Dourados (MS) confirmou a 12ª morte atribuída a complicações da Chikungunya. De acordo com o Centro de Operações de Emergências em Saúde Pública (COE), a vítima é uma criança indígena de 12 anos que estava internada no Hospital Universitário da Universidade Federal da Grande Dourados (HU-UFGD). O óbito ocorreu em 3 de abril, após internação iniciada em 28 de fevereiro, e foi oficialmente ligado à doença em 19 de abril.
Com essa nova confirmação, o total de vítimas indígenas sobe para 10. Os demais falecimentos registrados até o momento envolvem moradores da área urbana do município. A atualização ocorre em um período no qual os indicadores da epidemia apresentam tendência de queda, segundo levantamento da Secretaria Municipal de Saúde.
Situação das mortes investigadas
Além dos 12 óbitos confirmados, o COE acompanha quatro casos suspeitos. Dois deles se referem a uma mulher de 74 anos e um homem de 71, ambos brancos e portadores de doenças crônicas, como diabetes e insuficiência renal. Os outros casos em investigação envolvem um idoso de 84 anos com doença arterial coronariana e um homem de 50 anos sem registro prévio de comorbidades, que faleceu na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) em 27 de abril de 2026. Os exames laboratoriais desses pacientes ainda não foram concluídos.
Panorama epidemiológico
O boletim divulgado nesta quarta-feira (20) apresenta 8.764 notificações de Chikungunya em Dourados desde o início do surto. Desse total, 5.154 casos são considerados prováveis, 4.066 foram confirmados laboratorialmente, 3.610 descartados e 1.088 permanecem em investigação.
Na Reserva Indígena, onde se concentra a maior parte dos registros graves, foram notificados 3.202 casos. Desses, 2.139 tiveram confirmação, 768 foram descartados e 295 ainda aguardam resultado. A taxa de positividade geral, calculada sobre a soma de exames positivos e negativos, está em 53%, percentual que, segundo o COE, indica ampla circulação do vírus entre a população sintomática testada.
Outro indicador acompanhado pelas autoridades é a taxa de ataque, que relaciona o número de doentes com o total de habitantes. Atualmente, esse índice está em 1,95% no município.
Queda nas internações
Os dados desta quarta-feira também mostram redução na ocupação de leitos destinados a pacientes com complicações da doença. No pico da epidemia, as internações variavam entre 52 e 58 pessoas. No momento, há 27 pacientes hospitalizados: 21 no HU-UFGD, um no Hospital Regional, três no Hospital da Vida e dois no Hospital Evangélico Mackenzie.
Embora a diminuição de internações indique alívio gradual na rede de saúde, o COE alerta que o cenário ainda requer atenção, sobretudo pela manutenção da alta taxa de positividade e pela ocorrência de novos óbitos.
Evolução da curva epidêmica
A Secretaria Municipal de Saúde identificou queda expressiva na curva de notificações a partir da 20ª semana epidemiológica. O recuo é atribuído a medidas de controle do vetor, intensificação de ações de vigilância e adesão de parte da população às orientações de eliminação de criadouros do Aedes aegypti. Mesmo com a tendência de declínio, o município continua em estado de atenção diante da possibilidade de novos focos e do registro de casos graves.
Perfil das vítimas confirmadas
Entre os 12 óbitos, 10 ocorreram na população indígena residente na reserva local, faixa etária diversa e, em alguns casos, com condições clínicas pré-existentes. As duas mortes restantes envolvem moradores da zona urbana de Dourados. A autoridade sanitária reforça que a vulnerabilidade socioambiental em áreas indígenas facilita a propagação do mosquito transmissor, contribuindo para o maior número de casos severos.
Orientações à população
Enquanto perdurar o estado de emergência, a Secretaria Municipal de Saúde recomenda:
- procurar atendimento médico ao primeiro sinal de febre, dor nas articulações ou manchas na pele;
- evitar uso de medicamentos sem orientação profissional;
- intensificar a limpeza de quintais, caixas-d’água e calhas para eliminar criadouros do mosquito;
- utilizar repelentes e instalar telas em portas e janelas, principalmente em residências com crianças, gestantes e idosos.
O COE informou que continuará divulgando boletins periódicos para atualizar a população sobre o avanço ou regressão da doença, além de manter ações conjuntas com as equipes de vigilância ambiental e atenção básica para monitorar eventuais novos focos do Aedes aegypti.
Total de casos registrados em Dourados até 20/04/2026:
- Notificados: 8.764
- Prováveis: 5.154
- Confirmados: 4.066
- Descartados: 3.610
- Em investigação: 1.088
Total de casos na Reserva Indígena:
- Notificados: 3.202
- Confirmados: 2.139
- Descartados: 768
- Em investigação: 295
As autoridades mantêm avaliação diária do quadro epidemiológico para definir novas estratégias de enfrentamento e reduzir o risco de complicações e mortes relacionadas à Chikungunya no município.








