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Pesquisa indica que sete em cada dez brasileiros com diabetes enfrentam impactos emocionais

Conviver com o diabetes tem repercussões que ultrapassam o controle glicêmico. Levantamento realizado pelo Global Wellness Institute em parceria com a Roche Diagnóstica mostra que 70% dos brasileiros que convivem com a doença relatam efeitos diretos sobre o bem-estar emocional. O estudo abordou mais de 4,3 mil pessoas em 22 países e detalhou que, no Brasil, 78% dos entrevistados sentem ansiedade ou preocupação constante com o futuro em razão do diagnóstico.

A pesquisa também aponta sensação de solidão entre os pacientes. Dois em cada cinco participantes no país declararam sentir-se isolados, enquanto 55% afirmaram não acordar totalmente descansados em função das oscilações de glicose durante a noite. Na rotina diária, 52% encontram dificuldade para permanecer muito tempo fora de casa e 46% relatam problemas em situações corriqueiras, como permanência em trânsito ou participação em reuniões prolongadas.

Entre pessoas com diabetes tipo 1, o impacto subjetivo ganha força: 77% afirmam que a condição interfere de forma significativa na qualidade de vida. A combinação de monitoramentos frequentes, preocupação com episódios de hipoglicemia e adaptação constante da alimentação amplia o grau de estresse relatado por esse grupo.

Diante do quadro emocional e dos desafios práticos, cresce a demanda por soluções tecnológicas capazes de antecipar variações glicêmicas. Segundo o levantamento, 44% dos participantes brasileiros consideram prioritário adotar ferramentas que prevejam alterações nos níveis de açúcar no sangue como forma de evitar complicações. O interesse aumenta entre usuários de métodos tradicionais, como a medição por ponta de dedo: quase metade desse grupo acredita que sensores contínuos com alertas preditivos poderiam melhorar o controle e reduzir situações de risco.

A previsibilidade ocupa lugar central nas expectativas coletadas. Mais da metade dos entrevistados desejaria utilizar sensores baseados em inteligência artificial que indiquem tendências de subida ou queda da glicose antes que ocorram. Entre pessoas com diabetes tipo 1, 68% manifestam essa preferência, reforçando a percepção de que a informação em tempo real contribui para decisões rápidas sobre alimentação, insulina e atividade física.

O vice-presidente da Sociedade Brasileira de Diabetes, endocrinologista André Vianna, destaca que o monitoramento contínuo possibilita intervenção antecipada, reduz complicações e tende a diminuir custos gerais. Segundo ele, pacientes acompanhados por sensores passam menos tempo em pronto-socorros, demandam menos internações e exigem menos recursos hospitalares, gerando economia para o sistema de saúde.

No entanto, o acesso amplo à tecnologia ainda encontra barreiras no país. Embora dispositivos de monitoramento contínuo estejam disponíveis em diversos mercados, a cobertura no sistema público brasileiro permanece restrita. Em janeiro de 2025, o Ministério da Saúde optou por não incorporar o método ao Sistema Único de Saúde (SUS) para indivíduos com diabetes tipos 1 e 2. A decisão reforçou a discussão sobre financiamento, custo-efetividade e sustentabilidade orçamentária.

O tema segue em análise no Congresso Nacional. Um projeto de lei aprovado na Comissão de Saúde da Câmara dos Deputados prevê a distribuição gratuita de sensores contínuos de glicose pelo SUS, mas ainda precisa avançar por outras comissões e pelo plenário antes de se tornar norma. Parlamentares favoráveis afirmam que a proposta poderá ampliar a autonomia dos pacientes e reduzir despesas futuras com complicações, enquanto opositores alertam para o impacto financeiro imediato da medida.

Especialistas e associações de pacientes argumentam que dispositivos com inteligência artificial podem oferecer previsibilidade, permitir ajustes mais rápidos no tratamento e, consequentemente, melhorar a qualidade de vida. A pesquisa do Global Wellness Institute reforça essa tese ao relacionar o uso de tecnologia a menores índices de ansiedade e a maior sensação de segurança. Para o grupo entrevistado, a integração de inovação, acompanhamento profissional e políticas públicas pode representar um passo decisivo na gestão do diabetes no Brasil.

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