A Secretaria Municipal de Saúde (Sesau) de Campo Grande voltou a chamar a atenção da população para a importância da vacinação anual de cães e gatos depois da confirmação laboratorial de cinco casos de raiva em morcegos neste ano. A medida é considerada a principal barreira contra a disseminação do vírus entre animais domésticos e, por consequência, seres humanos.
O episódio mais recente foi registrado na região central do município, onde uma equipe do Centro de Controle de Zoonoses (CCZ) recolheu um morcego em condição anormal. Exames confirmaram a presença do vírus, assim como ocorreu em outros quatro espécimes capturados nos bairros Vivendas do Bosque, Santa Fé, Jardim Campo Alto e outro ponto do Centro. Todos os resultados foram validados por laboratório de referência, seguindo protocolo sanitário.
De acordo com o CCZ, a maior parte das colônias de morcegos presentes em Campo Grande é formada por animais frugívoros ou insetívoros, que não oferecem risco quando permanecem em seu habitat. Entretanto, qualquer morcego pode, eventualmente, portar o vírus da raiva e transmitir a enfermidade a outros mamíferos por meio de mordidas ou arranhões. Por esse motivo, a Sesau orienta que se considere suspeito todo morcego encontrado em circunstância atípica, como caído no chão, vivo ou morto, com voo diurno ou dentro de residências.
A recomendação é não tocar no animal sob nenhuma hipótese. O procedimento indicado inclui isolar o ambiente para impedir a aproximação de pessoas ou outros animais domésticos e acionar imediatamente o CCZ para recolhimento adequado. Após a captura, cada espécime é submetido a exame específico para detecção do vírus rábico, etapa fundamental para mapear áreas de risco e adotar possíveis ações de bloqueio vacinal.
A pasta ressalta que morcegos observados em comportamento habitual — voando à noite, alimentando-se ou abrigados durante o dia em locais elevados — não devem ser manipulados. Em caso de dúvida, o órgão recomenda contatar as equipes técnicas para orientação.
Quando há contato direto, mesmo sem mordida aparente, com morcego suspeito ou animal potencialmente infectado, a Sesau orienta procurar uma unidade de saúde que funcione 24 horas para avaliação médica imediata. Nesses quadros, pode ser necessário iniciar o protocolo de profilaxia antirrábica humana, que combina vacina e soro de acordo com a exposição.
Vacinação disponível diariamente
A vacinação antirrábica para cães e gatos é oferecida durante todo o ano no CCZ, situado na Avenida Senador Filinto Müller, 1.601, Vila Ipiranga. O atendimento ocorre de segunda a sexta-feira, das 7h às 21h, e aos sábados, domingos e feriados, das 6h às 22h. Manter o imunizante em dia reduz o risco de circulação do vírus e protege não apenas os animais, mas também a comunidade, já que a raiva é considerada letal em quase 100% dos casos quando os sintomas se manifestam.
Se o encontro com o morcego ocorrer fora do horário de funcionamento do CCZ, a orientação é conter o animal com auxílio de balde, caixa ou pano grosso, sempre evitando contato direto, e solicitar o serviço assim que possível. Para acionamento, os telefones disponíveis são (67) 3313-5000, (67) 2020-1801, (67) 2020-1789 e (67) 2020-1794, conforme o período do dia:
Segunda a sexta-feira (7h às 17h): (67) 2020-1801 / (67) 2020-1789
Segunda a sexta-feira (17h às 21h) e fins de semana ou feriados (6h às 22h): (67) 2020-1794
Como identificar situação anormal
Entre os sinais que caracterizam comportamento suspeito estão:
- Morcego encontrado de dia em locais abertos;
- Animal pousado ou caminhando no chão;
- Dificuldade para voar, sinais de desorientação ou presença dentro de residências;
- Morcego morto em áreas de convivência humana ou animal.
Nessas circunstâncias, o isolamento imediato do local e o aviso às autoridades sanitárias são procedimentos essenciais para evitar acidentes.
A Sesau reforça que a raiva é uma zoonose viral de evolução rápida e fatal, porém inteiramente prevenível por meio da vacinação animal e da profilaxia humana pós-exposição. O cumprimento das orientações, aliado à notificação rápida de morcegos em situação anormal, contribui para manter baixos os índices de circulação do vírus em Campo Grande.








