Pesquisa realizada pelo Programa de Proteção e Defesa do Consumidor de Mato Grosso do Sul (Procon-MS) entre 1º e 3 de julho verificou disparidades expressivas nos valores cobrados por itens da cesta básica em Campo Grande. Em 13 supermercados visitados, os fiscais avaliaram 115 produtos de alimentação, hortifrúti, higiene pessoal e limpeza doméstica. A comparação de preços mostrou variação que alcança 300% para um mesmo produto, o que reforça a necessidade de o consumidor comparar ofertas antes de concluir a compra.
Entre os hortifrutigranjeiros, a cebola nacional apresentou a maior distância entre o menor e o maior preço praticado: o quilo foi encontrado de R$ 1,99 a R$ 7,99, diferença exata de 300%. Na sequência estão a alface crespa, com oscilação de 251,26%, e o tomate tipo salada, cujo valor variou 174,44% conforme o estabelecimento visitado. Esses números colocam o setor de produtos in natura no topo da lista de divergências identificadas na capital sul-mato-grossense.
No segmento de higiene pessoal e limpeza, também foram observadas variações significativas. O creme dental de 70 gramas da marca Sorriso foi o destaque entre os industrializados, com diferença de 210,70% entre o menor e o maior preço. Já o sabão em barra Sol (embalagem com cinco unidades) variou 132,89%. O órgão de defesa do consumidor ressalta que esses itens costumam ser encontrados em diferentes apresentações e que a atenção ao preço por unidade ou por peso é fundamental para identificar a oferta mais vantajosa.
Quando o foco recaiu sobre produtos alimentícios industrializados, o açúcar cristal Sonora (pacote de dois quilos) liderou as disparidades, apresentando 137,20% de oscilação. O macarrão de sêmola com ovos da marca Renata (500 gramas) registrou 134,12% de diferença, enquanto o arroz tipo 1 Guacira (cinco quilos) chegou a 106,83%. Segundo o Procon-MS, a diversificação de marcas, tamanhos de embalagens e promoções pontuais contribui para essas flutuações.
Além de examinar o comportamento dos preços em julho, o estudo comparou esses valores com os verificados em abril, a fim de medir a pressão inflacionária sobre a cesta básica. Nesse intervalo de três meses, o feijão – alimento essencial no dia a dia do brasileiro – apresentou aumento médio de 41,38%. O arroz, outro item indispensável, subiu 13,31% no mesmo período.
Alguns produtos tiveram reajustes ainda mais acentuados entre abril e julho. O macarrão de sêmola com ovos Renata (500 gramas) ficou 66,11% mais caro, liderando a lista de elevações. O arroz tipo 1 agulhinha Dallas (cinco quilos) encareceu 45,40%, enquanto a batata inglesa teve alta de 38,52%. Para o Procon-MS, essas oscilações podem refletir desde questões sazonais de produção agrícola até custos logísticos e variações do mercado nacional.

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Por outro lado, a pesquisa encontrou exemplos de queda de preços no trimestre analisado. O macarrão de sêmola com ovos parafuso Dallas (500 gramas) recuou 44,49%. A água sanitária Candura (um litro) ficou 32,37% mais barata e o sal refinado Donana (um quilo) apresentou redução de 31,09%. Essas diminuições indicam que nem todos os segmentos da cesta sofrem pressão uniforme, evidenciando a importância do monitoramento frequente por parte do consumidor.
O órgão estadual orienta que o hábito de pesquisar em mais de um ponto de venda é a maneira mais eficaz de driblar as diferenças encontradas. Segundo o Procon-MS, a inclusão de supermercados de bairro ou de menor porte na rota de compras pode ampliar as chances de economizar, pois esses estabelecimentos costumam praticar valores competitivos para atrair clientela local. Além disso, a comparação de marcas e tamanhos de embalagens pode resultar em escolha mais vantajosa sem comprometer a qualidade.
A pesquisa destaca ainda que promoções sazonais, cartões fidelidade e programas de cashback podem ajudar a reduzir o impacto do orçamento doméstico, mas não substituem a verificação criteriosa de preços. O Procon-MS recomenda que o consumidor anote os valores de produtos mais consumidos, acompanhe encartes digitais e esteja atento à procedência dos itens promocionais para verificar se realmente existe economia.
Com diferenças que atingem até três vezes o valor mínimo encontrado, o levantamento reforça que a cesta básica pode pesar mais ou menos no bolso a depender do local de compra e do período do mês. Ao divulgar os resultados, o Procon-MS afirma que manter o acompanhamento sistemático dos preços, sobretudo em produtos essenciais, é ferramenta indispensável para enfrentar a variação de custos e preservar o poder de compra das famílias em Campo Grande.








