A Fundação de Serviços de Saúde de Dourados (Funsaud) encaminhou ofício à Central de Regulação de Leitos, ao Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) e ao Corpo de Bombeiros comunicando a superlotação no Hospital da Vida, principal unidade de urgência e trauma da macrorregião de Dourados, no Mato Grosso do Sul. O documento também foi enviado ao Ministério Público Estadual e ao serviço de atendimento de urgência da concessionária Motiva Pantanal, responsável pela BR-163.
O alerta ocorre em meio à epidemia de chikungunya que atinge o município e já provocou sete mortes confirmadas. Segundo a Funsaud, a combinação de alta demanda por casos relacionados à doença transmitida pelo Aedes aegypti e o fluxo regular de pacientes de trauma levou a área vermelha do hospital a ultrapassar a capacidade técnica, enquanto todos os leitos de Unidade de Terapia Intensiva (UTI) permanecem ocupados.
Dados apresentados no ofício indicam a presença de 12 pacientes internados na área vermelha, 20 em leitos de UTI e 17 na área verde, destinada a casos de menor gravidade. Além disso, as enfermarias de clínica médica e cirúrgica estão totalmente preenchidas. Até o dia anterior ao envio da comunicação, quatro pessoas aguardavam vaga na ortopedia e outras quatro aguardavam classificação de risco para definição do local de internação.
De acordo com a Funsaud, equipes da regulação hospitalar realizam busca ativa para identificar pacientes que possam ser transferidos a serviços de saúde de seus municípios de origem ou a leitos de retaguarda disponíveis em outras cidades. A medida busca liberar espaço, mas enfrenta limitações devido ao perfil de referência regional do Hospital da Vida.
Localizado em Dourados, o hospital é o único de caráter público especializado em urgência e trauma num raio de aproximadamente 300 quilômetros. Por essa razão, recebe pacientes encaminhados de 33 municípios da macrorregião, o que pressiona a capacidade física, especialmente em períodos de surtos epidemiológicos ou aumento de ocorrências de acidentes em rodovias.
A administração municipal informou que, apesar da lotação, nenhum paciente deixou de receber atendimento. Segundo a prefeitura, a situação de sobrecarga se repete há anos, agravada pela ausência de alternativas de internação de alta complexidade em cidades vizinhas. O comunicado municipal afirma ainda que a equipe hospitalar permanece mobilizada para garantir assistência dentro dos protocolos de emergência.
No documento encaminhado às autoridades, a médica reguladora responsável detalhou a necessidade de apoio imediato dos órgãos de regulação e transporte sanitário. A solicitação inclui a avaliação de transferências intermunicipais, priorização de remoções aeromédicas quando cabível e reforço de leitos temporários em hospitais de menor complexidade.
Com a epidemia de chikungunya ainda em curso, a Vigilância em Saúde de Dourados mantém campanhas de combate ao mosquito transmissor, orientando a população sobre eliminação de criadouros e sintomas de alerta. As unidades básicas de saúde também foram instruídas a intensificar o acolhimento de casos suspeitos, a fim de reduzir a procura direta pelo pronto-socorro do Hospital da Vida.
A Secretaria de Estado de Saúde monitora a evolução dos casos na região e mantém contato com os gestores locais para avaliar a possibilidade de habilitação de novos leitos de UTI em hospitais de apoio. A pasta informou que estuda aporte financeiro emergencial para custeio de insumos e contratação de profissionais, enquanto busca pactuações com municípios vizinhos para redistribuir a demanda.
Em paralelo, o Samu e o Corpo de Bombeiros revisaram protocolos de encaminhamento, orientando as equipes de resgate a comunicar a Central de Regulação de Leitos antes de cada remoção. A medida pretende evitar deslocamentos longos sem confirmação prévia de vaga, reduzindo o tempo de espera de pacientes em ambulâncias.
Para parte dos gestores municipais, a situação reforça a necessidade de expansão da rede hospitalar regional e de pactuação mais efetiva entre os 33 municípios atendidos. A avaliação é que, sem novos investimentos em infraestrutura e custeio, episódios de superlotação tendem a se repetir, sobretudo em picos sazonais de doenças transmitidas por vetores e em feriados prolongados, quando há aumento de acidentes nas rodovias.
Enquanto as medidas estruturais não avançam, o Hospital da Vida permanece operando com capacidade excedida, dependendo de remanejamentos internos, transferências externas e da colaboração de outras instituições para manter o atendimento aos pacientes que chegam diariamente em busca de assistência de urgência e emergência.








