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Três Lagoas intensifica campanha para desencorajar esmolas e promover atendimento especializado

A Secretaria Municipal de Assistência Social de Três Lagoas ampliou as ações da campanha “Não dê esmola”, criada para orientar moradores sobre métodos mais eficazes de apoio a pessoas em situação de rua. A mobilização envolve equipes que percorrem pontos de grande circulação, abordam motoristas e pedestres e explicam por que a entrega de dinheiro nas vias públicas dificulta a saída definitiva dessa população das ruas.

As blitz educativas ocorrem em semáforos, feiras livres, portas de mercados e outras áreas movimentadas do município. Durante as abordagens, servidores esclarecem que a doação direta costuma reforçar a permanência nas ruas, pois garante recurso financeiro imediato sem o vínculo com serviços de acolhimento e reinserção social. O material distribuído orienta a população a acionar o Centro de Referência Especializado para População em Situação de Rua (Centro Pop) ou a rede municipal de proteção sempre que identificar alguém nessa condição.

Responsável pelo Centro Pop, a coordenadora Solange de Almeida reforça que a oferta de esmolas, embora motivada pela solidariedade, não representa solução efetiva. Segundo ela, o município realiza contatos diários com pessoas em situação de rua e disponibiliza atendimento técnico, mas muitas preferem permanecer nos locais de passagem porque obtêm dinheiro com facilidade. “Se o valor é entregue ali, a pessoa continua na rua. A forma correta é encaminhar para os serviços especializados, onde há assistentes sociais, psicólogos e toda a estrutura necessária”, explica a gestora.

Solange relata que relatos de doações são frequentes. Os pontos preferenciais de oferta espontânea são cruzamentos, feiras itinerantes e as entradas de estabelecimentos comerciais. Esse fluxo constante de recursos, de acordo com a coordenadora, cria um ciclo que dificulta o convencimento para aceitar acolhimento ou iniciar trajetórias de reinserção laboral e familiar. “Presenciamos cidadãos estendendo quantias em dinheiro várias vezes ao dia. Enquanto isso ocorre, o interesse em buscar ajuda formal diminui”, afirma.

O Centro Pop disponibiliza refeições diárias — café da manhã, almoço e lanche da tarde —, espaço para higiene pessoal, lavanderia, kits de higiene e acompanhamento psicológico e social. A unidade também articula encaminhamentos para abrigo, emissão de documentos, inclusão em programas de qualificação profissional e reencontro com familiares quando há interesse. “Nosso lema é: esmola, não; cidadania, sim”, ressalta Solange, destacando que o serviço funciona como porta de entrada para a rede de assistência.

Além das orientações presenciais, a campanha utiliza faixas, cartazes e peças digitais divulgadas em redes sociais da prefeitura. O conteúdo reforça que, ao identificar alguém dormindo em vias públicas ou pedindo dinheiro, o cidadão deve contatar a Secretaria de Assistência Social para que a abordagem seja conduzida por equipes capacitadas. Essas equipes avaliam cada caso, identificam necessidades imediatas e apresentam alternativas de acolhimento ou retorno ao convívio familiar.

De acordo com a administração municipal, a estratégia busca, sobretudo, romper com a cultura de repasse de valores nas ruas e direcionar a solidariedade para canais organizados. A aposta é que, ao reduzir o incentivo financeiro direto, aumente a procura pelos atendimentos oferecidos de forma permanente e gratuita, favorecendo a construção de projetos individuais que envolvem moradia, saúde, documentação e emprego.

As ações da campanha permanecem previstas ao longo de todo o ano, com intensificação em datas de maior fluxo de pessoas, como períodos de pagamento salarial, eventos culturais e religosos. A Secretaria de Assistência Social informa que estuda ampliar parcerias com entidades filantrópicas, igrejas e comércio local para difundir informações e criar pontos de referência onde doações de alimentos, roupas ou produtos de higiene possam ser reunidas e redistribuídas de forma organizada.

Quem desejar colaborar pode procurar o Centro Pop ou entrar em contato pelo telefone da secretaria para oferecer mantimentos, voluntariado ou serviços que auxiliem na reinserção social. A gestão municipal reforça que cada encaminhamento realizado por meio oficial representa oportunidade concreta de resgate de direitos básicos, enquanto a esmola, ainda que bem-intencionada, prolonga a exposição a riscos nas ruas.

Com a continuidade das blitz e a participação da comunidade, a prefeitura espera reduzir a quantidade de pessoas que dependem de doações informais e ampliar o número de atendimentos qualificados, contribuindo para um processo de reintegração mais efetivo e duradouro.

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