A Secretaria Municipal de Saúde de Jardim confirmou, nesta semana, a primeira morte por chikungunya no município. A vítima, uma mulher de 83 anos que apresentava hipertensão, obesidade e cardiopatia, é o sétimo óbito pela doença registrado em Mato Grosso do Sul em 2026.
Com a atualização, o estado concentra quase metade das mortes contabilizadas no país desde o início do ano, cenário que reforça o caráter de epicentro regional da enfermidade. O avanço da chikungunya já levou 12 municípios sul-mato-grossenses a entrarem oficialmente em situação de epidemia, incluindo Dourados, onde foi decretada emergência em saúde pública.
Detalhes do caso em Jardim
De acordo com informações repassadas pela administração municipal, a paciente procurou atendimento no Hospital Marechal Rondon em 17 de março, relatando mal-estar, cefaleia, dores generalizadas e perda de apetite. Exames laboratoriais foram realizados no dia seguinte. O quadro clínico se agravou, levando à internação em 20 de março e, posteriormente, à transferência para o Hospital de Coxim em 23 de março. O óbito foi confirmado em 25 de março.
Situação epidemiológica no estado
Até a 11ª semana epidemiológica, Mato Grosso do Sul registrou 3.058 casos prováveis de chikungunya, dos quais 1.452 foram confirmados laboratorialmente. A incidência estadual está em 110,9 casos por 100 mil habitantes, segundo boletim divulgado pela Secretaria de Estado de Saúde.
Dentre as sete mortes computadas desde janeiro, cinco ocorreram em Dourados. Essas vítimas, todas moradoras da Reserva Indígena, eram uma mulher de 69 anos, um homem de 73 anos, uma mulher de 60 anos e dois bebês de três meses e um mês. O sexto óbito havia sido registrado em Bonito: um idoso de 72 anos, hipertenso e diabético.
Municípios em epidemia
O Ministério da Saúde classifica 12 dos 79 municípios sul-mato-grossenses em situação de epidemia de chikungunya. Integram a lista:
- Fátima do Sul
- Jardim
- Sete Quedas
- Vicentina
- Selvíria
- Corumbá
- Antônio João
- Guia Lopes da Laguna
- Bonito
- Água Clara
- Douradina
- Dourados
O atual boletim coloca 2026 como o segundo pior ano em número de casos desde 2015, quando o monitoramento sistemático começou no estado.
Cenário nacional
No acumulado do ano, o Brasil soma 21.692 casos prováveis de chikungunya e 15 mortes. A incidência nacional é de 10,2 casos por 100 mil habitantes, bem abaixo da taxa observada em Mato Grosso do Sul, o que evidencia a disparidade regional.
Reconhecimento de emergência em Dourados
Diante da rápida disseminação do vírus, o Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional reconheceu a situação de emergência em saúde pública decretada por Dourados. A portaria, assinada pelo secretário nacional de Proteção e Defesa Civil, Wolnei Wolff Barreiros, foi publicada no Diário Oficial da União. O ato permite ao município solicitar recursos federais de forma simplificada para ações de controle do vetor e assistência à população.
Após o reconhecimento federal, moradores de Dourados e região receberam na segunda-feira (30) um alerta extremo no celular, emitido pela Defesa Civil. A mensagem orientava a eliminar recipientes com água parada, limpar quintais e adotar medidas de proteção individual contra a picada do Aedes aegypti, mosquito transmissor da chikungunya, dengue e zika.
Perspectivas e medidas de contenção
Autoridades sanitárias estaduais mantêm ações de bloqueio químico, visitas de agentes de endemias e campanhas educativas para reduzir criadouros do mosquito. A população é incentivada a redobrar a atenção a reservatórios domiciliares, caixas d’água, calhas e qualquer objeto que possa acumular água.
Especialistas ressaltam que a remoção mecânica de criadouros continua sendo a estratégia mais eficaz para conter a transmissão. O uso de repelentes, roupas de mangas longas e telas em portas e janelas também é recomendado, especialmente para grupos de risco, como idosos, gestantes, crianças pequenas e pessoas com doenças crônicas.
Enquanto o controle vetorial avança, a Secretaria de Estado de Saúde monitora diariamente os indicadores epidemiológicos e reforça a necessidade de notificação imediata de casos suspeitos pelas unidades de saúde, visando a intervenção rápida em possíveis surtos localizados.
Com a confirmação do sétimo óbito, Mato Grosso do Sul segue como o ponto mais crítico da doença no país, situação que exige vigilância constante e a cooperação entre autoridades e moradores para evitar novos aumentos nos índices de morbidade e mortalidade associados à chikungunya.








