A Polícia Civil de Mato Grosso do Sul participou, na manhã desta terça-feira (2), de uma etapa da Operação Riqueza Sombria, ação coordenada pela Polícia Civil do Rio de Janeiro que investiga uma organização criminosa envolvida em tráfico de drogas, tráfico interestadual de entorpecentes e lavagem de capitais. As equipes sul-mato-grossenses cumpriram mandados de busca e apreensão em Campo Grande, Dourados e Sete Quedas, atuando de forma simultânea às diligências realizadas em outros estados.
Segundo a corporação, a operação foi planejada para reunir elementos que demonstrem a estrutura financeira e a logística utilizada pelo grupo para movimentar recursos ilícitos. Os investigadores buscam identificar rotas de transporte, integrantes responsáveis pelo abastecimento de pontos de venda e mecanismos empregados para ocultar valores provenientes das atividades criminosas. A ação integra um esforço nacional que envolve unidades policiais de diferentes regiões, voltado ao enfrentamento do crime organizado e à apreensão de patrimônio obtido de maneira ilegal.
Em Mato Grosso do Sul, a execução dos mandados contou com a atuação conjunta do Departamento de Polícia Especializada (DPE) e do Departamento de Polícia do Interior (DPI). Além de cumprir ordens judiciais de busca, as equipes adotaram outras medidas cautelares previstas pela Justiça, com o objetivo de garantir a preservação de provas e impedir a dissipação de bens suspeitos de origem ilícita. A integração entre os departamentos também permitiu a distribuição de efetivo para cobrir simultaneamente os três municípios alvos da operação.
Durante as buscas, os policiais civis procuraram celulares, computadores, documentos, registros contábeis e quaisquer suportes físicos ou digitais capazes de comprovar a movimentação financeira do grupo. Materiais desse tipo, de acordo com os investigadores, facilitam a identificação de hierarquia interna, transações bancárias, fornecedores de entorpecentes e eventuais “laranjas” utilizados para ocultar ganhos. Equipamentos eletrônicos recolhidos serão encaminhados para perícia, a fim de extrair dados armazenados em nuvem, aplicativos de mensagens e históricos de transferências.
Em Campo Grande, o cumprimento de um dos mandados resultou na apreensão de uma arma de fogo encontrada em posse de um investigado. Diante do flagrante, o suspeito foi detido e encaminhado para a delegacia, onde foi lavrado auto de prisão. No mesmo endereço, os agentes recolheram aparelhos eletrônicos e anotações contábeis que, segundo a polícia, podem ajudar a mapear pagamentos, dívidas e repasses internos da organização criminosa. Todo o material foi catalogado e permaneceu à disposição da autoridade judicial para subsidiar as próximas fases do inquérito.
Em Sete Quedas, outra arma de fogo foi localizada enquanto os agentes executavam a ordem judicial. O responsável pelo objeto também foi autuado em flagrante por porte ilegal. Já em Dourados, embora não tenham sido registradas prisões durante a manhã, os policiais recolheram documentos e dispositivos eletrônicos que serão analisados pela equipe de inteligência. A corporação informou que, até o momento, não há divulgação dos nomes dos detidos ou dos alvos de busca, medida adotada para não comprometer a continuidade das investigações.
A Polícia Civil destacou que a Operação Riqueza Sombria reforça a importância da cooperação interestadual no combate a grupos que atuam em mais de um território. O compartilhamento de informações entre as unidades do Rio de Janeiro e de Mato Grosso do Sul permitiu a identificação de endereços estratégicos, o cruzamento de dados financeiros e a definição de equipes especializadas para cada tipo de alvo. A troca de inteligência, afirma a instituição, aumenta a efetividade das ações e reduz a possibilidade de fuga ou destruição de provas por parte dos investigados.
De acordo com a corporação, a investigação prossegue em sigilo, com análise de registros bancários, quebras de sigilo telemático e perícia nos materiais recolhidos. O objetivo é apontar todos os integrantes do esquema, detalhar a participação de cada um e rastrear o caminho do dinheiro obtido com o tráfico de drogas. Novas fases não estão descartadas, e outras unidades da federação poderão ser acionadas conforme surgirem evidências de ramificações fora dos dois estados já envolvidos. A Polícia Civil informou que, assim que as circunstâncias permitirem, atualizará o número de prisões, bens bloqueados e valores apreendidos.








