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Cristãos ressaltam sentido espiritual da Páscoa além do consumo de chocolates

A aproximação da Páscoa costuma movimentar prateleiras de supermercados e vitrines de lojas especializadas, impulsionando um dos períodos mais lucrativos para a indústria de chocolates. O apelo comercial, embora evidente, não resume a importância da data para comunidades cristãs de Três Lagoas, no Mato Grosso do Sul, que concentram a atenção na celebração da ressurreição de Jesus Cristo e nos valores de renovação, esperança e vida nova associados ao evento religioso.

O pastor Fabiano Campache, da Igreja do Evangelho Quadrangular do bairro Alvorada, observa que a tradição de presentear com ovos de chocolate não conflita com a fé. Ele destaca, entretanto, que a maior parte dos fiéis procura manter o foco na mensagem bíblica, que recorda a morte e a vitória de Cristo sobre a morte. Para o líder evangélico, o gesto de compartilhar doces pode integrar o momento de confraternização familiar, desde que não obscureça o propósito espiritual da data.

No calendário cristão, a Páscoa assume posição central porque reafirma o principal pilar da doutrina: a convicção de que Jesus ressuscitou ao terceiro dia. Entre os fiéis, o período funciona como convite à reflexão sobre atitudes pessoais e comunitárias, estímulo ao perdão e incentivo à prática da solidariedade. Igrejas de diferentes denominações organizam cultos especiais, vigílias e ações de assistência social, buscando traduzir em atos concretos os ensinamentos que emergem dessa liturgia.

A Igreja Católica inicia a preparação para a Páscoa quarenta dias antes, na Quaresma. Segundo o bispo da Diocese de Três Lagoas, Dom Luiz Gonçalves Knupp, esse intervalo de recolhimento espiritual propõe jejum, oração e caridade como instrumentos de transformação interior. A orientação pastoral recomenda revisão de hábitos, busca de reconciliação e intensificação da vida comunitária, abrindo caminho para a celebração pascal de forma consciente e renovada.

Uma das etapas mais significativas desse percurso é a Sexta-Feira Santa, feriado nacional que recorda a paixão e a morte de Jesus. Nessa data, os católicos são aconselhados a praticar jejum e abster-se de carne em sinal de penitência. Em Três Lagoas, a programação inclui missa às 15h, horário tradicionalmente associado ao momento em que Cristo expirou, reunindo fiéis em vigília de silêncio e oração.

O simbolismo da Sexta-Feira Santa, segundo Dom Luiz, destaca a dimensão do sacrifício e prepara o coração dos participantes para o anúncio da ressurreição na Vigília Pascal. Na noite de sábado para domingo, velas são acesas em templos e residências, representando a luz de Cristo que, de acordo com a tradição, venceu as trevas da morte. No domingo, celebrações festivas marcam o fim do período de recolhimento e reafirmam a convicção de vida nova.

Apesar de práticas litúrgicas distintas, católicos e evangélicos compartilham a ênfase na mensagem de renovação. Para o pastor Fabiano Campache, a ressurreição inspira a superação de desafios cotidianos e reforça a disposição dos fieis a recomeçar. Ele avalia que, mesmo em meio à forte presença de produtos sazonais, muitos cristãos procuram equilibrar o caráter festivo com experiências de oração e leitura bíblica em família.

O comércio local também percebe a coexistência das duas dimensões. Empresários relatam aumento de vendas nas semanas que antecedem a Páscoa, mas observam que parte dos clientes busca artigos religiosos, bíblias, velas e objetos litúrgicos paralelamente aos ovos de chocolate. A procura indica, segundo lojistas, que a população mantém o interesse pela simbologia tradicional da data enquanto acompanha as novidades do mercado alimentício.

Nas comunidades eclesiais, iniciativas sociais ganham destaque durante esse período. Grupos de voluntários organizam arrecadação de alimentos, visitas a hospitais e campanha de doação de sangue, interpretando o gesto de servir ao próximo como forma prática de celebrar a vida nova proclamada na Páscoa. Para os organizadores, essas ações concretizam ideais de compaixão e fraternidade que sustentam a narrativa cristã da ressurreição.

Dessa forma, a Páscoa em Três Lagoas se estabelece como data que harmoniza tradições populares e ritos religiosos. Enquanto os ovos de chocolate permanecem atração incontestável nos pontos de venda, igrejas lembram que o núcleo da comemoração reside na fé em Cristo ressuscitado. Seja no silêncio da Quaresma, no jejum da Sexta-Feira Santa ou na alegria do Domingo de Páscoa, o período convida à revisão de valores e à reafirmação da esperança que, para os cristãos, surge do túmulo vazio.

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