O ex-governador de Goiás e pré-candidato do PSD à Presidência da República, Ronaldo Caiado, cumpriu na sexta-feira (15) uma agenda extensa em Campo Grande, utilizando encontros com lideranças religiosas e representantes do setor produtivo para consolidar sua projeção nacional rumo às eleições de 2026. A passagem pela capital sul-mato-grossense incluiu reuniões, debates e coletiva de imprensa, nas quais o político reiterou que não cogita retirar a candidatura: “chance zero” de desistência, afirmou.
A programação teve início no Slaviero Prime Hotel, onde Caiado participou do evento “Diálogo com as Lideranças Evangélicas”. Diante de pastores e representantes de igrejas, o pré-candidato defendeu pautas associadas a valores familiares, combate às drogas e fortalecimento da espiritualidade. Ele classificou o avanço das apostas on-line e jogos de azar como “uma praga” que, segundo avalia, compromete o orçamento doméstico e afeta principalmente os jovens. O político recordou a proximidade histórica com o segmento evangélico e destacou a família como pilar essencial para a coesão social.
No início da noite, o foco se deslocou para a economia e a infraestrutura nacional no fórum empresarial promovido no auditório da Federação das Indústrias do Estado de Mato Grosso do Sul (Fiems). Empresários, produtores rurais e comerciantes ouviram o pré-candidato criticar o avanço de facções criminosas no país e defender investimentos em tecnologia para impulsionar o desenvolvimento. Ele citou experiências adotadas em Goiás, como o uso de inteligência artificial em sistemas de identificação criminal instantânea, apresentando-as como exemplo de gestão pública voltada à segurança.
Caiado também direcionou críticas ao governo federal, classificando suas ações como populistas. Entre os pontos citados, mencionou a taxação de compras internacionais – popularmente chamada de “taxa das blusinhas” – e o programa Desenrola, que, na visão do pré-candidato, teria induzido parte da população ao endividamento. Para ele, o combate ao crime organizado e a modernização tecnológica são “chaves” para a retomada da confiança econômica.
Ao tratar de política energética e exploração mineral, Caiado adotou tom desenvolvimentista. Declarou que, eleito presidente, liberaria de imediato a exploração da margem equatorial e das jazidas nacionais de potássio e fósforo, argumentando que esses recursos são estratégicos para garantir a segurança alimentar do país. Segundo o ex-governador, destravar projetos de mineração e petróleo é condição para que o Brasil se posicione de forma competitiva no cenário internacional.
Em entrevista coletiva concedida após o fórum na Fiems, Caiado detalhou a estratégia para ampliar visibilidade até 2026. Disse ser desconhecido por 53% dos eleitores e que, por isso, pretende intensificar participação em debates, entrevistas e eventos regionais. Questionado sobre eventual recuo caso não avance nas pesquisas, descartou a hipótese e reiterou convicção de que a campanha ganhará tração à medida que seu nome se torne mais familiar ao público.
O pré-candidato também comentou o impacto das investigações que cercam figuras ligadas ao bolsonarismo, afirmando que denúncias de natureza pessoal devem ser enfrentadas individualmente sem alcançar as instituições ou comprometer a coalizão de oposição. Para o segundo turno, sugeriu a formação de um “ponto de concórdia” entre partidos de centro-direita, defendendo que eleitores apoiem o candidato mais convergente caso seu preferido não avance para a etapa final.
Ao longo das intervenções, Caiado reafirmou o desejo de se projetar como alternativa no Centro-Oeste, região que considera estratégica para uma candidatura competitiva. Nos encontros em Campo Grande, reforçou a mensagem de “autoridade moral” e “competência administrativa” construída durante sua gestão em Goiás. Ele argumenta que a experiência estadual em áreas como segurança pública, equilíbrio fiscal e inovação tecnológica pode ser replicada em nível federal.
A agenda no Mato Grosso do Sul termina neste sábado (16), quando Caiado visita o município de Dourados. Lá, o pré-candidato tem compromissos na Expoagro e participará de leilões pecuários ao lado de produtores rurais, estendendo o diálogo com o agronegócio – segmento considerado central para sua plataforma de desenvolvimento econômico.
Com a passagem por Campo Grande, o ex-governador conclui mais uma etapa de viagens pelo país, iniciativa que pretende intensificar ao longo dos próximos meses. O objetivo declarado é reduzir o índice de desconhecimento do eleitorado, solidificar alianças regionais e testar a receptividade de sua proposta de governo, baseada em segurança, tecnologia, responsabilidade fiscal e incentivo à produção.
Até o lançamento oficial das candidaturas em 2026, Caiado planeja repetir o formato de agendas que combinam interlocução com setores econômicos e diálogo com frentes religiosas, buscando ampliar bases de apoio tanto entre agentes do mercado quanto entre eleitores de perfil conservador. Segundo ele, a convergência desses grupos é o caminho para sustentar uma campanha competitiva capaz de chegar ao segundo turno e disputar o Planalto.









