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Novo superintendente interino do Sebrae-MS aposta em continuidade e integração para impulsionar pequenos negócios

Luiz Aurélio Adler assumiu interinamente a superintendência do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas em Mato Grosso do Sul (Sebrae-MS) com o compromisso de manter a estratégia já aprovada pela entidade e ampliar a inserção de empreendedores de menor porte nas grandes cadeias produtivas do Estado. A declaração foi feita durante participação no evento RCN Agro 2026, em entrevista à jornalista Karina Anunciato.

Com carreira de aproximadamente 20 anos dentro do Sebrae, Adler destacou que a trajetória anterior — que inclui passagem pelas áreas de integridade, gerência jurídica e acompanhamento da diretoria passada — oferece base para uma transição sem sobressaltos. Segundo ele, a experiência acumulada facilita identificar o que deve ser preservado e o que pode receber ajustes pontuais, sempre dentro do planejamento que já recebeu aval do conselho deliberativo.

O dirigente classificou o atual momento econômico de Mato Grosso do Sul como favorável e, por isso, considera urgente preparar micro e pequenas empresas para aproveitar o fluxo de investimentos que o Estado vem atraindo. Para Adler, a instituição tem papel decisivo ao oferecer orientação técnica e atuar como ponte entre empreendedores e atores públicos ou privados capazes de destravar barreiras recorrentes, principalmente o acesso a crédito.

De acordo com o superintendente interino, as dificuldades para obtenção de financiamento continuam entre as queixas mais frequentes apresentadas ao Sebrae. Para enfrentar o problema, a entidade mantém diálogo permanente com representantes do Banco do Brasil e da Caixa Econômica Federal que integram o conselho deliberativo estadual. A expectativa é que a articulação institucional ajude a criar condições mais acessíveis de financiamento para o segmento, considerado o principal gerador de empregos no Estado.

Além das questões financeiras, Adler elencou consultoria, precificação e orientação para expansão como demandas constantes dos pequenos negócios. Ele avaliou que o Sebrae deve oferecer não apenas atendimento técnico, mas também apoio estratégico para conectar empreendedores a oportunidades que surjam em setores de maior porte, especialmente o agronegócio. “O campo não funciona isolado”, afirmou, ao explicar que há uma rede de fornecedores, prestadores de serviço e outras empresas de menor porte que podem ganhar espaço quando preparadas para atender grandes indústrias instaladas na região.

Nesse contexto, o superintendente mencionou o trabalho de encadeamento produtivo conduzido pela instituição. A proposta é capacitar micro e pequenas empresas para que se tornem fornecedoras competitivas, reduzindo custos logísticos das companhias maiores e estimulando a circulação local de renda. Outra frente destacada foi a plataforma Cidade Empreendedora, destinada a aprimorar o ambiente legal e institucional dos municípios, simplificando procedimentos e favorecendo a inclusão de novos empreendimentos nas cadeias econômicas emergentes.

Questionado sobre o perfil de liderança exigido para o cargo, Adler apontou a conciliação de interesses como habilidade central. Ele defendeu a construção de unidade entre órgãos públicos, instituições privadas e sociedade civil organizada como caminho para fortalecer o ambiente de negócios. Sem essa convergência, argumentou, projetos perdem força e as iniciativas de desenvolvimento ficam fragmentadas.

A superintendência interina tem, inicialmente, duração prevista para o período eleitoral, mas o prazo pode ser estendido conforme as circunstâncias. Adler declarou que, independentemente do tempo à frente do posto, pretende atuar com dedicação integral para entregar as metas estabelecidas no planejamento estratégico. Entre os fatores que exigem atenção consta o calendário eleitoral, que costuma impor restrições administrativas e orçamentárias a órgãos vinculados a recursos públicos.

O plano de trabalho definido pelo conselho deliberativo inclui ações voltadas à inovação, digitalização e melhoria de gestão nas micro e pequenas empresas, áreas que ganharam relevância após a pandemia de covid-19. Embora o foco principal seja a execução do que já foi delineado, Adler sinalizou disposição para imprimir características próprias à gestão, desde que não comprometam a continuidade do programa em curso.

Ao final da entrevista, o dirigente sintetizou o desafio colocado para o Sebrae-MS: assegurar que o ciclo de crescimento vivido por Mato Grosso do Sul alcance também os empreendedores de menor porte. Para ele, permitir que micro e pequenas empresas fiquem à margem do avanço econômico ampliaria desigualdades e desperdiçaria potencial produtivo. A meta, portanto, é garantir que o suporte oferecido pela instituição se traduza em aumento de competitividade, geração de empregos e expansão sustentável das atividades empresariais no Estado.

Com a posse interina de Luiz Aurélio Adler, o Sebrae-MS inicia uma etapa focada em execução de projetos, articulação com entidades financeiras e fortalecimento de redes produtivas regionais, mantendo como centro da agenda o público que busca transformar a própria realidade por meio do empreendedorismo.