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Caiado defende gestão técnica e critica governo federal em encontro com industriais de Mato Grosso do Sul

O ex-governador de Goiás e pré-candidato à Presidência da República, Ronaldo Caiado (PSD), apresentou suas propostas a empresários e representantes do setor produtivo na noite de sexta-feira (15), durante o evento “Diálogo sobre o Desenvolvimento do Brasil”, promovido no auditório da Federação das Indústrias de Mato Grosso do Sul (Fiems), em Campo Grande.

Após agenda vespertina com lideranças evangélicas e entrevista coletiva à imprensa, Caiado concentrou a exposição noturna em temas ligados ao Produto Interno Bruto, infraestrutura e segurança jurídica. O encontro reuniu dirigentes industriais, economistas e representantes do agronegócio, que questionaram o pré-candidato sobre competitividade, ambiente de negócios e caminhos para retomar o crescimento nacional.

Respaldado por indicadores de Goiás e de Mato Grosso do Sul, o político defendeu um modelo de administração baseado em critérios técnicos e no uso intensivo de tecnologia como estratégia para, segundo ele, conter o avanço de governos de esquerda na América Latina. No discurso de pouco mais de quarenta minutos, criticou a ausência de projetos estruturantes na esfera federal e afirmou que a boa gestão é a “maior vacina” contra o retorno do PT ao poder.

Caiado mencionou resultados de sua gestão em Goiás, citando o primeiro lugar no Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (IDEB) e o investimento em plataformas de reconhecimento facial para combate ao crime. Destacou ainda que o estado possui legislação específica sobre inteligência artificial aprovada há mais de três anos. Para o pré-candidato, a tentativa do governo federal de importar modelos regulatórios europeus “criminaliza a inovação”.

Questionado a respeito de denúncias envolvendo aliados do bolsonarismo, Caiado enfatizou ter quatro décadas de vida pública sem processos ou investigações. Declarou que assuntos de ordem pessoal ou partidária devem ficar restritos às comissões de ética internas e assegurou que a coalizão de oposição pretende marchar unida até o segundo turno das eleições de 2026, qualquer que seja o nome escolhido.

Em relação à economia, o ex-governador apresentou um plano que classificou como “desenvolvimentista agressivo”. Prometeu destravar, caso eleito, projetos na margem equatorial para exploração de petróleo e autorizar imediatamente a extração de potássio e fósforo em território nacional, com o argumento de garantir segurança alimentar e reduzir a dependência externa. Criticou o atual perfil exportador de commodities e a importação de produtos manufaturados chineses, ressaltando a necessidade de agregar valor à produção doméstica.

O pré-candidato também atacou o programa Desenrola, iniciativa do Executivo para renegociação de dívidas, alegando que o próprio governo foi responsável pelo endividamento da população ao permitir a combinação de inflação elevada e juros altos.

A abertura do painel coube ao presidente da Fiems, Sérgio Longen, que manifestou preocupação com propostas em tramitação no Congresso, entre elas a redução da jornada de trabalho sem corte salarial. Segundo Longen, a medida representaria impacto estimado em R$ 127 bilhões anuais para as empresas e agravaria a perda de competitividade da indústria brasileira diante da concorrência internacional. O dirigente também criticou a taxa básica de juros, afirmando que a Selic elevada inibe investimentos produtivos no país.

Na sequência, o economista-chefe da federação, Ezequiel Resende, apresentou dados regionais. De acordo com ele, Mato Grosso do Sul tem dobrado o PIB a cada seis ou sete anos e dispõe de carteira de investimentos privados em projetos industriais superior a R$ 115 bilhões para o período de 2023 a 2030. Resende atribuiu o desempenho ao ambiente considerado favorável aos negócios e ao avanço de setores como celulose, proteína animal e bioenergia.

Representando o agronegócio, o presidente da Federação da Agricultura e Pecuária de Mato Grosso do Sul (Famasul), Marcelo Bertoni, elencou obstáculos logísticos, citando a saturação da malha rodoviária estadual. Bertoni defendeu a abertura de novos mercados no exterior para reduzir a dependência da Ásia, responsável por 47,2% das compras dos produtos sul-mato-grossenses, e pediu previsibilidade regulatória e segurança jurídica no campo.

Encerrada a etapa na capital, Ronaldo Caiado segue neste sábado (16) para Dourados, onde visitará a Expoagro e participará de um leilão de pecuária, a convite de lideranças rurais, concluindo a passagem de dois dias por Mato Grosso do Sul.