Um homem de 50 anos, que trabalhava como sorveteiro ambulante, foi preso em flagrante na manhã deste domingo, 29, suspeito de estuprar uma jovem de 18 anos em Deodápolis, interior de Mato Grosso do Sul. O crime foi denunciado ainda na madrugada, e o investigado acabou localizado poucas horas depois, já na cidade vizinha de Ivinhema, quando se preparava para iniciar o expediente.
Segundo informações repassadas pela Polícia Civil, o caso começou quando o suspeito, que conduzia uma Volkswagen Saveiro branca usada na venda de sorvetes, parou em frente à residência da vítima e pediu um copo de água. O pedido, de acordo com o registro policial, teria servido para verificar se havia outros adultos no local. A jovem estava acompanhada apenas do filho, um bebê de 11 meses.
Após constatar que a moradora se encontrava sozinha com a criança, o homem entrou no imóvel sem consentimento e, conforme o relato da ocorrência, cometeu o estupro. Ainda de acordo com a polícia, a vítima conseguiu se desvencilhar e correu até uma mercearia próxima em busca de ajuda. O estabelecimento acionou imediatamente as autoridades, dando início a uma série de diligências que se estenderam pela madrugada.
Equipes da Polícia Civil e da Polícia Militar mobilizaram-se em busca do autor. O cerco incluiu levantamentos sobre o itinerário habitual do sorveteiro, monitoramento de rotas entre municípios próximos e verificação de possíveis pontos de parada do veículo utilizado por ele no trabalho. Por volta do início da manhã, os agentes localizaram o suspeito em Ivinhema, distante cerca de 35 quilômetros de Deodápolis. Ele foi abordado no momento em que deixava a residência onde estava hospedado para começar mais um dia de vendas ambulantes.
Conduzido à delegacia de Ivinhema e, posteriormente, à Delegacia de Polícia de Deodápolis, o homem foi autuado em flagrante por estupro. A rapidez na detenção garantiu, segundo a corporação, a preservação de elementos probatórios essenciais para o inquérito, como possíveis vestígios físicos e o próprio depoimento da vítima poucas horas após o fato.
Durante o interrogatório inicial, os investigadores buscaram detalhes sobre a rotina profissional do preso, a frequência com que circulava por diferentes bairros e localidades e o contato com moradores de outras cidades. As informações coletadas servirão para traçar o percurso do suspeito e identificar eventuais ocorrências semelhantes que possam estar relacionadas a ele.
Em nota, a Polícia Civil informou que existem indícios de que o sorveteiro possa ter abordado outras mulheres em circunstâncias parecidas. Por esse motivo, a instituição orienta pessoas que tenham passado por situações de violência ou tentativa de violência envolvendo o mesmo indivíduo a procurarem a Delegacia de Polícia de Deodápolis. O órgão reiterou que as denúncias serão tratadas sob total sigilo e que as vítimas contarão com apoio especializado.
O caso reacende o debate sobre crimes praticados em contextos de aparente normalidade, nos quais o agressor se vale de atividades cotidianas para se aproximar de possíveis vítimas. A Polícia Civil destacou que, embora a venda ambulante de alimentos seja uma prática comum na região, atitudes consideradas atípicas, como insistir para entrar em domicílios ou sondar se há adultos presentes, devem ser comunicadas às autoridades.
Enquanto o inquérito segue em andamento, o suspeito permanece à disposição da Justiça. A lei prevê que, em crimes de estupro, a prisão em flagrante pode ser convertida em prisão preventiva, a fim de resguardar a ordem pública e evitar possíveis novas infrações. A defesa do investigado será intimada a apresentar manifestações ao longo do processo.
A vítima recebeu atendimento médico e psicológico após registrar a ocorrência. De acordo com a Polícia Civil, a jovem passa bem fisicamente e deve ser acompanhada pela rede municipal de proteção às mulheres. A criança de 11 meses, que estava presente no momento do crime, não sofreu ferimentos.
Com a prisão efetuada poucas horas depois da denúncia, a corporação sustenta que os próximos passos se concentrarão na coleta de laudos periciais, confrontação de versões e eventual identificação de novos casos, caso surjam depoimentos adicionais. Até o momento, a investigação se baseia no relato da jovem, nos vestígios apurados no local do crime e nas informações obtidas durante a captura do suspeito.









