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Servidores do Hospital Universitário da UFGD cruzam os braços em Dourados e mantêm apenas serviços essenciais

Os trabalhadores do Hospital Universitário da Universidade Federal da Grande Dourados (HU-UFGD) iniciaram greve nesta segunda-feira, 30, após assembleia convocada pelo sindicato da categoria. A paralisação ocorre em meio à campanha salarial conduzida nacionalmente pelas entidades que representam os empregados da HU Brasil, empresa pública que sucedeu a Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh) na gestão de hospitais federais.

De acordo com o comando de greve local, aproximadamente 110 servidores aderiram ao movimento em Dourados, número que representa cerca de 10% do total de mil funcionários da unidade. Apesar da adesão parcial, os setores de urgência, emergência e demais serviços considerados fundamentais seguem em funcionamento, conforme determina a legislação para greves na área da saúde.

Principais reivindicações

O eixo central das negociações gira em torno de reajuste salarial. As entidades pedem correção dos vencimentos pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) e reposição de 11% referentes às perdas registradas durante o período da pandemia de Covid-19. Em Dourados, a pauta inclui ainda:

  • recuperação de 25% das perdas acumuladas nos últimos anos;
  • revisão do piso salarial;
  • inclusão de cesta básica vinculada ao auxílio-alimentação.

O sindicato afirma que, sem resposta satisfatória da administração, a mobilização será mantida por tempo indeterminado. A entidade acrescenta que solicitou à direção do hospital a suspensão de cirurgias eletivas e a interrupção temporária de novos internamentos enquanto durar o movimento paredista.

Impacto no atendimento

Mesmo com a paralisação, a direção do HU-UFGD informa que não houve prejuízo ao fluxo de pacientes em estado crítico nem aos procedimentos que exigem continuidade, como tratamentos oncológicos e diálise. A manutenção das equipes mínimas leva em consideração, entre outros fatores, a Situação de Emergência decretada pelo município em razão do aumento de casos de chikungunya. O hospital é referência para atendimento de doenças infecciosas e recebe grande número de pacientes indígenas, sobretudo crianças.

Negociação mediada pelo TST

A HU Brasil confirmou, por nota, que as tratativas com os sindicatos começaram na terça-feira, 24, sob mediação do Tribunal Superior do Trabalho (TST). Uma nova rodada de conversas está marcada ainda para esta segunda-feira, com participação de representantes dos empregados e da empresa pública. O objetivo é buscar consenso sobre o índice de reajuste e outras cláusulas econômicas do acordo coletivo.

Além do HU-UFGD, hospitais universitários de diferentes estados participam da mobilização, que ocorre de forma escalonada. Cada unidade adota cronograma próprio, condicionado às assembleias locais. Em Dourados, o sindicato ressaltou que a decisão pela greve levou em conta as especificidades regionais, entre elas o custo de vida e as perdas salariais acumuladas.

Proporção dos grevistas

Segundo levantamento interno, os 110 servidores parados atuam em setores administrativos, enfermagem, apoio logístico e especialidades médicas não emergenciais. A direção do hospital detalhou que 72% dos profissionais de nível assistencial e 65% dos médicos continuam nos postos, número suficiente, segundo a administração, para assegurar a assistência mínima.

O sindicato discorda do percentual considerado adequado e sustenta que a sobrecarga sobre os trabalhadores que permaneceram ativos amplia o desgaste e compromete a qualidade do atendimento. A entidade também relata dificuldades pontuais na escala de técnicos de enfermagem, mas admite que, até o momento, não houve suspensão de consultas ou procedimentos classificados como essenciais.

Próximos passos

Os servidores grevistas aguardam o desfecho da reunião agendada para o fim da tarde. Caso não haja avanço, o movimento pode ganhar adesão de novos setores ao longo da semana. A HU Brasil, por sua vez, reiterou a disposição para negociar dentro dos limites orçamentários aprovados pelo governo federal.

Enquanto aguardam a definição, pacientes com atendimento marcado são orientados a confirmar os horários previamente. A orientação é entrar em contato com os canais oficiais do hospital ou comparecer à recepção principal para verificar se a consulta ou procedimento foi mantido.

Até o fechamento desta reportagem, não havia previsão oficial para o término da greve. O sindicato promete divulgar boletins diários sobre a evolução das negociações e eventuais mudanças no funcionamento da unidade.

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