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Agronegócio sustenta superávit de US$ 1,76 bilhão em Mato Grosso do Sul no primeiro trimestre de 2026

Mato Grosso do Sul encerrou o primeiro trimestre de 2026 com superávit comercial de US$ 1,76 bilhão, resultado de exportações que somaram US$ 2,51 bilhões e importações de US$ 751,58 milhões entre janeiro e março. Os dados constam da Carta de Conjuntura do Setor Externo, elaborada pela Assessoria Especial de Economia e Estatística da Secretaria de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação (Semadesc).

Na comparação com igual período de 2025, houve recuo de 1,66% no valor exportado, mas o volume embarcado avançou 11,83%, totalizando 6,82 milhões de toneladas. O desempenho confirma a trajetória de saldos positivos mantida pelo estado desde 2015, ainda que o superávit tenha ficado 5,93% abaixo do registrado um ano antes.

Força do campo

O agronegócio permaneceu na liderança da pauta estadual. A soja respondeu por 28,32% das vendas externas, seguida pela celulose (27,41%) e pela carne bovina (19,38%). Completam a lista de principais itens o farelo de soja, as carnes de aves e o milho. Consideradas em conjunto, as commodities agropecuárias registraram alta de 11,11% nos preços médios e de 11,41% no volume exportado, reforçando a dependência do estado em relação ao setor.

Enquanto isso, a indústria de transformação anotou retração de 3,0% nos preços e de 2,68% no volume vendido ao exterior. Já a indústria extrativa apresentou cenário misto: forte queda de 45,29% nos preços, mas aumento de 42,36% na quantidade embarcada.

Importações concentradas em energia e máquinas

As compras externas somaram US$ 751,58 milhões, expansão de 10,10% sobre o primeiro trimestre de 2025. O gás natural liderou as importações, com participação de 24,21%, seguido por caldeiras para geradores de vapor (16,74%) e por álcoois e derivados (9,65%).

Apesar do crescimento das importações, o saldo comercial permaneceu positivo devido ao peso das exportações agroindustriais. Segundo a Semadesc, fatores como a oscilação dos preços internacionais de commodities e a instabilidade geopolítica influenciaram o resultado, limitando a valorização das vendas mesmo diante do aumento do volume despachado.

Principais destinos e rotas de escoamento

A China absorveu 44,84% das exportações sul-mato-grossenses no período, reforçando sua posição como principal parceiro comercial do estado. Na sequência apareceram Estados Unidos (8,58%), Países Baixos (4,35%) e Itália (3,0%).

O escoamento da produção ocorreu majoritariamente pelos portos da região Sul e Sudeste. Paranaguá respondeu por 40,83% das remessas, Santos por 38,27% e São Francisco do Sul por 9,37%. Essa distribuição logística mantém tendência observada em trimestres anteriores, com preferência por terminais que oferecem infraestrutura apta a receber grandes volumes de granéis agrícolas e celulose.

Municípios mais exportadores

No recorte municipal, Três Lagoas concentrou 18,94% das vendas externas, impulsionada principalmente pela indústria de celulose instalada no município. Ribas do Rio Pardo participou com 12,01%, enquanto Dourados respondeu por 9,87% e Campo Grande, por 7,59%. As quatro localidades, juntas, representaram quase metade do total movimentado pelo estado.

Câmbio e contexto histórico

A cotação média do dólar em março de 2026 foi de R$ 5,23, ligeira alta de 0,59% frente a fevereiro e baixa de 8,96% na comparação anual. O patamar cambial, aliado às flutuações dos preços das commodities, influenciou o valor final das exportações. Mesmo assim, Mato Grosso do Sul manteve o padrão histórico de superávits iniciado em 2015, sustentado pelo dinamismo do agronegócio e pela presença de cadeias industriais voltadas ao mercado externo.

De acordo com a Secretaria de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação, o cenário global continuou impondo pressões nos preços de produtos básicos durante o primeiro trimestre, o que se refletiu na leve queda do faturamento em dólares. Ainda assim, o crescimento do volume embarcado atenuou parte do efeito adverso sobre a balança estadual.

Com os números consolidados, o estado segue dependente da performance dos segmentos de soja, celulose e carne bovina para manter o fluxo de divisas e o saldo positivo nas contas externas. A expectativa oficial é de que a ampliação de mercados e a diversificação da pauta exportadora possam compensar eventuais oscilações de preços nos próximos meses.

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