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Servidores do Hospital Universitário de Campo Grande iniciam greve por reajuste salarial

Trabalhadores do Hospital Universitário de Campo Grande iniciaram greve nesta segunda-feira, 30 de outubro, após impasse nas negociações salariais com a empresa gestora HU Brasil. O movimento reúne servidores dos setores administrativo, de enfermagem e médicos, que se concentram na entrada da unidade para pressionar pela recomposição de perdas financeiras acumuladas durante a pandemia e por aumento real nos vencimentos.

Logo nas primeiras horas do dia, cerca de 30 manifestantes ocuparam a área frontal do hospital para marcar o início da paralisação. A adesão é mais expressiva no quadro administrativo, onde as atividades foram completamente suspensas. Entre os profissionais de enfermagem, aproximadamente metade interrompeu as tarefas diárias para apoiar as reivindicações da categoria. Médicos também participam do ato, ainda que em menor número, mantendo parte dos atendimentos essenciais.

De acordo com o sindicato que representa os empregados, a greve só foi deflagrada após várias rodadas de negociação consideradas infrutíferas. Segundo a entidade, as conversas não resultaram em proposta capaz de cobrir a defasagem salarial decorrente do período pandêmico nem de garantir ganho real. A expectativa é de que a mobilização pressione a administração a apresentar novo índice econômico que atenda às demandas.

Apesar da paralisação, o hospital mantém o funcionamento das áreas classificadas como críticas. A gestão informou que 70% do efetivo mínimo continua em atividade para assegurar atendimentos de urgência, cuidados intensivos e procedimentos inadiáveis. A medida busca evitar riscos aos pacientes internados e minimizar o impacto sobre o serviço público de saúde. Supervisores monitoram plantões e remanejam escalas para manter a assistência básica enquanto perdurar a greve.

Paralelamente, a HU Brasil conduz as tratativas para o Acordo Coletivo de Trabalho (ACT) 2026/2027, cuja data-base está fixada em 1.º de junho de 2026. As negociações ocorrem sob mediação do Tribunal Superior do Trabalho (TST) desde terça-feira, 24 de outubro. Uma nova rodada está marcada para esta terça-feira, 31, quando empresa e representantes sindicais voltarão à mesa com a expectativa de aproximar posições e buscar consenso.

Na reunião desta segunda, 30, a empresa apresentou o primeiro índice econômico destinado a destravar o diálogo. O percentual proposto não foi divulgado, mas, segundo a administração, representa esforço para equacionar as reivindicações dos trabalhadores e a sustentabilidade financeira da unidade. As entidades sindicais afirmam que analisarão a oferta, mas mantêm o movimento até que haja avanço concreto.

Em nota, a HU Brasil informou que adota “todas as medidas necessárias para garantir a continuidade da prestação dos serviços essenciais de saúde à população, resguardando o interesse público”. A companhia reiterou compromisso com o diálogo permanente e manifestou confiança na mediação do TST para alcançar acordo satisfatório às duas partes.

O ACT 2024/2026, ainda vigente, foi lembrado pela empresa como exemplo de entendimento anterior que teria proporcionado melhorias econômicas e sociais aos trabalhadores. Porém, o sindicato ressalta que o cenário inflacionário dos últimos anos, somado aos custos adicionais gerados pela pandemia, corroeu parte dos ganhos, exigindo nova recomposição.

Enquanto não há desfecho, os grevistas mantêm a mobilização na frente do hospital. Representantes sindicais organizam turnos de vigília e distribuem informativos à população sobre as razões do protesto. Funcionários que permanecem em atividade relatam aumento na carga de trabalho para suprir colegas ausentes, mas afirmam que a assistência emergencial continua assegurada.

O Hospital Universitário de Campo Grande atende a pacientes do Sistema Único de Saúde e é referência para casos de média e alta complexidade em Mato Grosso do Sul. A instituição também serve de campo de prática para cursos da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul. A administração acompanha o impacto da paralisação em indicadores de internação, cirurgias e consultas, enquanto aguarda o resultado da rodada de negociação agendada no TST.

Ao final da tarde, não havia previsão de encerramento do movimento. O sindicato informou que assembleias serão convocadas após cada sessão de negociação para deliberar sobre a continuidade ou suspensão da greve. A HU Brasil, por sua vez, mantém aberta a possibilidade de novas propostas até que se alcance entendimento definitivo.

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