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Expogrande 2026 começa em Campo Grande com otimismo e alertas sobre custos de produção

A 86ª edição da Expogrande foi aberta na quinta-feira, 9 de abril, no Parque de Exposições Laucídio Coelho, em Campo Grande. Produtores rurais, dirigentes de entidades setoriais e autoridades políticas participaram da solenidade que marcou o início de uma programação voltada a negócios, genética, tecnologia e capacitação até 19 de abril. O evento manteve o reconhecido papel de vitrine do agronegócio de Mato Grosso do Sul, mas revelou, logo na abertura, a combinação de confiança no desempenho do setor com a preocupação crescente em relação ao encarecimento dos insumos, ao endividamento no campo e à insegurança jurídica.

Responsável pela organização da feira, o presidente da Associação dos Criadores de Mato Grosso do Sul (Acrissul), Guilherme Bumlai, apresentou a Expogrande como demonstração da relevância estrutural do agronegócio para a economia regional e nacional. Em sua fala, destacou valores como trabalho e respeito vinculados à produção agropecuária, reforçando a ideia de que o campo segue como eixo central da geração de riqueza no Estado. Ao mesmo tempo, ponderou que fatores externos, como conflitos internacionais e elevação do preço do diesel, pressionam a rentabilidade, apesar do momento favorável da pecuária, sustentado por arroba firme e valorização da carne bovina brasileira no mercado global.

O cenário de custos elevados foi aprofundado pela senadora Tereza Cristina, também presente na cerimônia. A parlamentar apontou juros mais altos, dívidas recorrentes e risco de desabastecimento de fertilizantes nos próximos meses como obstáculos imediatos. Segundo ela, a guerra em curso no exterior já afeta os produtores brasileiros tanto nos preços quanto na disponibilidade de insumos estratégicos. A senadora mencionou a possibilidade de escassez de fertilizantes a partir de agosto e criticou a dependência do país em relação ao fornecimento externo, defendendo medidas estruturais para reduzir vulnerabilidades, inclusive no setor de combustíveis, com ênfase em misturas de etanol e biodiesel.

O governador Eduardo Riedel utilizou o palco da Expogrande para relacionar a feira ao ciclo de crescimento econômico de Mato Grosso do Sul. Ele citou a expansão de cadeias produtivas como floresta plantada, proteínas animais, soja, milho e geração de energia, além do avanço da segurança alimentar, para ilustrar a diversificação do agronegócio local. Riedel classificou o evento como um espaço que ultrapassa a realização de negócios, funcionando como retrato da contribuição do campo para emprego, renda e desenvolvimento regional.

Também presente, o senador Flávio Bolsonaro inseriu temas políticos na pauta ao afirmar compromisso com demandas do setor, em especial a redução da insegurança jurídica relacionada a questões fundiárias. Ele defendeu mudanças no debate sobre o marco temporal de terras indígenas e citou a necessidade de garantir maior autonomia a povos originários na decisão sobre o uso econômico de seus territórios. A participação do senador reforçou a condição da Expogrande de ponto de encontro não apenas para transações comerciais, mas para articulações políticas que influenciam diretamente o ambiente de negócios do agronegócio.

A programação da Expogrande 2026 reúne leilões de animais, mostras de genética, painéis técnicos, cursos de capacitação e espaço para lançamento de tecnologias voltadas ao aumento de produtividade. Empresas fornecedoras de máquinas, equipamentos e insumos agrícolas mantêm estandes destinados à prospecção de clientes e parcerias. A agenda cultural foi aberta com show do cantor Zezé Di Camargo, integrando entretenimento à movimentação econômica prevista para os onze dias de evento.

Em números, a feira mobiliza produtores de diferentes regiões de Mato Grosso do Sul, com expectativa de visitantes também de estados vizinhos. A Acrissul estima que o volume de negócios gerados em 2026 acompanhe, ou até supere, resultados de anos anteriores, quando a Expogrande registrou cifras expressivas na comercialização de animais e equipamentos. Mesmo assim, dirigentes e participantes mantêm atenção redobrada aos custos de produção, reconhecendo que a rentabilidade final depende de variáveis como preço do combustível, disponibilidade de fertilizantes e taxas de juros.

O debate sobre segurança jurídica, destacado por lideranças políticas, permanece no centro das preocupações do setor. Produtores e entidades cobram regras claras para a ocupação de terras e para investimentos de longo prazo, argumentando que decisões judiciais ou mudanças legislativas podem impactar diretamente a atração de crédito e a expansão de áreas produtivas. Esse fator, aliado à volatilidade internacional, compõe o panorama de riscos apontado durante a abertura da feira.

Apesar das incertezas, os discursos convergiram na avaliação de que o agronegócio sul-mato-grossense mantém capacidade de adaptação e liderança em diversas cadeias. A firmeza dos preços na pecuária, o avanço tecnológico na agricultura e a busca por fontes de energia renovável foram apresentados como exemplos de resiliência. Para lideranças do setor, o desafio reside em equilibrar a expansão da produção com políticas que garantam acesso a insumos a custos competitivos e assegurem marcos regulatórios estáveis.

A Expogrande 2026 prossegue até 19 de abril, período em que o Parque de Exposições Laucídio Coelho se mantém como ponto de convergência de negócios, debates públicos e atividades culturais. As discussões iniciadas na abertura indicam que a força econômica do agronegócio permanece sob observação atenta de quem acompanha a evolução dos preços dos insumos, as decisões políticas sobre a segurança jurídica no campo e os desdobramentos do cenário internacional.

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