O município de Dourados confirmou, nesta sexta-feira (5), a décima quarta morte associada à febre chikungunya desde o início da atual epidemia. A nova vítima é um homem de 78 anos, residente na área urbana, que apresentou os primeiros sintomas em 14 de maio, foi internado no dia seguinte no Hospital Universitário da Universidade Federal da Grande Dourados (HU-UFGD) e faleceu em 3 de julho. O óbito consta no Relatório Epidemiológico Diário de Monitoramento de Casos de Febre Chikungunya, divulgado pela Secretaria Municipal de Saúde.
Com a inclusão do caso, o total de mortes confirmadas na cidade chega a 14. Entre elas, 10 ocorreram em pessoas indígenas e 4 em moradores de áreas urbanas. Além das confirmações, quatro outros óbitos permanecem em investigação por suspeita de ligação com a doença. O levantamento diário também avalia a evolução do número de casos notificados, hospitalizações e a distribuição geográfica dos registros, informações consideradas essenciais para orientar as ações de vigilância e controle do vetor.
De acordo com o boletim, o paciente que morreu nesta semana possuía doença respiratória crônica e diabetes, condições que podem agravar o quadro clínico de quem contrai o vírus. A Secretaria de Saúde salienta que comorbidades elevam o risco de complicações, principalmente em faixas etárias mais avançadas, e reforça a necessidade de acompanhamento médico imediato tão logo surjam sinais de febre alta, dor de cabeça, dores articulares ou manchas avermelhadas na pele.
Nos hospitais e unidades básicas de Dourados, as equipes adotam protocolo de atendimento que prioriza hidratação precoce e monitoramento constante de sinais de alarme, como queda de pressão arterial, hemorragias e comprometimento respiratório. Segundo a pasta, a hidratação adequada é fator decisivo para reduzir a progressão da doença e prevenir internações prolongadas. A orientação é evitar qualquer tipo de automedicação, sobretudo o uso de anti-inflamatórios sem prescrição, que pode mascarar sintomas e dificultar o diagnóstico diferencial com dengue ou zika.
A administração municipal mantém ações de campo para redução de criadouros do Aedes aegypti, mosquito transmissor da chikungunya. Agentes de endemias percorrem bairros periurbanos, aldeias indígenas e o centro da cidade para eliminar recipientes com água parada, aplicar larvicidas quando necessário e fornecer orientações porta a porta. O poder público, entretanto, destaca que o êxito dessas medidas depende da colaboração direta dos moradores, responsáveis por vistoriar quintais e áreas internas de residências pelo menos uma vez por semana.
Entre as recomendações repassadas à população estão o esvaziamento de potes, pratos de vasos de plantas e calhas, a vedação correta de caixas-d’água, a destinação adequada de pneus velhos e o descarte de lixo em locais apropriados. As inspeções devem abranger ainda garrafas, lonas, plásticos e outros objetos que possam reter água das chuvas. Sempre que forem identificados focos difíceis de remover, a orientação é acionar a Secretaria de Serviços Urbanos para recolhimento ou limpeza especializada.
Outra frente de trabalho envolve a capacitação contínua de profissionais da rede pública e privada de saúde. A Secretaria organiza treinamentos sobre diagnóstico clínico, manejo de pacientes e notificação obrigatória, com ênfase na diferenciação entre chikungunya e outras arboviroses. Laboratórios parceiros do município também recebem apoio para agilizar exames sorológicos e testes de biologia molecular, reduzindo o intervalo entre a coleta e a divulgação dos resultados.
O Ministério da Saúde acompanha o cenário em Dourados e emite orientações técnicas a respeito do fluxo de encaminhamento de casos graves, fornecimento de insumos e critérios para encerramento de investigações de óbito. A pasta federal recomenda que municípios com transmissão sustentada ampliem campanhas de comunicação de risco, ajustem a logística de leitos hospitalares e reforcem a integração entre atenção primária, vigilância epidemiológica e assistência especializada.
Enquanto o surto permanece ativo, as autoridades locais mantêm o alerta à comunidade. Pessoas que apresentarem febre repentina superior a 38 °C, acompanhada de dor nas articulações, cefaleia ou manchas cutâneas, devem procurar imediatamente a unidade de saúde mais próxima, portar documento de identificação e relatar histórico recente de viagens ou contato com outras pessoas doentes. O diagnóstico precoce, aliado às medidas de prevenção domiciliar e ao papel dos agentes de campo, constitui a principal estratégia para conter o avanço da chikungunya e reduzir o número de mortes em Dourados.









