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Disputa por vaga na Assembleia, recuo de prefeito e debate sobre banheiros movimentam cenário político em MS

O panorama político de Mato Grosso do Sul ganhou novos elementos nesta semana com movimentações que envolvem desistências de candidatura, possíveis nomes para a Assembleia Legislativa, propostas controversas na Câmara de Campo Grande e articulações para a eleição estadual de 2026.

Prefeito de Ivinhema desiste de renunciar

O prefeito de Ivinhema, Juliano Ferro (PL), reconsiderou a intenção de deixar o cargo para concorrer nas eleições de outubro. Apelidado por ele próprio de “mais louco do Brasil”, o gestor chegou a cogitar diferentes possibilidades de disputa, incluindo a composição como vice em eventual chapa encabeçada pelo deputado estadual João Henrique Catan. Em comunicado publicado nas redes sociais, Ferro afirmou que permanecerá à frente da administração municipal “pensando no bem-estar da população” e descartou qualquer ambição eleitoral neste momento. O recuo encerra, por ora, especulações sobre seu futuro político e mantém inalterada a estrutura de governo em Ivinhema.

Três Lagoas busca representação na Assembleia

Enquanto isso, em Três Lagoas, começam a se definir os primeiros contornos da disputa por uma cadeira na Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul (ALMS). Sem representantes no Legislativo estadual desde a legislatura anterior, o município observa a movimentação de ao menos três pré-candidaturas locais:

Angelo Guerreiro, ex-prefeito da cidade, avalia retorno à vida pública após concluir o segundo mandato no Executivo municipal.
Fabricio Venturoli, auditor fiscal, surge como opção ligada ao funcionalismo e a pautas tributárias.
Fernando Jurado, vereador em exercício, pretende transferir a articulação construída no parlamento municipal para o âmbito estadual.

Os partidos ainda não oficializaram coligações ou formatação de chapas, mas interlocutores apontam que a falta de representação regional na ALMS pode impulsionar nomes de Três Lagoas, tradicional polo industrial e logístico no leste sul-mato-grossense.

Câmara de Campo Grande aprova restrição a banheiros femininos

Em sessão marcada por debates intensos, a Câmara Municipal de Campo Grande aprovou, por margem reduzida, projeto de lei que limita o uso de banheiros femininos a mulheres biológicas. A proposta é de autoria do vereador André Salineiro (PL) e foi votada sob forte manifestação de grupos contrários e favoráveis nas galerias.

Durante a apreciação do texto, o presidente da Casa, Epaminondas Neto (PSDB), elevou o tom em diferentes momentos para conter interrupções e cobrar respeito ao regimento interno. O projeto é defendido pelos proponentes como mecanismo de “proteção à intimidade das mulheres”, enquanto opositores argumentam que a medida é discriminatória. A matéria seguirá agora para sanção ou veto do Executivo municipal.

Fábio Trad prepara saída da Embratur para disputar governo em 2026

No plano estadual, o ex-deputado federal Fábio Trad formalizou em Brasília os trâmites para sua desincompatibilização do cargo de gerente de Controle e Integridade da Embratur. A exoneração deve ser publicada no Diário Oficial da União no próximo dia 31, atendendo ao prazo legal exigido para quem pretende disputar cargos eletivos nas futuras eleições.

Trad, que ocupa a função desde 2023, conduziu auditorias internas e reforçou mecanismos de controle na autarquia responsável pela promoção do turismo internacional. Com aval do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e apoio do Partido dos Trabalhadores, ele se posiciona como pré-candidato ao governo de Mato Grosso do Sul em 2026. A partir da saída da Embratur, o ex-parlamentar passará a dedicar-se integralmente a agendas partidárias, com visitas programadas tanto na capital quanto no interior do estado para intensificar alianças e consolidar palanques regionais.

Perspectivas e próximos passos

As quatro movimentações — o recuo de Juliano Ferro, a busca de Três Lagoas por representação, a votação polêmica na Câmara de Campo Grande e a desincompatibilização de Fábio Trad — indicam que o período pré-eleitoral em Mato Grosso do Sul deve ser marcado por reposicionamentos estratégicos e debates de pautas de costumes.

Nos municípios, prefeitos e vereadores ajustam calendários administrativos às regras eleitorais, enquanto potenciais candidatos à Assembleia ainda negociam espaços em chapas proporcionais. Já no âmbito estadual, a antecipação da corrida ao governo projeta definições partidárias que devem se intensificar ao longo de 2024 e 2025, especialmente com figuras já conhecidas no cenário político sul-mato-grossense.

Com isso, eleitores e líderes locais mantêm atenção às movimentações de bastidores que podem redefinir alianças, impulsionar novos nomes e recolocar antigos protagonistas na linha de frente da disputa pelo comando do Executivo estadual e pela ocupação das cadeiras do parlamento.

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