Dois homens foram presos na tarde de terça-feira (16) em Campo Grande, Mato Grosso do Sul, após tentarem aplicar o chamado “golpe do bilhete premiado” contra uma mulher idosa. A ação mobilizou o Batalhão de Polícia Militar de Choque (BPChoque), o Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope) e a Delegacia Especializada de Repressão a Roubos a Banco, Assaltos e Sequestros (Garras). Os suspeitos, identificados pelas iniciais E.R.L., 65 anos, e M.J.K., 35, foram detidos após fugirem para uma área de mata próxima ao Parque dos Poderes.
Segundo o boletim de ocorrência da Polícia Militar, a abordagem à vítima ocorreu nas imediações de uma clínica laboratorial. No local, os suspeitos ofereceram um suposto bilhete de loteria premiado, estratégia comum em fraudes voltadas a pessoas idosas. Para convencer a mulher, eles solicitaram que ela realizasse movimentações bancárias de alto valor, incluindo a contratação de empréstimos.
A tentativa de estelionato começou a ser descoberta quando a vítima se dirigiu a uma agência bancária instalada no prédio do Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul (TJMS). Durante o atendimento, o gerente identificou indícios de irregularidade na transação e alertou a Assessoria Militar do tribunal. A comunicação permitiu o acionamento rápido das equipes de segurança pública.
Com a denúncia, militares do BPChoque foram enviados ao local para surpreender a dupla. Ao perceberem a chegada das viaturas, os homens abandonaram a idosa e o veículo utilizado na ação, iniciando fuga a pé em direção a uma área de vegetação no entorno do Parque dos Poderes. Diante das condições do terreno, caracterizado por mata densa, o Bope foi chamado para reforçar o cerco e ampliar as buscas.
Os trabalhos de varredura avançaram pela região até a Rua Aguapé, no Bairro Veraneio, onde os policiais conseguiram localizar os suspeitos escondidos entre árvores e arbustos. A prisão foi realizada sem confronto. Com os homens foram apreendidos R$ 12.176 em espécie e US$ 5.843, valores que, segundo a investigação preliminar, seriam utilizados para dar aparência de legitimidade ao falso prêmio.
Na checagem de antecedentes, a polícia constatou que M.J.K. responde por estelionato, associação criminosa e lavagem de dinheiro. Já E.R.L. possui registros por estelionato e falsificação de documentos. Além disso, foi verificado que havia um mandado de prisão em aberto contra um deles, também pelo crime de estelionato, o que reforça o histórico de envolvimento da dupla em delitos patrimoniais.
Concluída a captura, os suspeitos foram encaminhados à delegacia responsável para lavratura do flagrante e demais procedimentos legais. O dinheiro recolhido ficará à disposição da Justiça até a conclusão do inquérito, que apura a tentativa de obtenção de vantagem ilícita mediante fraude.
O golpe do bilhete premiado é um tipo de estelionato que costuma ter como alvo preferencial pessoas idosas. Os autores se aproximam da vítima alegando possuir um bilhete supostamente sorteado, mas dizem não poder resgatar o prêmio por algum impedimento fictício. Em seguida, solicitam valores em dinheiro, transferências, joias ou outros bens como condição para “dividir” a bolada. Quando a vítima percebe a fraude, os golpistas já se evadiram.
Neste caso, a rápida percepção do gerente do banco e a pronta resposta das forças policiais impediram que a idosa sofresse prejuízo financeiro. As instituições envolvidas destacam que, ao notar qualquer pedido de valores antecipados ou situações incomuns em movimentações bancárias, o cidadão deve procurar imediatamente a gerência da agência ou acionar a polícia.
As investigações prosseguem para verificar se há participação de outras pessoas no esquema e se a dupla presa integra um grupo maior especializado nesse tipo de crime. A Polícia Militar também analisa a possibilidade de outras ocorrências semelhantes registradas recentemente na capital que possam ter relação com os suspeitos.
Ainda não há confirmação sobre a recuperação de bens adicionais nem laudos periciais sobre os documentos apreendidos. Os policiais informaram que todas as evidências colhidas serão encaminhadas ao Poder Judiciário, que decidirá sobre eventuais medidas cautelares e o andamento do processo criminal contra os acusados.
Até o fechamento desta reportagem, a vítima permanecia sob acompanhamento da equipe do banco e das autoridades de segurança, recebendo orientações sobre procedimentos financeiros e apoio psicológico, caso necessário.









