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Ponte da Rota Bioceânica une Brasil e Paraguai após conclusão do “beijo das aduelas”

Às 20h54 de quarta-feira, 15 de maio, foi finalizado o beijo das aduelas da Ponte da Rota Bioceânica, etapa que selou a junção definitiva das estruturas construídas a partir de Porto Murtinho (MS) e de Carmelo Peralta, no Paraguai. O procedimento cria a ligação física entre os dois países sobre o Rio Paraguai e marca a entrada da obra na fase de acabamentos e preparativos para operação.

Estrutura de 1,3 quilômetro financiada pela Itaipu Binacional

Com 1.294 metros de extensão, a ponte é considerada um dos maiores empreendimentos de infraestrutura da América do Sul. O projeto recebe investimento aproximado de US$ 100 milhões, financiado pela Itaipu Binacional, e integra o corredor logístico conhecido como Rota Bioceânica, que conectará Brasil, Paraguai, Argentina e Chile, oferecendo uma alternativa terrestre entre os oceanos Atlântico e Pacífico.

Ao encurtar o trajeto para os portos do norte do Chile, a nova rota pretende reduzir custos de transporte e o tempo de deslocamento de cargas agrícolas, industriais e minerais produzidas no interior do continente. A expectativa também é de que o corredor amplie o fluxo turístico, fortaleça as relações comerciais e atraia investimentos para Porto Murtinho e para regiões vizinhas de ambos os lados da fronteira.

Próximas etapas na ponte

Com a união das aduelas concluída, as equipes passam à interligação das malhas de ferragem e, em seguida, à concretagem da laje que formará a plataforma de tráfego. Depois dessa etapa estrutural, serão executadas a pavimentação das pistas, a instalação de barreiras de proteção anticolisão para embarcações, sistemas de segurança, sinalização horizontal e vertical, iluminação ornamental e demais acabamentos.

A construção da ponte é responsabilidade do Consórcio PYBRA, sob gestão e financiamento de Itaipu. O cronograma prevê que esses serviços finais sejam realizados ao longo dos próximos meses, antecedendo os testes de carga e a futura liberação ao tráfego.

Acessos no lado brasileiro avançam sob gestão do DNIT

Enquanto a ponte se aproxima da conclusão estrutural, o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT) trabalha na implantação dos acessos rodoviários em território brasileiro. O contrato contempla 13,1 quilômetros de nova rodovia ligando a BR-267 ao início da ponte, com investimento de R$ 472 milhões.

De acordo com balanço técnico, 40,17 % da terraplanagem está finalizada, o equivalente a 8,14 quilômetros. Também foram concluídas as chamadas obras de arte correntes, as passagens de fauna, além da instalação de cercas e alambrados que delimitam a faixa de domínio.

O projeto de acesso inclui sete Obras de Arte Especiais — viadutos e pequenas pontes — atualmente na fase de lançamento de vigas, instalação de pré-lajes e execução de lajes. Das 396 vigas de concreto previstas, 388 já foram confeccionadas e 264 posicionadas no traçado. O DNIT estima entregar todo o conjunto viário em 2027, conforme o cronograma oficial e os recursos programados na Lei Orçamentária Anual de 2026.

Importância estratégica para a integração regional

A Rota Bioceânica é apontada por governos e iniciativa privada como um vetor de integração entre os países do Cone Sul. A ponte sobre o Rio Paraguai representa o principal elo físico do corredor e deve consolidar Porto Murtinho como porta de entrada de mercadorias provenientes da Bolívia, do Paraguai e da Argentina em direção aos centros consumidores brasileiros e aos terminais marítimos chilenos.

Além do impacto direto sobre o transporte de cargas, o empreendimento é visto como oportunidade de diversificação econômica para o sudoeste de Mato Grosso do Sul, região historicamente dependente da pecuária extensiva. A expectativa é de que o fluxo rodoviário favoreça cadeias de valor ligadas à agricultura, ao processamento de alimentos e aos serviços logísticos, ampliando empregos e renda locais.

Próximos marcos

Nos próximos meses, os trabalhos na ponte estarão concentrados na execução da laje, no acabamento das juntas de dilatação e na instalação dos dispositivos de drenagem. Somente após essa etapa serão realizados os ensaios estruturais e a pavimentação definitiva. Já as equipes do DNIT seguirão com a montagem das vigas restantes, a concretagem das lajes das OAEs e a continuidade da terraplanagem nos segmentos de pista ainda pendentes.

Quando inaugurada, a Ponte da Rota Bioceânica completará o corredor que parte de Campo Grande, cruza o território paraguaio e a região norte da Argentina até alcançar os portos de Antofagasta e Iquique, no Chile. O empreendimento deve reduzir em aproximadamente 1.500 quilômetros a distância percorrida por caminhões que, atualmente, utilizam rotas tradicionais via portos do Sudeste e do Sul brasileiros.

Com o “beijo das aduelas” concluído, a obra atinge um dos marcos mais simbólicos desde o início das atividades. A partir de agora, os esforços concentram-se em transformar a estrutura recém-integrada em uma via plenamente funcional, apta a receber o fluxo crescente de pessoas e mercadorias previsto para o corredor bioceânico.