O edifício que abrigou, por décadas, as atividades do Serviço Social da Indústria (Sesi) em Três Lagoas, no leste de Mato Grosso do Sul, está desativado desde 2016 e pode ganhar novo uso social. A Federação das Indústrias do Estado de Mato Grosso do Sul (Fiems) estuda a cessão do imóvel à Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais (APAE) do município. A transferência, se confirmada, permitirá a instalação de uma estrutura mais adequada para estudantes da educação especial, além de liberar vagas na rede municipal de ensino.
Localizado na avenida Eloy Chaves, em terreno de 10 mil metros quadrados, o prédio foi erguido há cerca de 70 anos. Ao longo desse período, funcionou como centro de formação profissional, escola de educação básica, posto de atendimento médico-odontológico e espaço para eventos esportivos e culturais. O complexo conta com diversas salas de aula, auditório, setores administrativos, consultórios, ginásio coberto e piscina semiolímpica. As atividades foram transferidas para um novo prédio construído pela Fiems em área que anteriormente pertencera à Estrada de Ferro Noroeste do Brasil, deixando a antiga sede sem uso efetivo.
A proposta em discussão prevê a formalização da doação ou cessão gratuita do imóvel à APAE de Três Lagoas. Antes da mudança, serão necessárias obras de reforma, adaptação de acessibilidade e adequação das instalações elétricas, hidráulicas e de segurança, uma vez que o prédio está fechado há quase uma década. A entidade especializa-se no atendimento a pessoas com deficiência intelectual e múltipla, oferecendo serviços de educação, saúde e inclusão social. A expectativa é que o espaço amplie a capacidade de atendimento e proporcione ambientes pedagógicos mais amplos e modernizados.
Atualmente, a APAE funciona em prédio construído no início da década de 1960 para abrigar a antiga cadeia pública e a delegacia de polícia da cidade. Apesar de reformas pontuais, a estrutura original apresenta limitações de espaço e acessibilidade, além de não comportar a demanda crescente por vagas na educação especial. Com a eventual mudança para a antiga sede do Sesi, a entidade pretende oferecer salas de aula adaptadas, áreas de fisioterapia, espaços de lazer e um ginásio adequado às atividades de estimulação motora.
A possível cessão do imóvel reforça a presença do Sistema S em Três Lagoas, onde outras instituições já mantêm ampla atuação. O Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai) opera em prédio cedido pela prefeitura na rua José Hamilcar Congro Bastos, oferecendo cursos técnicos direcionados principalmente às indústrias de celulose instaladas na região. O Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial (Senac) mantém unidades voltadas à formação profissional no comércio, serviços e turismo, além de construir novo prédio para expandir a oferta de cursos.
O antigo complexo do Sesi marcou época na cidade ao sediar campeonatos esportivos, festivais culturais e programas de qualificação de mão de obra. Durante anos, a quadra coberta recebeu torneios que atraíam grande público, enquanto as salas de aula funcionaram como referência para a educação básica do então chamado 1º grau. A inexistência de uso contínuo desde 2016 levou ao desgaste natural da edificação, mas a base estrutural permanece preservada, segundo avaliações preliminares.
Se confirmada, a mudança trará impacto direto na rede municipal de ensino. Ao ocupar o novo espaço, a APAE abrirá oportunidade para que o poder público reorganize a utilização do prédio que hoje abriga a associação. A secretaria municipal de Educação estuda destinar a área liberada a novas turmas da educação regular ou a projetos complementares, contribuindo para a ampliação de vagas em Três Lagoas.
A Fiems ainda não definiu cronograma para a conclusão do processo de cessão. A entidade industrial aguarda levantamentos técnicos de custo e escopo de reformas. A APAE, por sua vez, trabalha em um plano de captação de recursos que envolve parcerias com empresas locais, campanhas comunitárias e a possibilidade de investimentos públicos, para viabilizar as adequações necessárias assim que o imóvel for oficialmente transferido.
Enquanto as tratativas avançam, representantes da federação industrial, da associação e do poder público municipal mantêm diálogo para garantir que o projeto atenda às normas de acessibilidade, segurança e funcionalidade. A expectativa é que a reocupação do prédio histórico do Sesi consolide mais uma iniciativa social ligada ao Sistema S em Três Lagoas, fortalecendo os serviços de educação especial e otimizando o patrimônio já existente na cidade.







