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Caiado acusa Lula de interceder no exterior para evitar classificação de facções brasileiras como terroristas

O ex-governador de Goiás e pré-candidato à Presidência da República, Ronaldo Caiado (PSD), afirmou nesta sexta-feira (15), em Campo Grande, que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) atuou no exterior em defesa de facções criminosas brasileiras. Segundo o político, o governo federal teria recorrido à diplomacia para impedir que o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho fossem enquadrados como organizações terroristas em âmbito internacional.

Declarações durante evento empresarial

As críticas foram feitas em pronunciamento na sede da Federação das Indústrias do Estado de Mato Grosso do Sul (Fiems). Diante de empresários e representantes do setor produtivo, Caiado relatou que a gestão petista buscou o governo dos Estados Unidos para pleitear a não inclusão das facções em listas de terrorismo. Ele mencionou, sem apresentar documentos, um encontro com o então presidente norte-americano Donald Trump como parte dessa suposta articulação.

“Ele foi porta-voz lá fora pedir pelas facções criminosas”, disse o pré-candidato, atribuindo ao Planalto a defesa de grupos que, segundo ele, “deterioram a nação”. Caiado não detalhou quando a alegada reunião teria ocorrido, mas sustentou que o episódio exemplifica uma política de segurança pública “conivente” com o crime organizado.

Alcance internacional do PCC e do Comando Vermelho

O ex-governador citou dados de autoridades estrangeiras para ilustrar a expansão das facções. De acordo com sua exposição, os grupos controlam rotas de tráfico de cocaína que partem de Bolívia, Peru e Colômbia, atravessam o oceano Atlântico e chegam à Europa. Portugal foi apontado como ponto de forte inserção brasileira, e cidades como Miami, nos Estados Unidos, estariam na rota de distribuição.

Caiado também declarou que “mais da metade do território e das prefeituras da Amazônia Brasileira” estariam sob a influência do PCC e do Comando Vermelho. Para o pré-candidato, essa presença limita a ação do Estado em áreas remotas e compromete serviços públicos, criando núcleos de poder paralelo.

Segurança como condição para governar

Ao comparar o cenário interno com zonas de conflito em outros países, Caiado argumentou que nenhum governo consegue implementar políticas sociais ou econômicas consistentes sem controlar o território. Na avaliação dele, a retomada da autoridade sobre regiões dominadas por facções deve ser prioridade nacional.

“A primeira missão de um governante é garantir a segurança do cidadão”, declarou. Ele propôs um modelo de atuação integrado entre forças policiais, inteligência e sistemas de fiscalização de fronteiras para conter a movimentação de entorpecentes e armas.

Experiência em Goiás apresentada como referência

Durante o discurso, o ex-chefe do Executivo goiano listou medidas adotadas em seu estado que, segundo ele, reduziram indicadores criminais. Entre as ações mencionadas estão a criação de um núcleo de inteligência com mais de mil agentes, o fortalecimento da comunicação entre polícias civil e militar e a adoção de protocolos rígidos nos presídios, como a restrição de visitas íntimas para detentos ligados a facções.

Para demonstrar resultados, Caiado citou o preço de apólices de seguro. De acordo com o pré-candidato, o mercado reduziu os valores cobrados para veículos, caminhões e residências em Goiás, o que, em seu entender, reflete a percepção de menor risco. Ele sugeriu que a comparação de custos entre estados serve como indicador indireto da eficácia das políticas de segurança.

Conexão com a corrida presidencial

O posicionamento de Caiado surge no momento em que o PSD define estratégias para a sucessão presidencial. Embora o partido ainda não tenha oficializado candidaturas, o ex-governador tem intensificado agendas em diferentes regiões do país e utilizado eventos setoriais para apresentar propostas, com foco especial na área de segurança pública.

Ao responsabilizar o governo federal pelo avanço do crime organizado, o pré-candidato mira no eleitorado que prioriza ações de combate à violência. As declarações também tensionam a relação política entre PSD e PT, partidos que, em níveis regionais, mantêm alianças pontuais.

O Palácio do Planalto não se manifestou até o momento sobre as acusações. Nenhuma documentação oficial referente a eventual intervenção diplomática em favor de facções foi apresentada pelo ex-governador durante o evento.

As críticas de Caiado se somam a debates recentes sobre o enquadramento de grupos criminosos como terroristas. No Congresso Nacional, projetos de lei sobre o tema voltaram à pauta após ataques que tiveram origem em facções. A classificação internacional, no entanto, depende de acordos multilaterais e critérios específicos definidos por cada país.

Com a fala em Campo Grande, o pré-candidato reforçou a segurança pública como eixo central de sua plataforma e sinalizou que pretende levar o tema para o centro da campanha eleitoral, caso sua candidatura seja oficializada pelo PSD.