A Polícia Civil de Mato Grosso do Sul prendeu, na manhã desta quarta-feira (8), em Campo Grande, o homem apontado como autor do feminicídio da manicure Valdinéia Ferreira Delgado, de 34 anos. O crime ocorreu em julho de 2023 e, desde então, o investigado, identificado pelas iniciais I.G., 53 anos, era considerado foragido. A captura foi conduzida pela equipe de Capturas da 1ª Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (Deam), responsável pelo inquérito que esclareceu as circunstâncias do homicídio.
Prisão realizada pela Deam
Segundo informações da corporação, os policiais localizaram o suspeito em um endereço da capital sul-mato-grossense após diligências iniciadas ainda em 2023. A ordem de prisão preventiva, expedida pela Justiça, foi cumprida sem resistência. De acordo com a Deam, o detido responderá por homicídio qualificado por motivo torpe, com recurso que dificultou a defesa da vítima, além da qualificadora de feminicídio e pelo crime de ocultação de cadáver. Depois dos procedimentos na delegacia, ele foi encaminhado para uma unidade prisional, onde permanecerá à disposição do Judiciário.
Relação marcada por violência doméstica
O inquérito policial aponta que Valdinéia e o acusado mantiveram um relacionamento por aproximadamente seis anos. Testemunhas ouvidas no processo relataram episódios recorrentes de violência doméstica. Consta nos autos que, na noite de 7 de julho de 2023, a vítima participou de uma festa junina no bairro em que morava. Ao regressar para casa, na madrugada do dia 8, foi surpreendida pelo companheiro, que, conforme a investigação, demonstrava comportamento possessivo e não aceitava que ela tivesse saído sem a sua companhia.
Na ocasião, I.G. teria desferido golpe no pescoço de Valdinéia, provocando lesões na coluna cervical que resultaram em morte imediata. A denúncia do Ministério Público sustenta que o ataque ocorreu de forma inesperada, impossibilitando qualquer reação ou defesa por parte da vítima, o que motivou a inclusão da qualificadora de recurso que dificultou a defesa.
Ocultação do corpo
Após consumar o homicídio, o autor, segundo a polícia, transportou o corpo de Valdinéia até uma estrada vicinal próxima à Avenida Zila Corrêa, nas imediações da entrada da empresa Diesel Transportes, em Campo Grande. O cadáver foi encontrado na noite de 8 de julho de 2023, inicialmente sem identificação. Peritos criminais realizaram exames papiloscópicos e confirmaram a identidade posteriormente, possibilitando a continuidade das investigações.
No decorrer das diligências, os agentes coletaram imagens de câmeras de segurança, depoimentos de moradores e registros telefônicos, elementos que reforçaram a suspeita contra o companheiro da vítima. Ainda em 2023, o delegado responsável representou pela prisão preventiva, deferida pelo Poder Judiciário, mas o investigado não foi localizado naquela ocasião.
Aspectos legais do caso
À época dos fatos, o feminicídio figurava como qualificadora do crime de homicídio, prevista no artigo 121, §2º, inciso VI, do Código Penal. A investigação concluiu que o motivo torpe esteve associado ao sentimento de posse do autor em relação à vítima e que o ambiente de violência doméstica caracterizou a incidência da qualificadora. Já a ocultação de cadáver, tipificada no artigo 211 do Código Penal, foi incluída diante da tentativa de dificultar a localização do corpo e a elucidação do crime.
Com a efetivação da prisão, o processo segue para a fase de instrução na Justiça. O Ministério Público já ofereceu denúncia, e a defesa do réu deverá ser intimada para apresentar manifestação. Caso pronunciado, o acusado será submetido a julgamento pelo Tribunal do Júri.
Próximos passos
Nos próximos dias, o inquérito será remetido ao Judiciário com relatório final, laudos periciais e depoimentos colhidos. A Deam informou que continuará acompanhando o andamento processual, enquanto familiares da vítima reforçam pedidos de punição rigorosa. O indiciado permanecerá recolhido até nova decisão judicial.
Com a captura do principal suspeito, a Polícia Civil considera encerrada a fase investigativa do homicídio que mobilizou equipes desde 2023. O desfecho coloca o caso sob apreciação do sistema de justiça criminal, responsável por definir eventual condenação e pena aplicável.









