Um homem foi preso em Dourados, Mato Grosso do Sul, após a Polícia Civil concluir que a morte de Levi Fonseca da Silva, 52 anos, ocorrida em 30 de janeiro no bairro Vila Hilda, não foi acidental, mas resultado de homicídio simples. A prisão ocorreu depois que laudos periciais identificaram perfurações por arma branca como causa do óbito, modificando a linha inicial de investigação.
Ocorrência inicialmente tratada como acidente
No dia do fato, a equipe policial registrou a morte como consequência de uma queda dentro da residência da vítima. Naquele momento, as lesões observadas foram atribuídas a estilhaços de garrafas de vidro, hipótese reforçada pelo cenário encontrado no imóvel. Com base nesses indícios, a ocorrência foi classificada, preliminarmente, como acidente doméstico.
A abordagem investigativa mudou após os resultados do exame necroscópico, que demonstrou que as lesões no corpo de Levi Fonseca eram perfurocortantes, incompatíveis com ferimentos provocados apenas por queda ou contato com vidro. Uma das perfurações atingiu a artéria braquial, provocando hemorragia interna e externa em volume suficiente para causar a morte em pouco tempo.
Nova linha de investigação
Com a confirmação de morte violenta, o Setor de Investigações Gerais (SIG) e o Núcleo Regional de Investigações (NRI) iniciaram diligências para identificar o autor dos golpes. Investigadores realizaram entrevistas com moradores e possíveis testemunhas nas imediações da residência da vítima. Relatos convergiram para a presença de um homem no imóvel poucas horas antes da vítima ser encontrada sem vida.
Durante as oitivas, testemunhas afirmaram ter visto o suspeito deixar o local em atitude considerada suspeita. Essas informações orientaram as equipes na busca pelo indivíduo, que passou a ser considerado o principal alvo da investigação.
Apreensão de prova material
Com base nos testemunhos, a polícia localizou o homem apontado como suspeito e cumpriu mandado de busca em seu endereço. No local, foram apreendidas peças de roupa supostamente usadas na data do crime, contendo manchas que se assemelhavam a sangue. Também foi encontrada uma faca com resquícios de substância hemática, enviada para perícia a fim de verificar compatibilidade com o material biológico da vítima.
Confrontado com as evidências, o suspeito admitiu que desferiu golpes contra Levi Fonseca no interior da residência. Segundo a Polícia Civil, ele alegou motivo de ordem pessoal, não detalhado para a imprensa, e confirmou ter descartado fragmentos de vidro para simular um acidente, tentativa que sustentou a interpretação inicial do caso.
Indiciamento e prisão
Diante da confissão e dos elementos coletados, o investigado foi indiciado por homicídio simples, previsto no artigo 121, caput, do Código Penal. A autoridade policial representou pela prisão preventiva, posteriormente decretada pelo Poder Judiciário. Após a formalização da ordem, equipes do SIG e do NRI efetuaram a captura do indiciado, que permanece à disposição da Justiça em unidade prisional da região.
A Polícia Civil informou que o inquérito será concluído com anexação dos laudos periciais pendentes, entre eles o exame de confronto genético nos vestígios de sangue encontrados na faca e nas roupas apreendidas. O procedimento será encaminhado ao Ministério Público, que avaliará a denúncia.
Os investigadores não divulgaram detalhes sobre eventual relação prévia entre suspeito e vítima, tampouco sobre circunstâncias que teriam motivado o crime. Informaram apenas que seguem apurando para esclarecer integralmente a dinâmica dos fatos registrados em 30 de janeiro.








