O debate sobre a falta de representantes de Três Lagoas na Câmara dos Deputados e na Assembleia Legislativa voltou a ganhar força durante a sessão ordinária da Câmara Municipal realizada nesta semana. O assunto, que já havia sido mencionado em outras ocasiões, foi colocado novamente em evidência pelo vereador Fernando Jurado. Ao ocupar a tribuna, o parlamentar argumentou que a ausência de um deputado federal eleito pela cidade interfere diretamente na capacidade do município de captar recursos junto aos governos estadual e federal.
Jurado frisou que, sem um representante próprio em Brasília ou na Assembleia de Mato Grosso do Sul, Três Lagoas depende, em grande parte, de intermediários de outras regiões para apresentar projetos, pleitear emendas parlamentares e acompanhar a tramitação de demandas específicas. Segundo o vereador, essa dependência compromete a agilidade dos processos, reduz a visibilidade das prioridades locais e pode resultar em atrasos na liberação de verbas para obras e serviços essenciais.
A preocupação apresentada pelo legislador se soma a um histórico recente de eleições nas quais o município não conseguiu eleger candidatos locais para cargos proporcionais. O cenário tem gerado discussões frequentes entre lideranças comunitárias, entidades de classe e partidos políticos, especialmente em períodos pré-eleitorais, quando se definem estratégias para a formação de chapas competitivas.
Na avaliação exposta durante a sessão, o vereador observou que outras cidades de porte semelhante a Três Lagoas, mas com representantes no Congresso e na Assembleia, conseguem canalizar mais investimentos para infraestrutura, saúde, educação e desenvolvimento econômico. Ele argumentou que, em muitos casos, emendas individuais ou de bancadas regionais são fundamentais para acelerar projetos que, de outra forma, ficariam dependentes exclusivamente dos orçamentos estaduais ou federais.
Além do impacto financeiro, o parlamentar destacou que a representatividade política também fortalece a voz do município em comissões temáticas, frentes parlamentares e audiências públicas, espaços onde se definem políticas públicas de alcance regional. Para Jurado, a falta de participação direta nesses fóruns limita a influência de Três Lagoas na formulação de leis que podem beneficiar setores estratégicos da economia local, a exemplo da indústria de celulose e do agronegócio.
O debate sobre representatividade ocorre em um momento em que agentes públicos de todo o país começam a se preparar para as eleições gerais de 2026. Nesse contexto, uma cartilha divulgada pela Advocacia-Geral da União (AGU) chama a atenção para as condutas vedadas a servidores, gestores e demais agentes que pretendem atuar no processo eleitoral. O material alerta que práticas como disseminação de notícias falsas, utilização da máquina pública em prol de candidaturas e participação irregular em eventos de campanha podem caracterizar abuso de poder político ou econômico, resultando em sanções administrativas e judiciais.
De acordo com a cartilha, o rigor no cumprimento da legislação eleitoral busca assegurar igualdade de condições entre os concorrentes e preservar os princípios da administração pública. O documento ressalta a importância de que todos os envolvidos observem as regras desde o período pré-campanha até a apuração dos votos, evitando condutas que possam comprometer a lisura do pleito.
A divulgação das orientações da AGU foi recebida pelos vereadores como um lembrete de que a mobilização pela eleição de representantes locais deve respeitar integralmente a legislação vigente. Durante a sessão, alguns parlamentares observaram que a busca por nomes competitivos precisa ocorrer de maneira transparente, sem recorrer a práticas que possam ser enquadradas como abuso de poder ou uso indevido de recursos institucionais.
Embora o foco principal da discussão tenha sido a necessidade de eleger pelo menos um deputado federal com domicílio eleitoral em Três Lagoas, a conversa também incluiu a importância de fortalecer candidaturas para a Assembleia Legislativa. Segundo os participantes, a presença de representantes tanto em Brasília quanto no parlamento estadual ampliaria as possibilidades de articulação política, especialmente na negociação de emendas e na defesa de pautas que impactem diretamente a população local.
Ao final da sessão, ficou acordado entre os vereadores que o tema voltará à pauta nos próximos encontros, com o objetivo de construir um planejamento conjunto que envolva partidos, lideranças comunitárias e o setor produtivo. A expectativa é de que, até o início do próximo calendário eleitoral, o município defina estratégias para ampliar sua representatividade, garantindo, assim, maior acesso a recursos e influência nos espaços de decisão.









