A Petrobras concluiu a escolha das empresas que vão executar os serviços de engenharia, suprimentos e construção (EPC) para a retomada da Unidade de Fertilizantes Nitrogenados 3 (UFN-3), em Três Lagoas (MS), e iniciou a fase de negociação dos valores ofertados. O encerramento da etapa licitatória marca mais um avanço no processo de reativação do complexo, considerado estratégico para o abastecimento de fertilizantes no país e para a economia sul-mato-grossense.
Com o objetivo de aumentar a participação de fornecedores e estimular a competitividade, a estatal optou por dividir os contratos em sete lotes EPC. Segundo a companhia, o fracionamento tende a reduzir custos, fortalecer cadeias produtivas locais e ampliar a concorrência entre as empresas.
No EPC 01, que engloba serviços de drenagem, pavimentação interna e interligações, o menor preço foi apresentado pelo consórcio ETC Empreendimentos e Tecnologia em Construção / Engeko Engenharia, no valor de R$ 327,5 milhões. O EPC 02, referente a parte dos sistemas de utilidades e energia, ficou com a Engeko Engenharia, que ofertou R$ 375,9 milhões.
O consórcio Enfil / Carioca venceu o EPC 03, dedicado ao sistema de amônia, com proposta de R$ 579,6 milhões. Já o EPC 04, voltado ao módulo de granulação de ureia, foi adjudicado à Nova Engevix Engenharia e Projetos por R$ 546,9 milhões.
Para o EPC 05, responsável pelas instalações de estocagem e expedição, o menor preço (R$ 1,09 bilhão) foi apresentado pelo consórcio Monto Industrial / Mendes Júnior. O EPC 06, que inclui serviços de montagem eletromecânica e tubulações, teve como vencedora a Coesa Construção e Montagens, com proposta de R$ 548,6 milhões. No EPC 07, ligado a sistemas de automação, a melhor oferta partiu do consórcio Nova Engevix / PowerChina, no valor de R$ 663,5 milhões.
A previsão inicial da companhia era concluir esses processos contratuais em 2025; contudo, o fechamento ocorreu já no início do segundo trimestre de 2024. Com os vencedores definidos, a Petrobras planeja iniciar as frentes de obra ainda neste ano e concluir o empreendimento até o fim de 2029. De acordo com a diretoria, o cronograma é considerado conservador e está alinhado ao Plano Estratégico 2026-2030, que prevê US$ 15,8 bilhões para investimentos em Refino, Transporte, Comercialização, Petroquímica e Fertilizantes.
O Conselho de Administração aprovou oficialmente a retomada da UFN-3 em 13 de abril, após nova avaliação que confirmou viabilidade técnica e econômica. Aproximadamente 81% das estruturas civis e industriais já estão concluídas. As obras começaram em 2011, mas foram interrompidas em 2014 em razão da rescisão contratual com o consórcio formado pela Sinopec e pela Galvão Engenharia.
Para finalizar o complexo, o investimento estimado é de cerca de US$ 1 bilhão, equivalente a aproximadamente R$ 5 bilhões. Durante a fase de construção, a Petrobras calcula a geração de cerca de 8 mil empregos diretos e indiretos.
Quando estiver em plena operação, a planta deverá produzir 3,6 mil toneladas diárias de ureia e 2,2 mil toneladas diárias de amônia. O foco principal de abastecimento será os mercados do Centro-Oeste, Sul e Sudeste, regiões com forte presença do agronegócio. A estatal avalia que a entrada em funcionamento da UFN-3 contribuirá para diminuir a dependência brasileira da importação de fertilizantes nitrogenados e reforçará a integração da indústria petroquímica com a cadeia agrícola.
A localização de Três Lagoas, próxima a importantes polos consumidores e a corredores logísticos rodoferroviários e hidroviários, é apontada pela empresa como um dos fatores que sustentam a competitividade do projeto.








