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Deputado Dagoberto Nogueira deixa PSDB e se filia ao PP citando perda de espaço da sigla

O deputado federal Dagoberto Nogueira confirmou a desfiliação do Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB) e a imediata adesão ao Progressistas (PP). A mudança foi comunicada após avaliações internas que, segundo o parlamentar, apontaram diminuição da representatividade tucana no Congresso, redução de recursos eleitorais e divergências recentes na condução partidária.

Dagoberto permaneceu quatro anos no PSDB depois de longa trajetória de 31 anos no PDT. Ele afirmou que não pretendia trocar de legenda, mas considerou inviável permanecer em um partido cuja bancada na Câmara caiu de 13 para 11 deputados. Para o congressista, a perda de cadeiras impacta diretamente a distribuição de tempo de televisão e de valores do fundo partidário, instrumentos considerados estratégicos para disputas eleitorais e para a articulação de políticas públicas.

O deputado também avaliou o cenário fora do Mato Grosso do Sul. Segundo ele, o PSDB enfrenta queda de desempenho em diversos estados, o que pode dificultar o atingimento de coeficientes eleitorais necessários nas próximas eleições gerais. Nogueira pontuou que, mesmo com presença ainda relevante na política sul-mato-grossense, a sigla deixou de ter a mesma força em nível nacional, fator que pesou na decisão.

Outro ponto citado foi o desentendimento interno que ocorreu na semana anterior à saída. Sem detalhar o conteúdo da discordância, Dagoberto relatou que não concordou com deliberação tomada pela direção nacional e, diante do impasse, concluiu que a permanência já não atendia às suas necessidades políticas nem às de sua base.

A filiação ao PP foi precedida por conversas com lideranças estaduais e municipais. O parlamentar recebeu convites do governador Eduardo Riedel, do deputado estadual Rinaldo Modesto, da senadora Tereza Cristina e da prefeita de Campo Grande, Adriane Lopes. Após essas consultas, Nogueira avaliou que o Progressistas oferece estrutura partidária mais robusta, além de maior presença em diferentes unidades federativas.

Com a mudança, Dagoberto pretende reassumir espaços de articulação no Congresso. Ele argumenta que, em bancadas maiores, há melhor distribuição de comissões e relatorias de projetos, circunstância que favorece a representação de demandas do Mato Grosso do Sul. O PP possui hoje uma das maiores representações na Câmara, característica que, na avaliação do deputado, amplia o raio de ação legislativa.

No plano estadual, a filiação reforça a composição política em torno de aliados do governador. O Progressistas integra a base de apoio ao Executivo local e mantém diálogo frequente com gestores municipais. Dagoberto declarou que seu objetivo é contribuir para a execução de projetos de infraestrutura, saúde e educação no estado, explorando a articulação entre bancada federal, governo estadual e prefeituras.

Questionado sobre eventuais repercussões eleitorais, o parlamentar afirmou que a troca de legenda não altera seus compromissos já assumidos com eleitores e prefeitos. Ele ressaltou que seguirá trabalhando por recursos federais destinados a municípios sul-mato-grossenses e que buscará participação ativa em debates sobre reforma tributária, segurança pública e desenvolvimento regional.

A saída de Dagoberto intensifica o processo de reconfiguração do PSDB, que já vinha enfrentando a defecção de nomes tradicionais após a eleição geral passada. Com a redução da bancada federal, a legenda perde parte dos repasses proporcionais do Fundo Partidário e do Fundo Especial de Financiamento de Campanhas, calculados com base no desempenho na Câmara dos Deputados.

O novo partido do deputado, por sua vez, fortalece suas fileiras em Mato Grosso do Sul, onde passa a contar com representação adicional em Brasília. O Progressistas tem investido em ampliar seu peso no Centro-Oeste, mirando alianças estratégicas tanto para as eleições municipais de 2024 quanto para o pleito geral de 2026.

Dagoberto Nogueira permanece no exercício do mandato, sem mudança em gabinete, equipe nem projetos em tramitação. A troca partidária já foi comunicada à Mesa Diretora da Câmara, que registrou a alteração na composição formal das bancadas. Não há impedimentos legais para a transição, uma vez que a legislação eleitoral permite a migração quando há justa causa, como alegada perda substancial de representatividade.

Com a filiação concluída, o deputado inicia participação nos colegiados do PP e deve definir, nas próximas semanas, em quais comissões permanentes atuará durante o atual ano legislativo. Ele sinalizou interesse em manter assento nos temas de transportes e finanças públicas, áreas em que já vinha apresentando proposições.

A mudança partidária ocorre em momento de intensos rearranjos internos em diversas siglas. Enquanto o PSDB tenta reestruturar sua base e atrair novos quadros, o Progressistas investe na consolidação dos seus parlamentares para obter maior influência na pauta legislativa e na formação de blocos dentro da Câmara.

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