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Eduardo Rocha encerra 34 anos no MDB e se filia ao PSDB em Mato Grosso do Sul

O ex-secretário da Casa Civil de Mato Grosso do Sul e ex-deputado estadual Eduardo Rocha formalizou, nesta quarta-feira (1º), sua desfiliação do MDB após 34 anos de militância. Na mesma ocasião, confirmou a entrada no PSDB, legenda pela qual pretende disputar uma cadeira na Assembleia Legislativa em 2026.

Mudança de partido após trajetória iniciada nos anos 1990

Rocha iniciou a carreira política no MDB no fim da década de 1980, sob influência do ex-senador Ramez Tebet, seu sogro. Ao longo de três mandatos consecutivos na Assembleia Legislativa, construiu base eleitoral ligada principalmente a Três Lagoas e municípios do leste sul-mato-grossense. Entre 2021 e 2022, ocupou a chefia da Casa Civil do governo estadual, experiência que ampliou sua projeção dentro da administração pública.

Ao comunicar a saída, o ex-parlamentar descreveu o desligamento como uma decisão carregada de gratidão, mas necessária para novos projetos. A filiação tucana foi articulada em consenso com dirigentes estaduais e teve aval de lideranças como o governador Eduardo Riedel e o ex-governador Reinaldo Azambuja, ambos do PSDB.

Objetivos no PSDB e apoio interno

Na nova sigla, Rocha declarou intenção de colaborar com pautas voltadas ao desenvolvimento regional, reforçando a meta de retomar uma vaga no Legislativo. Segundo ele, o alinhamento programático com a gestão estadual e a existência de um grupo já estabelecido facilitaram a escolha pelo PSDB.

O ex-deputado também agradeceu o respaldo de figuras locais que participaram das negociações, entre elas o deputado estadual Pedro Caravina e o presidente do diretório municipal, Jonas de Paula. O apoio interno é visto como fundamental para a organização de pré-campanha que deve ser construída a partir de 2024.

Impacto familiar e reconfiguração partidária

A troca de legenda ocorre poucos dias depois de Simone Tebet, ministra do Planejamento e Orçamento e esposa de Eduardo Rocha, confirmar sua saída do MDB. Com quase 30 anos de filiação, a ministra migrou para o PSB em movimento considerado estratégico para as eleições de 2026. A projeção interna do novo partido é lançá-la à disputa por uma vaga no Senado por São Paulo.

Para viabilizar a candidatura, Simone Tebet deverá transferir domicílio eleitoral, já que seu berço político está em Mato Grosso do Sul. A decisão cria um alinhamento indireto entre PSDB e PSB em torno do casal, ainda que cada sigla mantenha projetos distintos no cenário nacional.

Divergências regionais e contexto no MDB

No plano estadual, a permanência de Eduardo Rocha no MDB ficou insustentável devido a divergências sobre alianças locais. Em São Paulo, principal foco da estratégia eleitoral de Simone Tebet, o MDB mantém relação próxima a grupos oposicionistas ao governo federal. Essa configuração incomodou as lideranças ligadas à ministra e intensificou o debate interno sobre a identidade partidária.

Com a saída de dois nomes de peso, o MDB sul-mato-grossense perde quadros históricos e passa a reavaliar seu posicionamento para 2026. Dirigentes em Campo Grande admitem a necessidade de atrair novos filiados de perfil majoritário para recompor o espaço político deixado pela família Tebet.

Próximos passos e calendário eleitoral

Pelo cronograma da Justiça Eleitoral, pré-candidatos a deputado estadual podem formalizar filiações até abril de 2026. Até lá, Eduardo Rocha deverá percorrer os 79 municípios do estado para consolidar apoios, dando prioridade a regiões onde obteve votação expressiva em pleitos anteriores. A estratégia inclui reuniões com vereadores, prefeitos e representantes de setores produtivos ligados à agropecuária e à indústria de celulose, segmentos com forte presença na economia local.

Em paralelo, o PSDB trabalha para manter a coesão entre alas tradicionais e novos integrantes, buscando ampliar a bancada na Assembleia Legislativa e sustentar a base de apoio do governador Riedel. A chegada de Rocha é apontada por dirigentes partidários como reforço relevante para atingir esse objetivo.

Repercussão entre lideranças estaduais

Nos bastidores, aliados de Rocha destacam que a experiência no Executivo estadual pode agregar capacidade de articulação ao bloco governista. Parlamentares da base esperam que o ex-secretário contribua com a tramitação de projetos de infraestrutura e políticas sociais, áreas valorizadas na gestão PSDB no estado.

A oposição ainda avalia o impacto da movimentação, mas dirigentes do PT e do MDB admitem que a transferência fortalece o governo na Assembleia. Apesar disso, observadores políticos consideram que o êxodo de nomes históricos para outras legendas reforça a tendência de fragmentação partidária em Mato Grosso do Sul, fenômeno que deve influenciar a formação de coligações e chapas proporcionais em 2026.

Com a filiação oficializada e a pré-candidatura encaminhada, Eduardo Rocha inicia uma nova etapa na carreira que completa mais de três décadas. O próximo desafio será traduzir a mudança de sigla em votos suficientes para retornar ao Parlamento estadual, agora pelos quadros tucanos.

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