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Em visita a Campo Grande, Ronaldo Caiado afirma que denúncias contra bolsonaristas não afetam sua pré-campanha

O ex-governador de Goiás e pré-candidato à Presidência da República, Ronaldo Caiado (PSD), cumpriu agenda política e religiosa em Campo Grande nesta sexta-feira (15). Ao conversar com a imprensa, o dirigente assegurou que as investigações que envolvem aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro não repercutem em seu projeto eleitoral para 2026. Segundo justificou, sua trajetória de quatro décadas na vida pública lhe confere credibilidade para disputar o Palácio do Planalto.

A passagem pela capital sul-mato-grossense incluiu participação no encontro “Diálogo com as Lideranças Evangélicas”, realizado em um hotel da região central e voltado a pastores e dirigentes de igrejas. A iniciativa faz parte de uma série de reuniões que o pré-candidato tem promovido em diversos estados para apresentar propostas e dialogar com segmentos religiosos.

Durante a coletiva, Caiado sustentou que o debate sucessório deve priorizar programas de governo e capacidade de gestão. Para ele, questões pessoais ou investigações envolvendo adversários não devem pautar a escolha do eleitor. O político ressaltou que pretende concentrar a campanha em temas como segurança pública, economia e desenvolvimento regional.

Na avaliação do ex-governador, o Brasil enfrenta avanço de organizações criminosas devido à falta de coordenação nacional. Ele defendeu maior autonomia para os estados na formulação de políticas de segurança, reforço no policiamento de fronteiras e ampliação da atuação federal contra tráfico de drogas, armas e lavagem de dinheiro. Como exemplo, citou a experiência de Goiás, onde, de acordo com ele, ações integradas reduziram indicadores de violência.

Questionado sobre a situação econômica, Caiado mencionou o agronegócio como pilar de crescimento e pontuou preocupação com barreiras ambientais impostas por nações europeias nas tratativas do acordo Mercosul-União Europeia. O pré-candidato argumenta que o país mantém rígido controle sanitário e condição para ampliar mercados externos sem comprometer a preservação ambiental. Na visão dele, a conclusão do acordo deve respeitar os termos originais, evitando restrições adicionais à produção brasileira.

No mesmo tema, o político elogiou o desempenho de Mato Grosso do Sul, destacando projetos de logística que integram o estado a rotas internacionais, como o corredor bioceânico que ligará portos brasileiros ao Oceano Pacífico. Ele também apontou a expansão do setor de celulose como exemplo de diversificação econômica regional, afirmando que iniciativas semelhantes podem ser replicadas em outras unidades da federação.

Em relação à articulação partidária, Caiado declarou apoio ao senador Nelsinho Trad (PSD) e reforçou que composições eleitorais devem ser conduzidas pelas lideranças locais. Para o ex-governador, cada estado possui particularidades políticas que precisam ser respeitadas, e intervenções externas tendem a fracassar quando ignoram essas especificidades.

Além dos compromissos oficiais, o pré-candidato reservou tempo para encontros reservados com dirigentes regionais do PSD e representantes do setor produtivo. As reuniões buscaram alinhar estratégias para ampliar a presença do partido no Centro-Oeste e estabelecer diretrizes para um eventual plano de governo.

Ao ser novamente indagado sobre os efeitos das denúncias que atingem o núcleo bolsonarista, Caiado reiterou que não responde a processos e que seu histórico parlamentar e executivo o distancia de suspeitas de corrupção ou malversação de recursos públicos. Ele acrescentou que a campanha presidencial deverá ser definida pela “capacidade de entregar resultados concretos” nas áreas de saúde, educação e infraestrutura.

A visita a Campo Grande encerra uma série de três viagens programadas para setembro, que incluíram passagens por Mato Grosso e Distrito Federal. Nas próximas semanas, a equipe do pré-candidato pretende intensificar encontros no Nordeste, região considerada estratégica pelo PSD para ampliar a base de apoio nacional.

Sem confirmar datas de lançamento oficial da pré-candidatura, Caiado informou que continuará percorrendo o país para coletar sugestões de setores produtivos, entidades de classe e movimentos sociais. Ele afirmou que pretende apresentar um programa de governo detalhado até o primeiro semestre de 2025, antes das convenções partidárias.

No encerramento da agenda em Mato Grosso do Sul, o ex-governador voltou a ressaltar o compromisso com o equilíbrio fiscal. Em sua avaliação, a gestão das contas públicas é fundamental para atrair investimentos privados, gerar empregos e sustentar políticas sociais. Ele defendeu modernização tributária que simplifique o sistema, favoreça a competitividade e garanta previsibilidade às empresas.

Caiado também fez menção às oportunidades abertas pela transição energética, considerando que o país possui diversificada matriz de geração. Para o pré-candidato, políticas de incentivo a fontes renováveis podem impulsionar cadeias industriais e criar novos polos de desenvolvimento, especialmente em regiões interioranas.

Com a agenda concluída, o ex-governador deixou Campo Grande no início da noite. Assessores informaram que os próximos compromissos públicos ocorrerão nas capitais nordestinas, onde o PSD organizará fóruns temáticos sobre segurança hídrica, infraestrutura portuária e redução das desigualdades regionais.