Um residente do Jardim das Paineiras, em Paranaíba (MS), registrou ocorrência na Polícia Civil após descobrir, dentro de sua própria casa, um encanamento que, segundo ele, desviava água para o imóvel vizinho. A suspeita surgiu depois de anos de contas consideradas acima do consumo habitual, situação que motivou diversas tentativas de solucionar o problema por meios técnicos antes de recorrer às autoridades.
De acordo com o boletim de ocorrência, a Polícia Militar foi acionada para atender a denúncia na Rua Limeira, onde o morador relatou gastos expressivos e constantes na fatura emitida pela concessionária. Na tentativa de reduzir os valores, ele substituiu registros, trocou o cavalete e refez parte da tubulação interna. Mesmo assim, as cobranças permaneceram elevadas, levantando a hipótese de que algo fora do padrão pudesse estar ocorrendo no sistema hidráulico da residência.
O documento policial informa que, em diferentes ocasiões, o proprietário fechou o registro principal de água antes de sair para o trabalho e, ao retornar, encontrou o dispositivo aberto. A repetição desse fato reforçou a desconfiança de que a rede estivesse sendo manipulada por terceiros sem autorização. Com a persistência do problema, o morador decidiu fazer uma inspeção mais aprofundada por conta própria.
Na última verificação, ele quebrou parte de uma parede interna e localizou um cano conectado à tubulação original do imóvel. Conforme relatado aos policiais, a derivação seguia em direção ao banheiro da casa vizinha, sugerindo o compartilhamento não autorizado do abastecimento público. A descoberta levou o proprietário a solicitar a presença da Polícia Militar para registrar formalmente a situação e evitar que o possível desvio continuasse ocorrendo.
Durante a abordagem, o morador do imóvel ao lado informou aos policiais que seu pai, já falecido, teria planejado construir um poço artesiano a ser dividido entre as duas residências. Segundo ele, o projeto não foi concluído, e nenhuma ligação definitiva entre as casas teria sido autorizada. A existência do encanamento encontrado, contudo, permaneceu sem explicação imediata, motivo pelo qual a perícia técnica foi acionada.
A Polícia Civil requisitou a presença de peritos no local para analisar o trajeto da tubulação, verificar se há ligação direta com o fornecimento da companhia de água e confirmar a origem exata do fluxo. A análise deverá indicar se houve efetivamente desvio de água e se a conduta configura crime de furto qualificado, previsto no Código Penal quando envolve subtração de serviço de utilidade pública.
Após o atendimento inicial, os envolvidos foram conduzidos à delegacia para prestar depoimento. O proprietário detalhou as providências tomadas ao longo dos anos, incluindo as trocas de equipamentos hidráulicos, enquanto o vizinho apresentou sua versão sobre o plano do poço artesiano. As declarações ficarão anexadas ao inquérito instaurado para apurar responsabilidade individual e eventual prejuízo financeiro à concessionária.
Em casos semelhantes, a perícia costuma verificar o diâmetro dos canos, o sentido do fluxo de água e a compatibilidade das conexões com a instalação original. Com base nesses elementos, é possível estabelecer se houve adulteração proposital no sistema. O laudo técnico servirá de subsídio para a autoridade policial decidir sobre indiciamento e encaminhamento do processo ao Ministério Público.
Enquanto aguarda o resultado da investigação, o morador prejudicado mantém fechado o registro principal sempre que necessário e acompanha o consumo registrado no hidrômetro. A concessionária, informada extraoficialmente sobre o fato, poderá ser chamada a apresentar histórico de fornecimento e confirmar o volume total de água faturado nos últimos anos, dados que podem reforçar o cálculo do suposto prejuízo.
A Polícia Civil não informou prazo para a conclusão do inquérito, mas destacou que a complexidade de perícias hidráulicas pode demandar vistorias adicionais e análises laboratoriais de materiais coletados. Caso fique comprovado o furto, os responsáveis poderão responder criminalmente e também ser acionados na esfera cível para ressarcir valores cobrados indevidamente ao vizinho lesado.
Até o momento, não há indicativo de conflito direto entre os moradores além do relato registrado, e ambos aguardam os desdobramentos legais. As investigações seguem sob responsabilidade da Delegacia de Polícia Civil de Paranaíba, onde o caso foi oficializado.








