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Casos de dengue caem 94% em Três Lagoas, mas nove confirmações de chikungunya mantêm autoridades em alerta

Os registros de dengue em Três Lagoas apresentaram recuo expressivo em 2026, porém a circulação do Aedes aegypti segue alimentando a preocupação com a chikungunya. Boletim epidemiológico da Secretaria Municipal de Saúde indica 15 casos confirmados de dengue entre janeiro e abril deste ano, número que contrasta com os 257 contabilizados no mesmo período de 2025. A redução, na ordem de 94%, ocorreu sem a ocorrência de óbitos em 2026, enquanto no ano passado houve uma morte associada à doença.

O comportamento favorável também aparece nas notificações suspeitas. Em 2025, o município havia registrado 978 comunicados de possíveis infecções por dengue. Em 2026, o volume caiu mais de 80%, sinalizando um cenário de menor circulação viral. Embora os dados apontem para controle da enfermidade, o poder público alerta que o vetor permanece ativo, o que exige vigilância constante por parte da população.

No mesmo intervalo de tempo, a chikungunya apresentou nove confirmações em Três Lagoas. O total representa queda de aproximadamente 77% em relação aos 35 casos observados em 2025, mas mantém o tema no radar das equipes de saúde. O coordenador do Setor de Endemias, Alcides Ferreira, frisa que ambas as arboviroses demandam atenção, porém a chikungunya tem potencial para provocar sintomas mais prolongados, especialmente dores articulares que podem persistir por meses e comprometer a rotina dos pacientes.

Ferreira destaca que a diminuição dos números não autoriza relaxamento das medidas de prevenção. Segundo ele, o segundo semestre costuma reunir condições climáticas propícias à reprodução do Aedes aegypti, elevando o risco de novo crescimento das notificações. A estratégia municipal, afirma o coordenador, envolve intensificação das ações educativas, vistorias domiciliares, bloqueios de transmissão e engajamento da comunidade na eliminação de criadouros.

A continuidade das campanhas de orientação vem sendo apontada como um dos fatores que contribuíram para a queda nas estatísticas de dengue. Entre as recomendações reforçadas pelas equipes de endemias estão a remoção de recipientes que acumulem água, o armazenamento correto de resíduos, a limpeza regular de calhas e caixas d’água e a manutenção de quintais livres de entulhos. O setor lembra que pequenas quantidades de água parada, a exemplo de tampas de garrafas ou pratinhos de plantas, são suficientes para a postura de ovos do mosquito.

Além das medidas já conhecidas, a Secretaria de Saúde monitora o avanço de uma vacina contra chikungunya que poderá integrar, no futuro, o conjunto de ferramentas de combate às arboviroses. Até o momento, não há definição oficial quanto ao público-alvo nem cronograma de aplicação em âmbito municipal, mas a expectativa é de que a imunização amplie a capacidade de resposta diante de possíveis surtos.

Enquanto a vacina não está disponível, a orientação continua firmada na prevenção. Moradores são aconselhados a dedicar atenção especial a caixas d’água destampadas, piscinas sem tratamento, pneus expostos e recipientes esquecidos em áreas externas. As equipes lembram que o Aedes aegypti possui ciclo de desenvolvimento rápido: em condições favoráveis de temperatura e umidade, o ovo evolui para adulto em cerca de uma semana.

O município reforça ainda a importância de procurar assistência médica ao primeiro sinal de febre, dor de cabeça, mal-estar ou dores no corpo. O diagnóstico precoce, observam os profissionais, contribui para acompanhamento adequado e evita complicações, sobretudo em indivíduos com comorbidades. No caso da chikungunya, a identificação rápida também possibilita controle mais efetivo de focos, uma vez que a transmissão depende da presença do mosquito.

Em relação à estrutura assistencial, a rede pública local mantém unidades básicas e pronto atendimento em regime de plantão para recepção de casos suspeitos. Amostras coletadas são enviadas para análise laboratorial, procedimento que permite confirmar ou descartar a infecção e orientar intervenções nos bairros afetados. As informações resultantes alimentam o boletim epidemiológico, divulgado periodicamente pela Secretaria de Saúde.

No panorama geral, Três Lagoas contabiliza, em 2026, cenários distintos para as duas arboviroses. De um lado, a dengue demonstra retração expressiva, tanto em notificações quanto em confirmações. De outro, a chikungunya, mesmo em patamar inferior ao ano anterior, mantém-se como foco de atenção por suas manifestações clínicas mais prolongadas e pelo fato de compartilhar o mesmo vetor. A avaliação das autoridades é de que somente a participação contínua da população, aliada às iniciativas de vigilância, poderá sustentar a tendência de queda e impedir novos surtos no município.

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