidisciplinares próximos às residências e o treinamento de equipes escolares para lidar com necessidades específicas do TEA são fatores que reduzem custos, deslocamentos e desgaste emocional. A implementação de políticas inclusivas, complementa, facilita a integração da criança na sociedade e libera parte do tempo das mães para atividades pessoais ou profissionais.

Convivência transformadora

Ao analisar depoimentos de famílias, Guerra afirma que o contato diário com as demandas do grau 3 desenvolve nas mães paciência ampliada, percepção apurada de detalhes e capacidade de resolução rápida de problemas. Embora esses ganhos não eliminem o cansaço, funcionam como instrumentos práticos para navegar pelas dificuldades contínuas.

Orientação final

Profissionais de saúde, educadores e gestores públicos são apontados como peças centrais para reduzir o isolamento das famílias. A divulgação de informações, a oferta de atendimento integrado e o incentivo à criação de grupos de suporte figuram entre as iniciativas de maior impacto.

Para Guerra, reconhecer a sobrecarga dessas mães e garantir recursos adequados não representa apenas um ato de empatia, mas um passo fundamental para o desenvolvimento pleno da criança com autismo grau 3.

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