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Saúde destina R$ 900 mil para conter avanço da chikungunya em Dourados

O Ministério da Saúde liberou nesta sexta-feira, 27, um repasse emergencial de R$ 900 mil ao município de Dourados, no sul de Mato Grosso do Sul, para reforçar as ações de enfrentamento da chikungunya. O recurso, depositado em parcela única via Fundo Nacional de Saúde, tem como objetivo garantir resposta imediata diante do rápido crescimento de notificações registrado nas últimas semanas na região da Grande Dourados.

Segundo o boletim epidemiológico mais recente, o município contabiliza 1.638 casos prováveis da doença, dos quais 780 foram confirmados por critério laboratorial ou clínico. A taxa de positividade chega a 78,15%, e 37 pacientes permanecem internados, a maioria no Hospital Universitário. Até o momento, foram confirmados cinco óbitos, todos na Reserva Indígena local, envolvendo vítimas com idades entre um mês de vida e 73 anos.

Ampliação das frentes de combate

O aporte financeiro permitirá intensificar a vigilância em saúde, fortalecer o controle do Aedes aegypti, qualificar o atendimento clínico e oferecer suporte logístico extra às equipes que atuam diretamente junto à população. A estratégia inclui prioridade para os bairros e comunidades com maior número de registros, visando reduzir a ocorrência de formas graves da infecção.

Entre as medidas em curso está a instalação de 1.000 Estações Disseminadoras de Larvicida (EDLs), dispositivos que funcionam como armadilhas para o mosquito e interrompem o ciclo de reprodução. Do primeiro lote, composto por 300 unidades, 150 já operam nos bairros Jóquei Clube, Santa Felicidade e Santa Fé. As próximas etapas contemplarão Novo Horizonte, Parque do Lago e Piratininga.

Equipes municipais passaram por capacitação técnica ministrada pela Coordenação-Geral de Vigilância de Arboviroses do Ministério da Saúde para uso correto das novas tecnologias. A formação aborda identificação de focos, manejo de larvicidas e orientação à comunidade sobre ações preventivas dentro dos domicílios.

Mapa dos casos e monitoramento

No detalhamento por áreas, a Aldeia Bororó lidera o número de notificações, com 147 ocorrências. Na sequência aparecem o bairro Jóquei Clube, com 129 registros, e os setores Seleta, Parque do Lago II e Jardim Piratininga. A concentração de casos nesses pontos orienta o direcionamento de equipes e insumos, incluindo inseticidas e equipamentos de proteção individual.

Para reforçar o atendimento às comunidades indígenas, profissionais da Força Nacional do Sistema Único de Saúde e da Secretaria Especial de Saúde Indígena realizam busca ativa nas aldeias Jaguapiru e Bororó. Mais de 100 visitas domiciliares foram efetuadas para diagnóstico precoce, orientação sobre sinais de alerta e encaminhamento rápido a unidades de referência quando necessário.

Ações de campo e contratação emergencial

Desde o início de março, agentes de saúde e de combate às endemias inspecionaram mais de 2,2 mil residências. As vistorias incluem mutirões de limpeza, remoção de recipientes que acumulam água, aplicação de larvicidas em reservatórios e nebulização de inseticidas em áreas com maior circulação do vetor. Um posto de atendimento móvel permanece à disposição para agilizar avaliação clínica e coleta de amostras.

Como reforço, o Ministério da Saúde autorizou a contratação emergencial de 20 novos agentes de combate a endemias. Os profissionais temporários atuarão prioritariamente nos bairros com alto índice de infestações, ampliando a cobertura das visitações domiciliares e a checagem de pontos estratégicos, como borracharias, ferro-velhos e depósitos de reciclagem.

Integração entre esferas de governo

O governo federal instalou uma Sala de Situação para integrar dados de monitoramento e coordenar ações entre União, Estado e município. O espaço centraliza informações epidemiológicas, define prioridades de intervenção e monitora indicadores em tempo real, possibilitando ajustes rápidos nas estratégias de controle conforme a evolução do cenário.

No âmbito local, a Prefeitura de Dourados decretou situação de emergência para facilitar a mobilização de equipes e a contratação de serviços. O município também planeja ampliar o quadro de profissionais de saúde nas unidades básicas e nos prontos-atendimentos, diante da perspectiva de crescimento dos casos nas próximas oito semanas, período considerado mais crítico pelos técnicos.

As autoridades reforçam a necessidade de participação da população na eliminação de criadouros dentro das residências, ação considerada fundamental para complementar as intervenções governamentais e reduzir a transmissão da chikungunya no município.

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