Search

Misto corre risco de abandonar a Série B do Estadual por falta de recursos

Com pouco menos de dois meses para o início do Campeonato Sul-Mato-Grossense de Futebol Série B, o Misto Esporte Clube, de Três Lagoas, ainda não definiu elenco nem comissão técnica e pode ficar fora da competição. A incerteza foi confirmada pelo presidente do clube, Antônio Carlos Teixeira, que condiciona a participação a um aporte de R$ 500 mil. Sem esse valor, a direção considera inviável montar um grupo capaz de disputar o acesso à primeira divisão estadual.

O alerta ocorreu durante um amistoso que celebrou os 33 anos de fundação do Misto, realizado nesta semana. No evento, que reuniu torcedores e ex-jogadores, Teixeira disse que as negociações para viabilizar o orçamento não avançaram conforme o planejado. “Ainda não temos nada certo”, afirmou o dirigente, explicando que o montante inicialmente tratado segue pendente e, caso não se confirme, a equipe não terá condições financeiras de entrar em campo na Série B.

Segundo o presidente, os R$ 500 mil destinam-se a custos básicos para a temporada, incluindo salários, alojamento, alimentação e logística de atletas e comissão técnica. A verba também cobriria taxas de inscrição na Federação de Futebol de Mato Grosso do Sul e gastos com uniformes, material esportivo e viagens. Sem o recurso, o clube avalia não apenas a impossibilidade de competir de forma equilibrada, mas também o risco de comprometer compromissos trabalhistas caso opte por disputar o torneio sem planejamento adequado.

A situação do Misto contrasta com a de outros participantes da segunda divisão estadual. De acordo com Teixeira, rivais da capital e de cidades vizinhas já deram início à pré-temporada e contam com patrocínios ou repasses assegurados. Enquanto esses clubes treinam e contratam reforços, a agremiação de Três Lagoas segue sem elenco e sem comissão técnica, agravando a desvantagem de preparação num campeonato que concede duas vagas para a elite do futebol sul-mato-grossense.

O cronograma oficial aponta que a Série B deve começar na segunda quinzena de outubro. Até lá, as equipes precisam registrar atletas, inscrever estádios, apresentar exames médicos e cumprir exigências da federação. Para o Misto, o intervalo é considerado exíguo. A diretoria calcula que seriam necessários, no mínimo, 45 dias de treino para formar um time competitivo, o que torna fundamental garantir receita até meados de setembro para dar início às contratações.

Teixeira reforça que o objetivo, caso o recurso seja obtido, é brigar pelo título ou, ao menos, pelo vice-campeonato, pois ambas as posições garantem acesso à Série A do Estadual. “Nossa vontade é entrar para buscar o primeiro ou segundo lugar”, comentou, lembrando que o clube participou do arbitral da federação e apresentou documentação preliminar, mas alertou sobre a dependência financeira para confirmar presença na tabela.

No início do ano, a Prefeitura de Três Lagoas anunciou publicamente a intenção de apoiar o principal time da cidade. A parceria envolveria patrocínio institucional e cessão de estrutura de treinamento, porém o repasse ainda não ocorreu. O presidente do Misto afirma manter diálogo com o prefeito Cassiano Maia e acredita que a ajuda virá, mas reconhece que o prazo se torna cada vez mais apertado. “Está chegando a hora decisiva”, disse o dirigente, que espera uma definição em dez a quinze dias.

Enquanto aguarda a resposta do poder público, a diretoria busca alternativas junto à iniciativa privada, mas as negociações esbarram na proximidade do campeonato e na conjuntura econômica local. Empresários sondados demonstram interesse condicionado à visibilidade do time em campo, criando um impasse que só poderá ser resolvido se surgir capital de giro imediato. Sem um sinal financeiro claro, não há como firmar contratos de trabalho nem reservar hospedagem para atletas que viriam de outras regiões.

Sem elenco anunciado, as categorias de base também sentem o impacto da indefinição. Jovens formados no próprio clube aguardam convocação para avaliações, mas a comissão técnica só será contratada se os recursos forem liberados. Isso impede, por exemplo, a realização de observações técnicas e amistosos preparatórios, etapas consideradas cruciais para integrar atletas locais ao grupo profissional e reduzir custos de mercado.

Nos bastidores, torcedores organizados pressionam a diretoria por transparência e agilidade, enquanto seguem vendendo produtos oficiais para ajudar nas finanças. Entretanto, a mobilização voluntária cobre apenas despesas pontuais e não chega perto da quantia necessária para sustentar uma campanha estadual. Caso o impasse persista além da quinzena estipulada, o Misto poderá formalizar à federação sua desistência da Série B, devolvendo a vaga e concentrando esforços na reestruturação interna para futuras temporadas.

Isso vai fechar em 35 segundos