O crescimento da energia solar no Brasil ganhou novo impulso e já impacta diretamente o orçamento de consumidores residenciais, empresas e produtores rurais em Mato Grosso do Sul. A avaliação é de Cicero Lima, Chief Commercial Officer da Órigo Energia, que detalhou o cenário atual do setor em entrevista ao programa Manhã da Massa, da Massa FM Campo Grande.
Segundo o executivo, a preocupação com mudanças climáticas deixou de ser um debate futuro e passou a influenciar decisões econômicas diárias. Ele destacou que a energia fotovoltaica vem ocupando espaço estratégico na matriz elétrica nacional ao substituir fontes de origem fóssil e reduzir a emissão de gases de efeito estufa.
Participação na matriz energética cresce sete vezes em cinco anos
Lima lembrou que, em 2021, a participação da energia solar representava 3% da matriz elétrica do país. A estimativa para 2026, segundo ele, é alcançar 23%, o que consolidaria o segmento como a segunda maior fonte de eletricidade no Brasil. Esse avanço, afirmou, está ligado à evolução tecnológica dos painéis, à expansão de parques solares e à queda dos custos de instalação e operação.
O executivo observou que a percepção de que investir em sustentabilidade é inviável financeiramente ainda persiste entre consumidores, mas já não corresponde à realidade do mercado. “Existe o mito de que é caro, quando na prática o modelo gera economia”, explicou durante a entrevista.
Economia entre 15% e 30% na fatura de energia
Os benefícios financeiros foram apontados como fator decisivo para a popularização da fonte. Com base em dados de consumo local, a Órigo Energia calcula que usuários de seus projetos no estado podem reduzir a conta de luz entre 15% e 30%, a depender do perfil de uso. Esse percentual é especialmente relevante em um contexto em que, segundo Lima, a tarifa de energia elétrica subiu de duas a três vezes acima da inflação nos últimos cinco anos.
O modelo de negócio adotado pela companhia é o de fazendas solares compartilhadas. Nessa estrutura, grandes usinas geram eletricidade que é injetada na rede distribuidora, e os créditos de energia são abatidos diretamente na fatura do cliente. O formato dispensa a instalação de painéis no imóvel do consumidor, eliminando custos de aquisição de equipamentos e obras, o que viabiliza o acesso a quem não dispõe de área própria ou capital para investimentos mais altos.
415 fazendas em operação e geração de empregos
Atualmente, a Órigo Energia tem 415 fazendas solares em funcionamento no país, mais de 25 delas em Mato Grosso do Sul. A presença desses complexos no interior do estado, de acordo com o CCO, favorece a criação de empregos diretos e indiretos durante as fases de construção, operação e manutenção. Além disso, pode gerar renda adicional para proprietários de terras que arrendam áreas para instalação dos painéis.
Lima ressaltou que a implantação das usinas também traz reflexos positivos para a economia local, como movimentação de fornecedores de equipamentos, contratação de serviços de logística e incremento em arrecadação de tributos municipais.
Digitalização simplifica adesão dos consumidores
Para ampliar o alcance da tecnologia, a empresa aposta na digitalização de processos. O cliente pode simular planos, checar a disponibilidade de créditos e concluir a contratação pela internet. Segundo o porta-voz, o fluxo de adesão envolve cinco etapas: cadastro, análise de elegibilidade, assinatura eletrônica do contrato, alocação da cota de geração e confirmação do desconto na fatura emitida pela distribuidora. O suporte permanece ativo até que o benefício apareça na conta, garantindo acompanhamento completo do usuário.
O executivo considera a simplificação burocrática fundamental para acelerar a transição energética. Ele avalia que a facilidade de contratação somada à economia imediata ajuda a desmistificar a ideia de que sustentabilidade gera apenas custos adicionais. “Quando o consumidor percebe que pode reduzir despesas e, ao mesmo tempo, contribuir para a redução de emissões, a decisão torna-se objetiva”, afirmou.
Perspectivas para a transição energética
O avanço da geração fotovoltaica acompanha metas de descarbonização assumidas pelo Brasil nos acordos climáticos internacionais. A expansão do segmento é vista pelo setor produtivo como um dos caminhos mais rápidos para diversificar a matriz elétrica e minimizar a dependência de usinas termelétricas movidas a combustíveis fósseis, que possuem maior impacto ambiental e custo operacional elevado.
Em Mato Grosso do Sul, a disponibilidade de áreas com elevada incidência solar e linhas de transmissão próximas favorece novos projetos. Órgãos reguladores e investidores monitoram ajustes regulatórios que possam agilizar a conexão de usinas e estimular a entrada de mais consumidores no mercado de geração distribuída.
Com a combinação de ganhos financeiros diretos, geração de empregos regionais e contribuição para metas climáticas, a energia solar se consolida como alternativa de baixo risco para quem busca reduzir despesas e ampliar a segurança energética. A expectativa do setor é manter o ritmo de crescimento nos próximos anos, reforçando o papel da fonte fotovoltaica na transição brasileira para uma matriz elétrica mais limpa e competitiva.








