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Declaração de Flávio Bolsonaro consolida pesquisas como critério para segunda vaga do PL ao Senado em MS

Campo Grande – A sucessão ao Senado em Mato Grosso do Sul ganhou novo desenho após a confirmação, feita em 9 de abril pelo senador Flávio Bolsonaro durante visita a Campo Grande, de que o Partido Liberal (PL) garantiu uma das duas candidaturas de 2026 ao ex-governador Reinaldo Azambuja. A outra posição, segundo o parlamentar, será definida mais adiante com base exclusiva em pesquisas internas de intenção de voto.

A sinalização de Flávio Bolsonaro desloca o centro da disputa para critérios quantitativos, afastando a possibilidade de um acerto imediato por articulações de bastidor. O partido passa, assim, a vincular a escolha do segundo nome ao desempenho medido em levantamentos periódicos, mantendo a competição em aberto entre Capitão Contar, Marcos Pollon e Gianni Nogueira.

Desempenho nas sondagens

Nos estudos já divulgados ao público, Capitão Contar desponta como o pré-candidato com melhor posicionamento entre os que ainda disputam a vaga. Pesquisa realizada pelo instituto Novo Ibrape e publicada em 31 de março indicou Azambuja com 19,2% das intenções de voto na média entre o primeiro e o segundo votos, seguido de Contar, que registrou 17,1%. Nelsinho Trad apareceu na sequência, com 15,2%, enquanto Marcos Pollon obteve 4,7% e Gianni Nogueira, 2,5%.

Quando o recorte é restrito ao segundo voto para o Senado, o cenário se apresenta mais equilibrado. No mesmo levantamento, Nelsinho Trad alcançou 15,8%, Azambuja ficou com 14,8% e Contar marcou 13,6%. A margem de erro de três pontos percentuais coloca os três em situação de empate técnico. Além disso, mais de um terço dos entrevistados declarou intenção de votar em branco, anular ou que ainda não decidiu, fator que reforça a volatilidade do quadro a dois anos da eleição.

Efeito da carta de Jair Bolsonaro

Outro ponto de tensão interna foi a divulgação de uma carta atribuída ao ex-presidente Jair Bolsonaro em apoio a Marcos Pollon. Questionado sobre o documento, Flávio Bolsonaro afirmou que a manifestação não considerou um acordo previamente estabelecido pela direção da sigla: a definição da segunda candidatura somente após avaliações de desempenho em pesquisa. Segundo ele, todos os interessados no posto já tinham conhecimento dessa regra interna, o que, na prática, esvaziou o peso do endosso a Pollon como fator decisivo.

Com essa posição, a direção nacional procura reduzir conflitos e estabelecer critérios claros para evitar disputas prolongadas. Ao mesmo tempo, o partido preserva a possibilidade de reagir a mudanças no humor do eleitorado, monitorando variações nos índices de intenção de voto até a proximidade do período de convenções partidárias, em 2026.

Reorganização no PL sul-mato-grossense

A confirmação de Azambuja como primeiro nome cria um novo eixo de alianças regionais, pois o ex-governador tem presença consolidada no interior do estado e no setor agropecuário. Com essa vaga ocupada, Capitão Contar, Marcos Pollon e Gianni Nogueira concentram esforços em ampliar exposição pública, fortalecer bases municipais e melhorar desempenho nos próximos levantamentos.

Contar, que foi candidato ao governo do estado em 2022 e terminou o primeiro turno em primeiro lugar, tenta capitalizar a lembrança de sua votação passada. Já Marcos Pollon, deputado federal, aposta na pauta de segurança pública e defesa de direitos de proprietários rurais para ampliar seu eleitorado. Gianni Nogueira, ex-deputada estadual, trabalha para se apresentar como alternativa feminina na chapa liberal.

Dirigentes locais avaliam que a estratégia de aguardar pesquisas reduz riscos de defecções e acomoda disputas internas sem ruptura. Ao mesmo tempo, a indefinição prolongada pode alimentar pressões para que cada pré-candidato busque maior visibilidade, o que tende a fortalecer agendas próprias dentro da mesma legenda.

Margem para movimentações futuras

Analistas que acompanham o processo eleitoral em Mato Grosso do Sul observam que, apesar de Azambuja já estar garantido, sua posição nas sondagens não o isenta de negociar apoios para sustentar a chapa majoritária. O senador Nelsinho Trad, que hoje aparece nas mesmas pesquisas em patamar próximo ao ex-governador, ainda não definiu partido para 2026, o que pode influenciar eventuais alianças e alterar a correlação de forças.

Além disso, o percentual elevado de eleitores indecisos sugere espaço significativo para oscilações nas intenções de voto. Mudanças no cenário nacional, a atuação parlamentar dos pré-candidatos e fatores regionais, como desempenho econômico e políticas estaduais de segurança e infraestrutura, também podem interferir na formação de preferência do eleitor até o pleito.

Enquanto o calendário eleitoral não avança, o PL mantém reuniões internas e acompanha novas pesquisas de opinião para ajustar estratégias. A meta declarada é chegar a 2026 com uma chapa competitiva, unificada e testada previamente pelos números, diminuindo incertezas sobre a aceitação popular dos nomes escolhidos.

Com a regra ratificada por Flávio Bolsonaro, os três pré-candidatos que permanecem na disputa se veem diante de um desafio mensurável: apresentar crescimento constante nos índices de intenção de voto até que a direção do partido considere o ambiente político maduro para a escolha final. Até lá, Capitão Contar sustenta vantagem numérica, mas a definição sobre quem acompanhará Reinaldo Azambuja na corrida ao Senado segue em aberto.

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