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Produção industrial brasileira cresce 0,9% em fevereiro e consolida segundo mês de alta

A atividade da indústria nacional avançou 0,9% em fevereiro na comparação com janeiro, segundo dados da Pesquisa Industrial Mensal (PIM) divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Trata-se do segundo resultado positivo consecutivo, sequência que garante ao setor um ganho acumulado de 3,0% nos dois primeiros meses do ano.

Com o novo crescimento, o nível de produção ficou 3,2% acima do patamar observado em fevereiro de 2020, período imediatamente anterior à pandemia de covid-19. Ainda assim, permanece 14,1% abaixo do pico registrado em 2011, indicando que a recuperação, embora em curso, ainda não recompôs todas as perdas dos últimos anos.

Desempenho disseminado entre categorias e ramos

O resultado de fevereiro foi positivo nas quatro grandes categorias econômicas investigadas e em 16 dos 25 ramos industriais acompanhados pela pesquisa. A difusão do crescimento sugere retomada mais ampla, depois de meses marcados por variações pontuais e oscilações de curto prazo.

Entre os segmentos que mais contribuíram para o avanço geral, destacaram-se veículos automotores, reboques e carrocerias, com expansão de 6,6% frente a janeiro. Também teve peso relevante o grupo de derivados do petróleo e biocombustíveis, que registrou elevação de 2,5% no mesmo intervalo.

Segundo o IBGE, o desempenho desses dois setores reflete aumento na produção de automóveis, autopeças, combustíveis e álcool etílico – itens diretamente relacionados ao ritmo de circulação de mercadorias e de pessoas na economia. A autarquia aponta ainda um processo de recomposição de estoques como fator adicional que impulsionou a atividade industrial em fevereiro, fenômeno observado após interrupções e períodos de férias coletivas ocorridos no último trimestre do ano anterior.

Saldos acumulados nos primeiros meses do ano

No acumulado de janeiro e fevereiro, a indústria automobilística soma alta de 14,1%, recuperando parte das perdas verificadas no encerramento de 2025. Já o segmento de derivados do petróleo e biocombustíveis contabiliza expansão de 9,9% no mesmo intervalo, mantendo trajetória favorável iniciada no segundo semestre do ano passado.

De modo geral, o desempenho agregado das quatro categorias econômicas também permaneceu positivo. Bens de consumo duráveis avançaram impulsionados pelo maior número de veículos produzidos; bens intermediários registraram acréscimo diante da maior demanda por insumos; bens de capital cresceram em linha com a ampliação da produção de máquinas e equipamentos; e bens de consumo semiduráveis e não duráveis apresentaram leve alta, beneficiados pela estabilização do mercado de trabalho e do crédito.

Segmentos que ficaram no campo negativo

Apesar da expansão generalizada, alguns ramos ainda enfrentaram retração. A maior queda foi observada na indústria farmacêutica, com recuo de 5,5% em fevereiro. O declínio, de acordo com o IBGE, deve-se em parte a uma base de comparação elevada, pois o setor havia exibido forte crescimento nos meses finais de 2025.

Químicos e metalurgia também registraram desempenho negativo, sinalizando que a recuperação industrial não é homogênea. A fabricação de produtos químicos sentiu redução da demanda de determinados insumos, enquanto a metalurgia sofreu com menores encomendas internas e externas.

Influência de fatores sazonais e conjunturais

O IBGE atribui a recente sequência de resultados positivos a uma normalização gradual do processo produtivo, interrompido no final do ano passado por férias coletivas, manutenções programadas e restrições pontuais de fornecimento de componentes. A retomada das linhas de montagem em janeiro já havia apontado tendência de recuperação, confirmada em fevereiro pela continuidade do crescimento e pela maior amplitude entre os segmentos.

Além da recomposição de estoques, a demanda interna moderada, a melhora no mercado de trabalho e condições de crédito ligeiramente mais favoráveis contribuíram para sustentar a produção. No entanto, o instituto destaca que a indústria ainda opera abaixo de sua capacidade plena, situação expressa pela distância em relação ao recorde histórico de 2011.

Perspectivas condicionadas à consistência da demanda

Para os próximos meses, o desempenho industrial dependerá do comportamento do consumo, dos investimentos empresariais e do cenário externo. A continuidade da expansão verificada em veículos e derivados do petróleo pode favorecer novos ganhos, mas segmentos que seguem em queda poderão limitar um avanço mais robusto se não houver recuperação da demanda setorial.

Enquanto isso, a comparação interanual ainda reflete bases heterogêneas, impactadas pelos efeitos da pandemia, choques de oferta e ajustes de estoques. A leitura do IBGE reforça que o setor iniciou o ano em trajetória positiva, mas que a consolidação desse movimento exigirá manutenção das condições favoráveis observadas até fevereiro.

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