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Caso grave de influenza cresce e coloca Campo Grande em zona de alerta

Campo Grande passou a integrar o grupo de capitais brasileiras classificadas em nível de alerta para Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG). A avaliação consta na edição mais recente do InfoGripe, boletim produzido pela Fundação Oswaldo Cruz, que analisa dados referentes à Semana Epidemiológica 12, compreendida entre 22 e 28 de março. O relatório identifica crescimento contínuo de casos graves de influenza A nas últimas seis semanas, tendência que acompanha o comportamento observado em diferentes estados do Centro-Oeste.

O estudo nacional considera três faixas de severidade para a atividade de SRAG — alerta, risco e alto risco — e posiciona a capital sul-mato-grossense em zona de atenção, situação em que o número de ocorrências apresenta trajetória ascendente capaz de pressionar os serviços de saúde se medidas de contenção não forem adotadas. Além de Campo Grande, o documento sinaliza que outras unidades federativas da região também registram aumento consistente de registros relacionados à doença.

Dados consolidados nas quatro semanas que antecederam o levantamento mostram que a influenza A foi responsável por 27,4% dos resultados positivos para vírus respiratórios em todo o país. No mesmo período, o tipo viral respondeu por 36,9% dos óbitos confirmados entre pacientes com SRAG, evidenciando o peso do patógeno no quadro geral de mortalidade respiratória. Embora a circulação do vírus atinja diferentes faixas etárias, as hospitalizações envolvendo jovens, adultos e idosos se destacam na série observada.

Diante do avanço, autoridades sanitárias reforçam a importância da vacinação como principal estratégia para conter surtos, reduzir internações e evitar mortes associadas a complicações da influenza. A Campanha Nacional de Vacinação contra a gripe começou em 28 de março para as regiões Centro-Oeste, Nordeste, Sul e Sudeste, com término previsto para 30 de maio. Em Mato Grosso do Sul, as doses estão disponíveis gratuitamente nas Unidades Básicas de Saúde.

O público-alvo engloba idosos, crianças de seis meses a 5 anos, gestantes, puérperas, pessoas com doenças crônicas ou condições clínicas especiais, indígenas, trabalhadores da saúde, profissionais da educação, integrantes das forças de segurança, funcionários do sistema prisional e população privada de liberdade. A orientação é que esses grupos procurem a imunização o mais cedo possível, assegurando tempo suficiente para que o organismo desenvolva a proteção antes do período de maior circulação viral.

A campanha ocorre paralelamente a ações de prevenção não farmacológicas recomendadas por infectologistas. O uso de máscaras do tipo PFF2 ou N95 é indicado para quem apresenta sintomas gripais, pertence a grupos de risco ou precisa permanecer em locais fechados e com aglomeração. Especialistas lembram que essas peças oferecem vedação adequada e filtragem que reduz a exposição a aerossóis contendo o vírus.

Higienizar as mãos com água e sabão ou álcool 70% permanece fundamental, principalmente após tossir, espirrar, tocar superfícies de uso coletivo ou utilizar transporte público. Também se recomenda evitar cumprimentos que envolvam contato físico e manter ambientes ventilados. Pessoas com sinais respiratórios devem adotar isolamento domiciliar até 24 horas após o fim da febre, a fim de interromper a cadeia de transmissão.

Os gestores municipais acompanham o cenário para dimensionar possíveis impactos sobre a rede de atendimento. A elevação dos indicadores de SRAG pode resultar em maior procura por pronto-atendimentos e leitos hospitalares, exigindo organização prévia de equipes e insumos. Em situações de aumento abrupto, as secretarias de saúde podem ativar planos de contingência, ampliar horários de funcionamento das unidades e reforçar a distribuição de antivirais quando disponíveis.

No contexto estadual, Mato Grosso do Sul segue a tendência regional apontada pelo boletim. O crescimento sustentado na curva epidemiológica reflete a circulação comunitária de influenza A, vírus com histórico de causar ondas sazonais intensas. Fatores como retomada de atividades presenciais, mudanças climáticas e relaxamento de medidas de proteção contribuem para maior dispersão do agente infeccioso.

Enquanto aguarda-se atualização semanal dos dados, especialistas ressaltam que a combinação entre vacinação em larga escala e adesão a práticas preventivas é a estratégia mais eficaz para reverter a atual trajetória de alta. A meta é reduzir rapidamente o número de casos graves, protegendo principalmente pessoas mais vulneráveis e garantindo a capacidade de resposta do sistema de saúde de Campo Grande e de todo o estado.

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